Test Drive CR7.90 Evo

A CR7.90 Evo da New Holland é realmente uma evolução, trazendo várias novidades tecnológicas que se somam a sistemas já consagrados das séries anteriores

Nem sempre a Revista Cultivar Máquinas tem oportunidades como esta, que relataremos aos nossos leitores nesta edição. Muitas vezes a máquina que iremos testar é levada a alguma área ou é máquina pertencente a algum agricultor. Desta vez tivemos a oportunidade de visitar uma das áreas de teste da New Holland e conhecer o novo modelo, futuro lançamento da marca, a colhedora CR7.90 EVO, em pleno processo de validação.

Este novo modelo, que foi apresentado aos concessionários em 2016 terá seu lançamento público no Agrishow. Há meses ela está em testes de validação pela engenharia do fabricante, em diferentes locais do país.Este é um modelo totalmente novo que vai integrar a família CR se posicionando na Classe VII alta, ou seja, é uma máquina maior que a atual CR9060 Premium. A nova grade ficará composta dos modelos CR5.85, a CR6.80, que substituirá a CR6080; a CR7.80, que substituirá a CR9060 Premium; a nova CR7.90 EVO e a CR8.90, que substituirá a CR8090.

CR7.90 EVO

A máquina que testamos possui as mesmas dimensões da atual CR8090 no quesito de processamento de colheita, o que a New Holland chama de chassi largo. É uma máquina direcionada à colheita de soja e milho, com uma característica marcante de oferta de customização. Serão ofertadas versões que facilitem o atendimento aos aspectos particulares de cada produtor. Evidentemente que a vantagem do posicionamento adequado do cliente se somará ao menor custo deste novo modelo. Ela possui motor Cursor 10, com 313kW (425cv) de potência nominal e 358kW (487 cv) de potência máxima e uma diminuição do depósito de grãos, que passou de 14.500 para 12.300 litros.

Com esta configuração, a taxa de descarga passou de 142 litros/segundo da CR8090 para 126 litros/segundo, neste modelo. A transmissão hidrostática de potência, embora o modelo seja menor, manteve-se a mesma, com quatro velocidades e acionamento eletro-hidráulico.

O motor, como dissemos, é um FPT Cursor 10, Turboalimentado, com seis cilindros e 10,3 litros de capacidade volumétrica, que atende as novas normas de emissão de poluentes MAR-I, de acordo com Proconve, através do sistema de EGR, ou seja, recirculação interna de gases. Com isso, não necessita a utilização de aditivo Arla32 e não tem nenhuma restrição quanto à utilização do diesel, S500. O torque máximo é 1.600Nm a 1.700rpm.

Pela capacidade de processamento da máquina e a experiência adquirida nos testes prévios, o fabricante está recomendando o uso de uma plataforma de 40 pés. Neste modelo, estávamos usando uma plataforma tipo Draper da New Holland, padrão nesta faixa de máquinas, com barra de corte flexível. O sistema de flutuação utiliza um conjunto de molas de borracha que facilmente pode seguir o nível do solo, fazendo com que as perdas decorrentes da posição de baixa inserção das primeiras vagens sejam neutralizadas.

Bem à frente do operador fica uma caixa central que controla as navalhas. Nós, inclusive, a utilizávamos como referência para o posicionamento nas linhas de colheita. Este conceito traz como principais vantagens a diminuição de vibrações decorrentes do movimento alternativo da barra de corte e a diminuição da largura dos divisores da plataforma, pela menor estrutura lateral necessária para conter o sistema. Para a limpeza da caixa central de acionamento das navalhas, um jato de ar é aplicado automaticamente a cada quatro minutos, aproximadamente.

SISTEMA DE TRILHA E SEPARAÇÃO

Acreditamos que pode interessar muito aos nossos leitores a explicação do duplo rotor TwinPitch. Estes dois rotores são formados por 44 barras de trilha e separação cada, que a nosso ver é um dos pontos positivos desta linha e, por conseguinte, deste modelo. Na entrada dos rotores o fabricante colocou um sistema de alimentação, formado por uma dupla hélice, que serve manter o fluxo constante de produto e garantir que haja sempre material entrando nos rotores. Na cobertura dos rotores existem aletas ajustáveis, que podem ser reguladas para aumentar e diminuir o tempo de permanência do material quando está sendo trilhado e separado. Há possibilidade de ajuste das aletas da cobertura conforme a condição de cada cultura. Olhando-se os rotores lateralmente se nota que a primeira parte do cilindro utiliza barras redondas para a trilha e a segunda parte utiliza arames largos. Esta configuração é dada em função do estado em que está o produto a ser processado em cada posição dos rotores.

A trilha e a separação são feitas conjuntamente pelo sistema axial por meio dos dois rotores de 22 polegadas, sistema exclusivamente usado pelas colhedoras CR. O sistema industrial deste novo modelo é igual ao da CR 8090, que é de uma classe maior. O fabricante optou pelos rotores de 22 polegadas para que este modelo tenha maior capacidade de processamento, que segundo os testes da equipe da New Holland tem 65% mais de produção com este aumento em relação aos rotores de 17 polegadas.

Vale ressaltar que a transmissão de potência aos rotores utiliza um sistema denominado pelo fabricante de Maxitorque, que evita que haja perda por patinamento no acionamento e por conta disto a interrupção do processo de trilha e separação.

Toda esta massa de grãos processada pelos rotores é entregue ao sistema de limpeza, formado por peneiras otimizadas para aumentar a performance. O sistema de limpeza de dupla ação tem grande área de limpeza e recebe ar de um ventilador, para a extração de material fino.

CABINE E CONTROLES

A cabine, colocada sobre quatro blocos de borracha, para o amortecimento das vibrações, é a mesma desde a CR5.85 até a CR8.90, e na máquina do teste pudemos observar alguns itens da CR8090, que poderão ser configurados como opcionais nos novos modelos, como por exemplo, a opção de um frigobar posicionado atrás do assento, o sistema de iluminação com cinco faróis tipo xenon, colocados de forma a atender uma visualização de 180 graus a partir do posto do operador. O assento é extremamente cômodo, com muitas regulagens de ajuste de posição, e a superfície é em couro, o que melhora o contato do corpo do operador com a superfície. Enfim, reconhecemos muitas qualidades de conforto e segurança para o operador, tanto no trabalho diurno como noturno. O console lateral é muito prático, além de ser muito acessível para o controle da máquina. Existe à disposição do operador um descansa-braço e à mão direta um controle multifunção com as teclas e os interruptores de mais frequente utilização na colheita. Na parte da frente, um enorme monitor, com display colorido Intelliview IV e tela sensível ao toque, onde se podem receber informações, tanto do desempenho da máquina, como da operação, baseado em prévias configurações. O monitor atua como um microcomputador, que permite inclusive que se gravem os trabalhos e os exportem por meio de uma porta USB, para a coleta dos dados.

Leia o teste completo abaixo.

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Jose Fernando Schlosser

NEMA - UFSM