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Agronegócio brasileiro terá participação ativa nos debates da COP21

Grande parte das metas de redução de emissões de gases de efeito estufa (GEE) anunciadas recentemente pelo governo brasileiro e que serão levadas para a 21ª reunião da Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima (COP21), agendada para ocorrer em Paris no início de dezembro, tem relação direta com o agronegócio. Em razão disso, as principais entidades e grupos representativos do agronegócio brasileiro deverão ter uma expressiva participação nos eventos que serão promovidos, em diferentes fóruns, ao longo dos dias em que acontecerá a Conferência, programada para o período de 30 de novembro a 11 de dezembro.

Uma das atuações do setor na Conferência será no Global Landscapes Forum, um evento paralelo ao ambiente oficial da COP21, que deve se constituir em um dos mais importantes fóruns para discussão de questões relacionadas ao uso da terra. Promovido por um consórcio multissetorial de organizações internacionais, dentre as quais o Banco Mundial, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e Desenvolvimento (PNUD), o Word Resources Institute (WRI) e o Center for International Forestry Research (CIFOR), o evento deve atrair a atenção de aproximadamente 2.500 pessoas dos mais diversos países e setores, incluindo o de florestas, agricultura, energia e finanças.

A Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), juntamente com a Sociedade Rural Brasileira (SRB) e o Grupo de Trabalho da Pecuária Sustentável (GTPS), tendo como parceira a Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura organizará um estande no Pavilhão Finanças e Comércio (Finance & Trade) do Global Landscapes Forum. O espaço ficará aberto no domingo, dia 6 de dezembro, das 7h30 às 21hs, e deverá servir para a divulgação das ações que o agronegócio brasileiro promove para atenuar os impactos da mudança do clima no mundo, além de servir para a realização de networking entre os participantes.

No mesmo dia e local, está programada a realização de um debate, a partir das 16h40, que terá duração de 45 minutos e no qual as entidades participantes abordarão os desafios e as oportunidades para a implementação de medidas de mitigação das emissões de gases de efeito estufa, que foram sinalizadas pelo governo brasileiro e que tem forte relação com o agronegócio. O painel, denominado “Luta contra mudanças climáticas através da Agricultura e Floresta – Discutindo exemplos brasileiros” será moderado por Roberto Waack, líder da Coalização Brasil Clima, Florestas e Agricultura e contará com os painelistas: Marcello Brito, diretor da ABAG, Fernando Sampaio, presidente do GTPS; e Gustavo Junqueira, presidente da SRB, entre outros.

Na opinião da ABAG, há consenso entre as entidades sobre os grandes desafios que o agronegócio brasileiro terá pela frente para o cumprimento das metas definidas pelo governo brasileiro. A avaliação da Associação é de que será necessário não só manter, mas também aperfeiçoar as políticas e os mecanismos de incentivo à recuperação de pastagens degradadas e à promoção dos sistemas integrados de produção, como iLPF (Integração Lavoura-Pecuária-Floresta).

A SRB irá ao Global Landscapes Forum mostrar que o Brasil tem hoje a produção de alimentos mais sustentável do planeta, com grande responsabilidade social garantida por uma abrangente legislação trabalhista e com baixo impacto ambiental, assegurado por nosso Código Florestal. Segundo a entidade, o agronegócio brasileiro tem ainda um enorme potencial de crescimento para atender à demanda mundial de alimentos, sem expansão da área atualmente ocupada, através de ganhos de eficiência. Essa tendência verificada nas últimas décadas ainda demonstra uma enorme área para conversão, como, por exemplo, na recuperação de pastagens degradadas e na sua conversão em sistemas de agricultura de baixo carbono, parte de nossa INDC, estratégia que permitirá a conversão de grandes áreas em agricultura de alimentos.

Num País com 64% de sua área coberta por vegetação nativa, teremos nos próximos anos ganhos substanciais com a restauração de milhões de hectares de reserva legal e áreas de proteção permanente em propriedades rurais, para adequação ao Código Florestal. Segundo a SRB, para termos toda esta adequação e a nossa INDC viabilizada, o mercado mundial deve reconhecer a sustentabilidade da produção de alimentos pelo agronegócio brasileiro, valorizando adequadamente os produtos e garantindo o acesso aos principais mercados, hoje protegidos por uma complexa rede de subsídios e forte protecionismo.

O painel no Global Landscapes Forum está alinhado com a característica da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura. O movimento multissetorial, pioneiro no Brasil, funciona como uma arena de diálogos construtivos entre diversas vozes ligadas ao uso da terra. Empresas, organizações da sociedade civil, centros de pesquisa e entidades setoriais buscaram posicionamentos em comum para poderem trabalhar juntos pela agenda da mudança climática e por uma economia de baixo carbono brasileiras, pois entendem que não há como avançar nas grandes e necessárias mudanças que o momento atual exige, sem o esforço conjunto de todas as áreas e, no caso específico do Brasil, setores agrícola e florestal.

Assim, para a Coalizão, faz todo sentido que, num momento e local tão significativos como a COP 21, aconteça um debate sobre o que os setores de agricultura e florestas podem fazer juntos para mudar o cenário atual, que evolua para uma situação mais sustentável e que possa ainda trazer novas oportunidades econômicas.

A Coalizão conta com grupos de trabalho formado pro voluntários dos diferentes grupos que aderiram ao movimento, que lidam com a viabilização de 17 propostas para a redução efetiva de emissões de gases do efeito estufa e o direcionamento da economia para um modelo de baixo carbono, em especial nas áreas de florestas, agropecuária, bioenergia e biocombustíveis.

Já a participação do GTPS no Global Landscapes Forum, tem como objetivo alterar a imagem equivocada da pecuária como vilã das mudanças climáticas no mundo, bem como discutir o papel da atividade no alcance das metas estabelecidas pela Convenção de Mudanças Climáticas. O GTPS ainda tem a intenção de divulgar durante a COP21 o trabalho realizado em prol de uma atividade mais sustentável, socialmente justa, ambientalmente correta e economicamente viável.

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