Benefícios do plantio direto na cultura da soja

O Sistema de Plantio Direto (SPD) baseia-se no conceito de que, com a adição de resíduos das plantas de cobertura, consegue-se aportar mais carbono no sistema, uma maior cobertura vegetal e a mínima mobilização do solo, proporcionando e mantendo a qualidade física do solo e consequentemente um maior benefício à revitalização ambiental de um determinado agroecossistema. Com o desenvolvimento do sistema de semeadura direta, a mobilização restrita à linha de semeadura e a conservação da superfície coberta por restos culturais anteriores reduzem a ação da erosão. A erosão do solo é um processo que também responde pela redução dos níveis de matéria orgânica do solo. A perda de solo e nutrientes pela erosão hídrica é um fator determinante do empobrecimento do solo e da redução da produtividade da maioria das culturas (Alves, et al, 2006).

Diante das práticas de manejo conservacionistas, a rotação de culturas possibilita benefícios físicos, químicos e biológicos para o solo e a melhoria da produtividade de grandes culturas, favorecendo ganhos líquidos ao produtor e sustentabilidade. Os tratamentos com gramíneas favorecem o aumento da agregação do solo, a redução da densidade, o aumento de porosidade e o crescimento da humificação de acordo com a dose de N.

Este trabalho foi instalado em Capão Bonito, na área experimental localizada no Instituto Agronômico de Campinas IAC/Apta/SAA. A altitude média é de 600 metros, a declividade de 6,5% e o relevo é suavemente ondulado. O solo é classificado como Latossolo Vermelho distrófico e o clima é subtropical (tipo Cfa). O delineamento experimental utilizado foi o de blocos casualizados, perfazendo cinco tratamentos e quatro repetições. Cada parcela dimensionada com 200m² de área (20m de comprimento e 10m de largura). As plantas de cobertura para outono-inverno e primavera foram: aveia branca (IAC-7) e tremoço (Lupinus albus). Avaliou-se a produtividade da soja no sistema de cultivo com semeadura direta, assim como a aplicação de nitrogênio em cobertura nas plantas de cobertura de outono/inverno com cinco tratamentos. Durante o período de outono/inverno, as plantas de cobertura receberam 30kg/ha de N (T2) e 60kg/ha de N (T3). Foi avaliado mais um tratamento sem N (T1), a leguminosa (T4), e pousio (T5) como testemunha.

No final de outubro as plantas de cobertura foram dessecadas para o plantio da cultura de verão, ou seja, soja transgênica de tecnologia Round UP Ready 7908 (RR) adaptada à região de Campinas. Após a colheita, foram feitas medição de altura de plantas e produtividade da cultura da soja. Nas parcelas experimentais foi realizada a abertura de minitrincheiras para a coleta das amostras compostas do solo das camadas superficiais estratificadamente 0m – 0,025m, 0,025m – 0,05m, 0,05m – 0,10m e 0,10m – 0,20m, sendo seis subamostras para formar uma amostra composta. Após a coleta as amostras foram secas ao ar e peneiradas em peneira de malha de 2mm para a obtenção da fração da terra fina seca ao ar (TFSA).

Para os estudos detalhados de labilidade e humificação da matéria orgânica do solo, prepararam-se as amostras através do fracionamento físico por granulometria utilizando o ultrassom Sonifier-Branson (Feller et al, 1947), para dispersar as frações do solo em diferentes tamanhos de partícula como areia (>53 mícron). Após a sonicação, a amostra foi retirada e seu conteúdo destinado a uma peneira de 53 mícron, onde a amostra é lavada com água destilada e a partícula com carbono lábil ligado à fração areia obtida. Esta fração foi submetida à secagem em estufa a 45 graus Celsius em béqueres de 400ml. Após a secagem, as amostras de areia foram moídas em almofariz e peneiradas em peneira de 100 meshes, um grama da fração areia que passou pela peneira foi armazenado em tubos de eppendorf para leitura do CNHS. O restante da amostra (partículas argila e silte) foi levado para provetas de 2.000ml para o fracionamento por sedimentação.

Os tubos de eppendorfs contendo as frações de solo foram analisados no Setor de Fertilidade, pertencente ao Centro de Solos do IAC. Para realizar a leitura de C (carbono), N (nitrogênio) e S (enxofre) das amostras, as mesmas foram pesadas com aproximadamente 100mg da fração e misturada junto à mesma quantidade da substância óxido de tungstênio. Esta mistura foi compartimentada em pastilhas onde foram encaminhadas para a leitura em um equipamento analisador elementar de CNHS, marca Elementar, modelo Vario Macro. Desde a caracterização da área experimental, houve um aumento nos valores de densidade do solo em Campinas, mesmo com a adição continuada de resíduos. Devido às temperaturas mais altas no verão e o inverno seco, a adoção de plantas de cobertura pode não estar sendo eficiente na melhoria da estrutura do solo e na diminuição da compactação, entretanto, o aumento nos teores de carbono pode contribuir com a sustentabilidade do sistema.

Em Capão Bonito é possível alocar cinco plantas em dois anos agrícolas, contribuindo com a adição de fitomassa em cobertura e a ciclagem mais rápida dentro do agroecossistema, mesmo com uma boa distribuição de chuvas ao longo do ano. Quanto maior a adição de N, maior a contribuição das frações mais humificadas, em um primeiro momento, podendo este aspecto ser revertido no solo, dependendo do sistema de rotação adotado.

Conclusões

A matéria orgânica particulada (> 53 mícron) de Capão Bonito é sempre maior com a utilização de culturas de cobertura. Todavia, em clima subtropical, o aporte de fitomassa é facilitado em função do clima.

Através das frações granulométricas avaliadas pode-se inferir maior ou menor humificação, dependendo da relação C/N, principalmente das frações < 53> 53 mícron para verificar a labilidade do carbono.

Este artigo foi publicado na edição 184 da revista Cultivar Grandes Culturas. Clique aqui para ler a edição.

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Sandro Roberto Brancalião; Michelly Tomazi