Exigências no manejo de pragas e ácaros em algodoeiro

No controle de pragas do algodoeiro são utilizadas diversas ferramentas de manejo. Os inseticidas e acaricidas são muito usuais, mas o desejável é que sejam empregados produtos fitossanitários que controlem com eficácia os organismos alvo e ao mesmo tempo preservem os inimigos naturais. Neste aspecto, os profissionais de fitossanidade precisam conhecer listas de produtos seletivos para fazerem a melhor indicação de produtos recomendados.

O Manejo Integrado de Pragas (MIP) consiste na integração de práticas e métodos apropriados de controle de pragas, de um modo compatível, que possibilita a manutenção das populações dos competidores abaixo do nível econômico. Na cultura do algodão, inclui a combinação de várias estratégias e táticas de controle, tais como práticas culturais, resistência genética de plantas, controle biológico, feromônios e manejo de inseticidas e acaricidas. O controle químico ainda é a tática mais usual, devido a praticidade, rapidez de ação, viabilidade e eficácia; de outro lado, uma ampla adoção de algodão-Bt resistente às lagartas tem contribuído para a redução das aplicações de lagarticidas, levando ao aumento da sobrevivência de inimigos naturais.

É frequente observar nos algodoais um controle biológico natural, exercido por inimigos naturais com potencial para manter em níveis razoavelmente baixos as populações de algumas pragas. Tais organismos benéficos minimizam a necessidade de intervenção do homem no controle. Assim, atitudes que busquem manter os predadores, parasitoides e patógenos de pragas nos agroecossistemas são de fundamental importância.

A busca de um controle químico de pragas que provoque menor desequilíbrio biológico constitui-se ainda em um dos principais desafios da Ciência para o manejo dos agroecossistemas com sustentabilidade. O uso de inseticidas e acaricidas seletivos é de grande importância para retardar ou mesmo evitar problemas decorrentes do uso de pesticidas, como os surtos de pragas secundárias e a ressurgência.

Pesticidas seletivos para a cultura do algodão

A pesquisa mais atual padroniza técnicas para os estudos de seletividade, com o intuito de se obter tabelas de classificação de produtos com base na seletividade (Tabela 1).

Tabela 1 - Seletividade de inseticidas e acaricidas utilizados na cultura do algodão para predadores, por ingrediente ativo e produto comercial. Persistência média para praga(s)-alvo e predadores, onde: N = inócuo ou levemente tóxico; M = moderadamente tóxico; e, T = tóxico aos inimigos naturais mais abundantes (com base na classificação do IOBC, 2007)

INGREDIENTE ATIVO

SELETIVIDADE*

PERSISTÊNCIA

PRAGA ALVO PRINCIPAL

PRAGAS

PREDADORES

abamectina

N

Longa

Curta

Ácaro

acefato

T

Moderada

Moderada

Percevejo

acetamiprido

M

Moderada

Curta

Mosca-branca

Pulgão

alfa-cipermetrina

T

Longa

Moderada

Bicudo

Bacillus thuringiensis

N

Curta

Curta

Lagarta

beta-ciflutrina

T

Longa

Moderada

Bicudo

beta-ciflutrina

+

triflumurom

T

Longa

Moderada

Bicudo

Lagarta

beta-ciflutrina

+

Imidacloprido

T

Longa

Moderada

Percevejo

beta-cipermetrina

T

Longa

Moderada

Bicudo

bifentrina

T

Longa

Moderada

Lagarta

bifentrina

+

carbosulfano

T

Longa

Moderada

Bicudo

Lagarta

Pulgão

bifentrina

+

imidacloprido

T

Longa

Moderada

Lagarta

Pulgão

buprofezina

N

Longa

Curta

Mosca-branca

carbosulfano

M

Moderada

Moderada

Pulgão

cipermetrina

T

Longa

Moderada

Lagarta

cipermetrina

+

profenofós

T

Longa

Moderada

Lagarta

clorantraniliprole

N

Longa

Curta

Lagarta

clorantraniliprole

+

lambda-cialotrina

T

Longa

Moderada

Lagarta

clorfenapir

M

Moderada

Moderada

Ácaro

Lagarta

clorfluazurom

N

Longa

Curta

Lagarta

cloridrato de cartape

T

Moderada

Moderada

Lagarta

clorpirifós

T

Moderada

Moderada

Lagarta

clotianidina

M

Moderada

Curta

Pulgão

Mosca-branca

deltametrina

T

Longa

Moderada

Lagarta

diafentiurom

M

Longa

Moderada

Ácaro

Mosca-branca

Pulgão

diflubenzurom

N

Longa

Curta

Lagarta

dimetoato

T

Moderada

Curta

Pulgão

enxofre

N

Curta

Curta

Ácaro

esfenvalerato

T

Longa

Moderada

Lagarta

esfenvalerato

+

fenitrotiona

T

Longa

Moderada

Bicudo

Lagarta

espinosade

N

Moderada

Curta

Lagarta

espiromesifeno

N

Moderada

Curta

Ácaro

Mosca-branca

etofenproxi

N

Longa

Curta

Lagarta

etoxazol

M

Moderada

Curta

Ácaro

fenitrotiona

T

Curta

Curta

Bicudo

fenpropatrina

T

Longa

Moderada

Lagarta

fipronil

T

Longa

Longa

Formiga

Bicudo

flonicamida

N

Moderada

Curta

Pulgão

flubendiamida

N

Longa

Curta

Lagartas

flufenoxurom

N

Longa

Curta

Lagarta

gama-cialotrina

T

Longa

Moderada

Lagarta

imidacloprido

M

Moderada

Curta

Mosca-branca

Pulgão

indoxacarbe

M

Moderada

Moderada

Lagarta

lambda-cialotrina

T

Longa

Moderada

Bicudo

Lagarta

lambda-cialotrina

+

tiametoxam

T

Longa

Moderada

Percevejo

lufenurom

N

Longa

Curta

Lagarta

malationa

T

Curta

Curta

Bicudo

metidationa

T

Curta

Curta

Bicudo

metomil

M

Moderada

Moderada

Lagarta

metoxifenozida

N

Moderada

Curta

Lagarta

milbemectina

N

Moderada

Curta

Ácaro

novalurom

N

Longa

Curta

Lagarta

parationa-metilica

T

Curta

Moderada

Bicudo

permetrina

T

Longa

Moderada

Lagarta

pimetrozina

N

Longa

Curta

Pulgão

piriproxifem

N

Longa

Curta

Mosca-branca

propargito

N

Moderada

Curta

Ácaro

tebufenozida

N

Moderada

Curta

Lagarta

teflubenzurom

N

Longa

Curta

Lagarta

tiacloprido

M

Moderada

Curta

Mosca-branca

Pulgão

tiametoxam

M

Moderada

Curta

Mosca-branca

Pulgão

tiametoxam

+

clorantaniliprole

M

Longa

Curta

Lagarta

Pulgão

tiodicarbe

M

Moderada

Moderada

Lagarta

triflumurom

N

Longa

Curta

Lagarta

VPN-HzSNPV

N

Longa

Curta

Lagarta

zeta-cipermetrina

T

Longa

Moderada

Bicudo

Lagarta

zeta-cipermetrina +

bifentrina

T

Longa

Moderada

Bicudo

Lagarta

* Critério de categorização da seletividade de acordo com o IOBC (International Organisation for Biological Control):

N = inócuo ou levemente tóxico (mortalidade dos principais inimigos naturais a campo ou semicampo de 0 a 50%, em laboratório de 0 a 30%)

M = moderadamente tóxico (mortalidade dos principais inimigos naturais a campo ou semicampo de 50 a 75%, em laboratório de 30 a 79%)

T = tóxico (mortalidade dos principais inimigos naturais a campo ou semicampo maior que 75%, em laboratório maior que 80%)

Confira o artigo na edição 181 da Grandes Culturas.

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Elmo P. de Melo (Unigran) - Paulo E. Degrande (UFGD)