Produção de grãos - Entre Riscos e Recordes

Sabemos que Goiás é um grande ator da produção agrícola nacional, destacando-se principalmente por sua forte safra de grãos, que ano após ano contribui para a evolução da economia e da sociedade goiana. Mas por trás do sucesso obtido ao longo do tempo, o setor enfrenta desafios contínuos e os riscos de se produzir nesta indústria a céu aberto crescem a cada dia, tirando a renda e o sono dos produtores rurais.

Ao analisarmos o histórico de produção dos últimos anos, percebemos o quanto os riscos estão presentes em nossa agricultura. Das últimas seis safras de grãos colhidas em Goiás, quatro apresentaram quebras de produção. Desde a safra 2011/12 o estado já atingiu a marca dos 18 milhões de toneladas produzidas, porém, mesmo com o crescimento de 16% na área plantada, até agora não conseguimos superar este patamar.

Porém, a safra atual vem se mostrando bastante positiva e se o clima continuar colaborando poderemos superar esta marca. As expectativas atuais apontam uma produção total de grãos de cerca de 21 milhões de toneladas, resultado propiciado pelas boas produtividades obtidas na soja neste ano. Porém a conclusão desta expectativa ainda depende muito do clima, já que o milho safrinha ainda está em fase final de plantio e os volumes de chuvas nos meses de março e abril serão fundamentais para a construção de um bom potencial produtivo.

E os desafios nas lavouras são apenas os primeiros riscos enfrentados pelo homem do campo. Ao sair da porteira, toda esta pujante produção ainda tem que enfrentar as mazelas da infraestrutura nacional, evidenciada principalmente pelas condições de nossas rodovias. Só em Goiás, segundo dados do mais recente levantamento da Faeg, são mais de 37 trechos de rodovias estaduais em estado completamente precário, justamente nos principais corredores de escoamento de nossa produção agrícola.

Fato é que o otimismo das notícias que a agricultura nos apresenta a cada dia são um alento em meio a maré de fatos negativos em nosso país. Porém é preciso observar que por trás dos recordes de produção e da sustentação da economia do país existem riscos e perdas constantes, que dia após dia exigem maior profissionalismo do setor e infelizmente ainda tiram muitos produtores de sua atividade.


Por José Mário Schreiner, vice-presidente da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) e do Conselho Administrativo do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural em Goiás (Senar Goiás)

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