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Embrapa apresenta tecnologias de ponta no SuperAgro

  • 14/01/2016 |
  • Lebna Landgraf

Algumas das principais tecnologias para produção de soja serão debatidas pela Embrapa Soja com os participantes do SuperAgro, evento técnico promovido pelo Agro100, de 19 a 21 de janeiro de 2016, em Londrina (PR). No espaço de Ciência e Tecnologia, a Embrapa, o Instituto Agronômico do Paraná e Universidade Estadual de Londrina irão apresentar os avanços da pesquisa para técnicos e produtores.

Com foco nas demandas dos setores produtivos, a Embrapa mantem programas de melhoramento genético para o desenvolvimento de soja convencional e transgênica. O chefe-geral da Embrapa Soja, José Renato Bouças Farias, destaca que com o lançamento das cultivares IPRO e da soja Cultivance, a Embrapa passou a ter o mais completo portifólio de cultivares para a soja. "Isso garante aos produtores diferentes soluções competitivas e opções que melhor se adequem ao seu sistema produtivo", enfatiza Farias.

O programa de melhoramento genético da Embrapa tem 40 anos e é reconhecido pela expertise em tecnologia para regiões tropicais, o que traz embutidas características como alto potencial produtivo, estabilidade para diferentes regiões e garantia de qualidade fitossanitária. "Estamos associando a confiabilidade e a segurança da tradição com as vantagens da modernidade para que o produtor brasileiro seja mais competitivo no mercado internacional", avalia Farias. "Nosso foco é oferecer alternativas que aumentem a rentabilidade do produtor e garanta menor impacto ao ambiente", destaca. Além disso, a Embrapa irá discutir alguns dos principais desafios para a cultura da soja. Os produtores rurais terão informações sobre como reduzir a compactação do solo e ampliar a matéria orgânica com um bom manejo de solo e a utilização de plantas como crotalária e braquiária. Os pesquisadores Henrique Debiase e Júlio Franchini irão ministrar palestra sobre o tema nos três dias de evento. O Iapar irá demonstrar a utilização de braquiária consorciada com milho.

Também merece destaque o debate sobre refúgio em áreas de adoção da tecnologia Intacta. A tecnologia, ao mesmo tempo em que confere proteção a algumas espécies de lagartas, também pode, a longo prazo, selecionar insetos resistentes, afirma Daniel Sosa Gómez, da Embrapa Soja. Por isso, a Embrapa defende a manutenção de um Programa de Manejo Responsável no campo que envolve a adoção de práticas de manejo sustentável. Entre as diversas medidas, recomenda-se o cultivo de área de refúgio: percentagem da área (no mesmo talhão) com a mesma cultura não-Bt. O objetivo é manter a população de insetos suscetíveis à toxina para que haja o acasalamento com os indivíduos potencialmente resistentes - provenientes das áreas com plantas Bt - retardando, assim, a seleção de insetos resistentes à tecnologia.

Outro tema relevante para ser discutido com os produtores é Fixação Biológica do Nitrogênio, que é um processo que substitui o uso de adubos nitrogenados nas lavouras de soja. A pesquisadora Mariangela Hungria explica que para produzir 1 tonelada de soja são necessários cerca de 80 kg de nitrogênio. Esse nutriente é o mais requerido pela cultura e pode ser obtido gratuitamente na natureza, por meio de algumas bactérias do gênero Bradyrhizobium (risóbios). De acordo com a pesquisadora, essas bactérias são capazes de capturar o nitrogênio da atmosfera e transformá-lo em fertilizante para as plantas. A fixação biológica do nitrogênio dispensa a utilização de fertilizantes nitrogenados; produtos que além de aumentar os custos de produção, podem ser prejudiciais ao ambiente. Estimativas indicam que a não utilização destes adubos, em 30 milhões de hectares de soja no Brasil, resulta em uma economia de US$ 12 bilhões por ano.

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