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Embrapa indica copas e porta-enxertos para citricultores do norte da Bahia

  • 22/02/2016 |
  • Ivan Marinovic Brscan

Foto: Ivan Marinovic Brscan - Citricultores de Rio Real (BA) conheceram os porta-enxertos e copas em pesquisa na Embrapa

A Embrapa Tabuleiros Costeiros apresentou indicativos promissores de variedades de copas e porta-enxertos de citros para produtores de Sergipe e norte da Bahia.

Para entender melhor, os citros (laranja, limão, tangerina, etc ) cultivados comercialmente passam por um processo chamado de enxertia que consiste em incrustar uma pequena brotação de uma cultivar de citros de interesse, denominada cultivar copa, em uma muda de citros com maior vigor (menos susceptível às doença) chamada de porta-enxerto.

Em um dia de campo no campo experimental da Embrapa Tabuleiros Costeiros, dia 17 de fevereiro último, o pesquisador Hélio Wilson mostrou aos citricultores, engenheiros agrônomos e consultores de Rio Real (Bahia) os resultados de pesquisas de copas e porta-enxertos apropriadas para a região.

Dentre as copas pesquisadas destacaram-se as laranjeiras doces, a limeira ácida Tahiti, tangerineiras, tangeleiro Piemonte entre outras cultivares. Já os porta-enxertos, os estudos recomendam a tangerineira Sunki Tropical e os citrandarins Índio, Riversidade e Sandiego. Tais conclusões se basearam nos estudos de combinações de mais de 220 copas e porta-enxertos de citros realizadas no campo experimental de Umbaúba.

De acordo com pesquisas, um bom porta-enxerto deve reunir as características como produção de sementes com alta taxa de poliembrionia, elevado número de sementes por fruto, capacidade de adaptação às condições de clima e solo, resistência ou tolerância a vírus e a outros organismos destrutivos (a exemplo da tristeza-dos-citros), indução de produção precoce de frutos às copas, redução do porte da combinação copa-porta-enxerto, compatibilidade com copas de alta produtividade, tolerância à seca, ao alumínio, à salinidade, ao frio (geadas), indução de produção de frutos de boa qualidade, determinação de longevidade à combinação copa-porta-enxerto, alta eficiência no aproveitamento de fertilizantes e indução de alta eficiência produtiva.

Os pomares sergipanos, com poucas exceções, baseiam-se no uso da combinação laranjeira pera e limoeiro cravo situação comum na região dos Tabuleiros Costeiros baianos e sergipanos, verificando-se em Sergipe também o emprego do limoeiro rugoso, muito utilizado no passado, mas aos poucos substituído pelo limoeiro cravo.

"Embora essas combinações tenham alcançado resultados significativos em termos produtivos, a concentração dos pomares sergipanos quase que exclusivamente em uma única variedade de laranja, demonstra uma vulnerabilidade considerável em termos sustentáveis", afirma o pesquisador Hélio Wilson.

"Antes, havia um determinado adensamento, depois mudou. Utilizava apenas o porta-exerto cravo, com risco de haver uma praga e doença e dizimar toda a plantação. Hoje, tem pesquisa que determina as variedades e manejo apropriados para a região", comemora o técnico agropecuário Antonio Luiz, conhecido em Rio Real como Mineiro.

"A tecnologia só vem ajudar desde que se saiba utilizá-la. Uma das piores coisas é o produtor plantar às escuras. Planta-se um material em um determinado espaçamento e depois se descobre que tanto a variedade e espaçamento não eram adequados. E ai o prejuízo é grande", disse o citricultor e empresário Jose Geraldo Revoredo que desde 2002 presta serviços de assistência técnica em Rio Real.

Além disso, a colheita é concentrada em determinadas épocas, o que ocasiona dificuldades para encontrar mão-de-obra durante a colheita além dos baixos preços em função da concentração da produção, refletindo em problemas econômicos na condução do pomar.

A região Nordeste do Brasil responde por aproximadamente 10% da produção nacional de citros, a segunda maior região produtora do país, com 121 mil hectares de área colhida, produzindo 1, 8 milhão de toneladas de frutas, com rendimento médio de 15,3 toneladas/hectare, segundo dados do IBGE de 2014. Dentre os estados nordestinos produtores, o destaque fica com a Bahia e Sergipe, com 90% de toda área plantada, ou seja, com 68,8 mil e 57,6 mil hectares plantados, respectivamente.

O estado de Sergipe é considerado o quarto produtor de citros do Brasil, com uma produção de aproximadamente 840 mil toneladas de citros. Esses pomares estão concentrados em aproximadamente 11 mil estabelecimentos agropecuários, a maioria de base familiar, localizados predominantemente no Sul do estado, na região dos Tabuleiros Costeiros, ocupando uma área de 5,4 mil Km2, compreendendo os municípios de Arauá, Boquim, Cristinápolis, Estância, Indiaroba, Itaporanga d´ajuda, Itabaianinha (principal município produtor), Lagarto, Pedrinhas, Riachão do Dantas, Salgado, Tomar do Geru, Umbaúba e Santa Luzia do Itanhy.

Considerando a área contígua da região Norte da Bahia com o pólo citrícola de Sul de Sergipe, constituem possivelmente o maior área cultivada de toda a citricultura tropical do mundo. Dentre as propriedades citrícolas deste estado, mais de 80% possuem área inferior a 10 ha, predominando o cultivo de base familiar e o vínculo de milhares de pessoas direta e indiretamente ao setor citrícola, representando um forte apelo sócio econômico.

A cultura do citros se destaca como um dos principais produtos agrícolas do estado, ao redor de 3% do PIB do Estado, sendo o suco principal produto exportado. Apesar de a citricultura sergipana responder por posição de destaque no cenário citrícola brasileiro, a produção de citros vem passando por períodos de dificuldades, atribuídos majoritariamente a saturação de mercado, períodos de seca, produtividade e longevidade dos pomares, que acabam por descapitalizar principalmente os pequenos produtores, que perdem poder de investimento em tecnologia de produção.

A média de produtividade de citros na região esta próximo das 14t/ha. Contudo, há pomares conduzidos com tecnologia adequadas, sem irrigação, produzindo entre 35 a 40 toneladas por hectare e vida útil que varia entre 12 a 20 anos.

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