Manejo nutricional influencia a qualidade do trigo

Além disso, a escassez de chuvas das últimas semanas também atrapalhou e atrasou o desenvolvimento das lavouras tardias. Recentemente, a Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) informou que o mercado nacional importou 656 mil toneladas de trigo, em agosto, o que equivale a um aumento de 13,8% em relação ao mesmo período do ano passado, principalmente o trigo de alta proteína para atender a demanda das farinhas especiais.

A qualidade industrial do trigo é determinada por vários atributos de classificação, destacando-se o teor de proteína, que deve ser acima de 12% para farinhas de alta qualidade. Este é o fator que interfere em outros, como a força de glúten e a absorção de água, por exemplo. Já peso do hectolitro (PH) tem grande importância na classificação comercial, uma vez que esse fator determina a qualidade e o rendimento da extração de farinha. Com isso, a nutrição da cultura desempenha um papel extremamente importante para garantir mais qualidade industrial do produto final.

As proteínas se acumulam nos grãos no final do ciclo da cultura e têm como importantes componentes o nitrogênio (N) e o enxofre (S). O teor proteico nos grãos é dependente do genótipo e de variáveis ambientais, principalmente a disponibilidade de nitrogênio. Aproximadamente 80% do teor de nitrogênio (ou proteína) dos grãos são originários de hastes e folhas, sendo absorvidos durante o período vegetativo e transferidos para os grãos durante a senescência. Os 20% restantes são acumulados após floração, por fornecimento adicional de nitrogênio, que pode ser absorvido do solo ou por aplicação foliar. Portanto, uma aplicação tardia no parcelamento da cobertura nitrogenada é positiva nesse sentido.

Dessa maneira, observamos maiores teores de proteína quando a aplicação de nitrogênio é feita no início do espigamento, ao invés da aplicação no final da elongação (folha bandeira expandida). O fornecimento de nitrogênio foliar também pode ser uma importante ferramenta para incremento de proteína nos grãos de trigo. Estudos do Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA - Argentina), com dados da safra 2016, mostram que a aplicação de nitrogênio foliar, no início do espigamento, em 11 cultivares, revelam incrementos de 1,6% na produtividade (de 5,5 para 5,6 t/ha) e 6,7% no teor de nitrogênio nos grãos (de 10,3 para 11,3%). Essa prática de suplementação via foliar pode contribuir muito mais quando há períodos de menos disponibilidade de água no solo, condição que prejudica a absorção e nitrogênio.

A aplicação de enxofre em trigo, por sua vez, eleva consideravelmente o conteúdo de aminoácidos constituintes das principais proteínas do trigo inerentes à qualidade: cisteína (+24,5%), metionina (+35,3%), treonina (+14,4%) e lisina (+7,7%) (Järvan et al., 2008). Com o uso de fertilizante nitrogenado, que combina Nitrogênio nítrico e amoniacal, além de enxofre em sua composição foi comprovado o acréscimo de 5,4% no teor de proteína em grãos de trigo com o aumento de 30 e 18 kg/ha, respectivamente, de nitrogênio e enxofre e, 6,7% quando ainda se aplicaram esses dois nutrientes via foliar.

O PH é determinado pelo manejo nutricional e também pode influenciar a classificação comercial do trigo. Na média das lavouras demonstrativas avaliadas pelo Brasil, onde esse atributo foi medido, houve um incremento de 3,34% no PH (de 77,8 para 80,4). Dessa maneira, para aporte suplementar de potássio solúvel com qualidade no momento correto, um fertilizante 100% solúvel em água, na forma de cristais finos de alta pureza, fornece nitrogênio, potássio e enxofre mostra-se uma ferramenta eficaz, proporcionando maior enchimento de grãos e afetando positivamente no PH.

É possível diminuir o gargalo das importações e a nutrição do trigo, com certeza, será fator relevante. Para a produção de grãos de trigo de alta qualidade, podemos afirmar eu os itens indispensáveis serão as variedades apropriadas, as fontes de nitrogênio e de enxofre de alta eficiência, com seus ajustes de doses, assim como o planejamento de uma aplicação tardia.

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Diego Guterres

Engenheiro Agrônomo e Especialista líder nas culturas de Trigo e Soja da Yara Brasil