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Centro-Oeste manterá empregos no agronegócio em 2016

  • 10/02/2016 |
  • Diego Silva

Depois da avaliação do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), em que o Ministério do Trabalho divulgou as 466 mil demissões no ano de 2015, pecuaristas e agricultores destacam que desse mal, o agronegócio no Centro-Oeste brasileiro não sofre. Neste ano, o único setor com saldo positivo prevê manter os empregos gerados, influenciados pelo avanço na produção, investimento em tecnologia, capacitação, além da taxa de câmbio, que favoreceu o volume das exportações.

Na cidade de Cáceres, em Mato Grosso, o diretor da Nelore Grendene, Ilson Corrêa, fechou o ano passado coordenando uma equipe de 140 trabalhadores rurais, e neste ano, os novos investimentos em lavoura e produção de genética, abrirão cerca de 15 vagas já no primeiro semestre. “Não tenho dúvida que a pecuária continuará firme. Com as oscilações econômicas, mantém necessária a cautela, mas crise não veremos”, destaca Corrêa, que junto a sua equipe, prepara 1000 touros por ano, para colocar no mercado, que no último ano foram comercializados por média de R$ 11.064,25, cada.

Já na agricultura o Comitê Estratégico Soja Brasil (CESB) destaca um cenário que preocupa, mediante ao preço dos insumos e às modestas perspectivas na produção de soja, em relação ao ciclo passado. “O crescimento da safra 2014/15 em relação a 2013/14 foi quase de quinze milhões de toneladas, isso gera mais empregos no campo, aumenta o volume de exportação, apesar de que em receita nós caimos, com um decréscimo de quase cinco bilhões de dólares, em função dos preços internacionais que estão mais baixos. Obviamente que a taxa de câmbio deu competitividade maior para que o Brasil pudesse exportar, e mesmo com esse excedente, em quantidade nas exportações, a receita foi menor devido ao preço ser balizado em dólar, e isso gera incertezas”, afirma o vice-presidente do CESB, Leonardo Sologuren.

Essa precaução, citada por Sologuren, junto a outros fatores, poderá proporcionar um cenário estabilidade, com comemorações mais tímidas. “Esse crescimento da produção primária, acabou impulsionando a cadeia como todo e, consequentemente, geramos mais empregos. Talvez em 2016 o saldo não seja tão positivo, já que a produção não deve crescer tanto, em função de limitantes de crédito, aumento do custo de produção e outros fatores”, enfatiza.

Na estado de Goiás, em que os números locais repetiram as taxas nacionais, com desempregos no ano passado em todos os setores, exceto no campo, o gerente de assuntos técnicos e econômicos da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado (Faeg), Edson Novaes, defende que é possível repetir o cenário de empregabilidade rural, mas isso dependerá da parceria público-privada. “Este ano será desafiador, pela questão cambial, taxas elevadas e demanda reprimida. Mantermos os empregos no campo, já será uma vitória, mas para isso será necessário que tanto o Governo Federal, quanto Estadual, cumpram com o papel de incentivar o setor, sem elevação da carga tributária, apoio logístico e assistência técnica. Assim como em Goiás, as Federações dos outros estados terão papel fundamental na formação de mão de obra e na manutenção dos empregos”, acredita Novaes.

As quase 10 mil contratações em 2015 pelo agronegócio brasileiro, foram motivadas pelos elevados números da produção agropecuária e a participação do agro na balança comercial, segundo o Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa).

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