Test Drive trator MF 7720 Dyna-6

Testamos o trator MF 7720 Dyna-6 da Massey Ferguson, recentemente nacionalizado, em conjunto com a Semeadora MF 713, para comprovar a eficiência da integração do motor com a transmissão Semi-PowerShift em trabalhos que exijam eficiência e versatilidade do trator

Aproveitando dois dias de muito sol e temperatura amena tivemos a oportunidade de testar o novo modelo de trator da Massey Ferguson, o MF 7720 Dyna-6. Inserido em uma família de quatro modelos, este é o segundo em potência máxima do motor, com 210cv. Esta família foi apresentada na última Agrishow, em Ribeirão Preto, no mês de maio e já está em ritmo de comercialização pela rede de concessionárias MF. A produção se inicia no mês de setembro. A família MF 7700 é formada por quatro modelos, MF 7719 Dyna-6 (195cv), MF 7720 Dyna-6 (210cv), MF 7722 Dyna-6 (230cv) e MF 7725 Dyna-6 (250cv). Os dois primeiros modelos têm 6,6 litros e os modelos MF 7722 e MF 7725 têm capacidade volumétrica de 7,4 litros, todos com seis cilindros em linha.

Nota-se que a normativa Proconve MAR-1 revolucionou o mercado de tratores com potência superior a 100cv. Dentro desta nova geração de tratores, este é mais um dos modelos da marca com injeção eletrônica.

Como tem sido frequente na linha de tratores MF, este é um modelo que segue os projetos globais, com a tendência de fabricar aqui no País os mesmos modelos que são produzidos nos mais importantes centros industriais. Este modelo é o mesmo produzido originalmente na fábrica de tratores localizada em Beauvais, França. Mesmo com este projeto internacional, que representa uma evolução da Série 7000 Dyna-6, o modelo vendido aqui no Brasil é fabricado na unidade de Canoas (RS), com o motor proveniente da unidade da AGCO de Mogi das Cruzes (SP), e mantém a transmissão do modelo internacional, fabricado pela Gima, de origem francesa.

Como dissemos, com esta globalização, os modelos adquiriram identidade mundial e, nesta série, os principais pontos são as novas linhas estéticas, a possibilidade de contar com o sistema hidráulico de levante em três pontos e TDP frontal, a presença de suspensão no eixo dianteiro e a transmissão Dyna-6 importada da França.

Por todas estas questões, referentes à tecnologia aplicada a estes modelos, o fabricante não ultrapassará a produção de 100 unidades neste ano, mesmo com a demanda apontando para um número superior de vendas. Só a concessionária Redemaq, que atende a região onde ocorreu o teste, já comercializou três unidades e não programará mais vendas, embora os interessados superem este volume.

MOTOR

Os tratores da família MF 7700 são equipados com motor AGCO Power de seis cilindros em linha, com sistema de injeção eletrônica de combustível, Common Rail. Todos os motores que equipam a linha são sobrealimentados por um turbo compressor da marca Schwitzer, associado a um intercooler para o arrefecimento do ar admitido.

O sistema de injeção de combustível possui três filtros. O primeiro possui carcaça translúcida para visualização de água sedimentada na parte inferior e verificação de irregularidades de pressão do sistema. O segundo filtro apresenta o mecanismo de retirada de ar do sistema, composto por uma bomba manual e parafuso de sangria. O terceiro filtro, com malha mais fina, complementa a função dos demais.

Ao longo da estrutura do motor existem sensores que monitoram a presença de água no sistema de injeção, temperatura do motor, temperatura e pressão do combustível, rotações mínima e máxima, temperatura do ar admitido e pressão do óleo lubrificante. A falha de um destes parâmetros acarretará no corte de potência do motor e na entrada em modo de segurança, visando preservar a integridade dele.

Os motores destes tratores possuem rotação de marcha lenta a 850rpm. Porém, quando o trator está em condição ociosa, ou seja, parado e sem solicitação do sistema hidráulico, aciona-se o freio de estacionamento localizado junto ao reversor, e a rotação de marcha lenta passa para 750rpm. Este sistema denominado “Parado ocioso" ajuda a reduzir o consumo de combustível.

Com objetivo de cumprir a legislação relativa aos níveis de emissões de máquinas agrícolas e rodoviárias, Proconve MAR-1, os motores da linha são equipados com sistema EGR (Exhaust Gas Recirculation). Os motores realizam a recirculação de forma interna, este procedimento é realizado por uma modificação do comando de válvulas. Durante a etapa de expulsão dos gases da combustão, a válvula de admissão permite que uma parte destes retorne ao coletor de ar, para ser admitida em um novo ciclo. Este sistema recebe o nome de iEGR.

A presença de gases já queimados no ar admitido reduz a temperatura máxima na câmara de combustão, reduzindo, assim, os níveis de emissões de óxidos de nitrogênio, que são nocivos à saúde humana e ao meio ambiente. Com a utilização de iEGR, fica dispensado o uso do sistema de catalisador seletivo em conjunto com o fluido Arla 32.

Para facilitar o diagnóstico de falhas que podem ocorrer durante o funcionamento do motor, aproveitando sua condição de controle eletrônico, o fabricante dispôs um sistema de identificação, utilizando um relatório pelo monitor, que apresenta os códigos de erros, facilitando a identificação e a correção dos problemas, como entupimento de filtros, falta de combustível, pressão insuficiente etc.

TRANSMISSÃO

Os tratores da família MF 7700 utilizam transmissão Dyna-6 com 24 velocidades à frente e 24 à ré, resultante da combinação de quatro grupos de velocidades com seis marchas e um sistema de reversão. A faixa de velocidades alcançadas varia de 1,5km/h a 40km/h. A transmissão é do tipo Semi-PowerShift, que permite a troca de marchas com o trator em condição de carga. Ressalte-se que é uma transmissão que apresenta uma total interação motor/transmissão, facilitada pelo uso da eletrônica.

A transmissão apresenta dois modos de operação, trabalho e transporte. No modo trabalho, a troca sequencial de marchas entre diferentes grupos é bloqueada, isto ocorre para resguardar a integridade do sistema de transmissão. Já no modo transporte, não existe esta restrição, podendo-se utilizar todo o escalonamento de marchas, de forma sequencial.

Como o trator não possui uma alavanca para a seleção de marchas, são configuradas marchas de arrancada à frente e à ré. O reversor, posicionado à esquerda do volante, tem função de selecionar o sentido de deslocamento, a troca de marchas sequencial e a função embreagem. A embreagem também possui o ajuste de sensibilidade, podendo, assim, deixá-la mais suave ou agressiva.

Também relacionado à troca de marchas existe uma alavanca “T" à direita do console. Tanto esta alavanca como o reversor são utilizados sem o auxílio do pedal da embreagem, visto que este tem uso obrigatório apenas na partida do motor, por questões de segurança e cumprimento de normas.

Como configuração de transmissão, a linha MF 7700 também apresenta o modo automático. Neste modo é selecionada uma marcha limite para deslocamento e a rotação configurada para efetuar a troca. Desta forma, o trator troca de marcha automaticamente, quando atingir a rotação selecionada, repetindo este recurso até alcançar a marcha-limite selecionada.

Além dos modos manual e automático de transmissão, existe o modo DTM (Dynamic Tractor Management). Neste modo selecionam-se a marcha de trabalho e as rotações máxima e mínima do motor, assim, o sistema ajustará automaticamente a rotação do motor em função da demanda de carga do implemento, mantendo-se constante a velocidade de operação.

Quando a alteração de rotação não for suficiente para suprir a exigência de carga, o sistema reduzirá de marcha automaticamente. O modo DTM buscará sempre trabalhar na menor rotação do motor, visando menor consumo de combustível. Pode-se ainda alterar a velocidade de resposta do motor às sobrecargas encontradas.

Com uso destinado a operações especiais, a transmissão dispõe como opcional o sistema Creeper. Este sistema trata-se de um super-redutor que proporciona velocidades que variam de 0,33km/h a 2,21km/h a 1.800rpm, distribuídas em 12 marchas à frente e 12 marchas à ré. Desta forma, o sistema de transmissão pode resultar em 36x36.

A eletrônica embarcada no trator ainda permite a memorização de duas marchas de trabalho no sistema, acionadas por botões no console. Os sistemas de embreagem e transmissão são acionados de forma eletro-hidráulica. Assim, não há ligações mecânicas entre seus mecanismos e os comandos que os acionam.

Das 24 velocidades disponíveis na versão standard, a transmissão apresenta 11 velocidades em faixas comumente utilizadas nos trabalhos de campo (4km/h a 12km/h). O escalonamento ainda apresenta sobreposição de velocidades entre os grupos, evitando a troca dos mesmos durante o trabalho.

A redução final é do tipo planetária epicicloidal, com fixação do aro através de eixo passante. Este sistema permite a melhor regulagem de bitola dos rodados, tanto com rodagem simples quanto dupla. Os freios de serviço funcionam de forma integrada ao sistema pneumático, quando o trator é equipado para o transporte de vagões de cana.

TOMADA DE POTÊNCIA

A tomada de potência está disponível para operação nas rotações convencionais de 540rpm com eixo fixo de seis estrias e ainda 1.000rpm utilizando eixo flangeado de 21 estrias. A transmissão do movimento passa pela embreagem independente no volante do motor, entra na caixa de velocidades através de engrenagens selecionadoras de velocidades até o eixo de saída.

Para seleção de velocidades de utilização da TDP (540 e 1.000rpm), estão dispostos na coluna à direita do operador os interruptores acionados eletro-hidraulicamente. O trator ainda dispõe de um interruptor para acionamento da TDP no para-lama traseiro esquerdo, utilizado após programação da rotação de trabalho na tela do monitor de informações integradas (SIS). A linha MF 7700 tem como opcional de fábrica a utilização de TDP dianteira de 1.000rpm, com sentido anti-horário de trabalho.

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José Fernando Schlosser, Luis Fernando Vargas de Oliveira, Bruna Batistella

Núcleo de Ensaios de Máquinas Agrícolas – UFSM