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Estudo aponta porta-enxertos alternativos para a citricultura na região norte do Estado de São Paulo

  • 26/10/2015 |
  • Caio Albuquerque
Em 2001, com a constatação da doença morte súbita dos citros (MSC), o limoeiro ‘Cravo’ (Citrus limonia Osbeck), um dos principais porta-enxertos da citricultura brasileira, mostrou-se suscetível à doença. “A utilização de porta-enxertos tolerantes à MSC no cultivo de laranjeiras doces (C. sinensis (L.) Osbeck), até o momento, é a medida de manejo mais indicada”, comenta o engenheiro agrônomo André Luiz Fadel, autor de um estudo desenvolvido no Programa de Pós-graduação em Fitotecnia, na Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (USP/ESALQ).

O estudo avaliou o desempenho horticultural de laranjeira ‘Valência’ sobre onze porta-enxertos na região norte do Estado de São Paulo, uma vez que os porta-enxertos podem apresentar baixa tolerância à seca, inviabilizando o cultivo sem irrigação nas regiões norte e noroeste do Estado de São Paulo. “Tais regiões apresentam baixa disponibilidade hídrica no solo e altas temperaturas em determinadas épocas do ano”. Assim, considerando a necessidade de cultivo de espécies mais eficientes na produção e qualidade dos frutos de laranja doce, a proposta inicial do trabalho de pesquisa, que foi orientado pelo professor Francisco de Assis Alves Mourão Filho, do Departamento de Produção Vegetal da ESALQ, foi buscar espécies/seleções de porta-enxertos alternativas em relação ao uso do limoeiro ‘Cravo’ para a produção de laranja ‘Valência’ na região norte do Estado de São Paulo.

O objetivo do trabalho, que teve co-orientação de Eduardo Sanches Stuchi, pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura, foi determinar o desempenho da laranjeira ‘Valência’ (C. sinensis (L.) Osbeck) sobre onze porta-enxertos na região norte do Estado de São Paulo, baseando-se nas características de produção e qualidade de fruto, desenvolvimento das plantas, tolerância à MSC e à seca.

O experimento foi desenvolvido na Fazenda Muriti, pertencente à Citrosuco S.A. Agroindústria, município de Colômbia (SP). “Os diferentes tipos porta-enxerto avaliados são oriundos de um trabalho de melhoramento genético iniciado nos anos de 1980 pela Embrapa Mandioca e Fruticultura, de seleções introduzidas de trabalhos anteriores de melhoramento na Estação Experimental de Citricultura de Bebedouro (EECB) e outras, desenvolvidas na ESALQ”, explica o autor. As diferentes combinações copa/porta-enxerto foram implantadas em 2007 e o acompanhamento do desempenho horticultural destas árvores se estendeu por, pelo menos, seis safras agrícolas.

Resultados

Entre os diferentes porta-enxertos avaliados, os híbridos tangerina ‘Sunki’ x Poncirus trifoliata ‘English’ (Citrus sunki (Hayata) hort. ex Tanaka x Poncirus trifoliata (L.) Raf) e citrange ‘C-13’ “S” (Citrus sinensis (L). Osbeck x Poncirus trifoliata (L.) Raf.) apresentaram potencial para o cultivo de laranjeira ‘Valência’ na região norte do Estado de São Paulo como alternativa ao limoeiro ‘Cravo’.

“Os resultados obtidos nesta pesquisa poderão contribuir para a definição de um novo padrão de distribuição de combinações copa/porta-enxerto de citros na região norte do Estado de São Paulo. Tais combinações poderão reunir características desejáveis para produção sustentável naquela região, incluindo alta produtividade e qualidade de frutos, tolerância à seca e à MSC”, finaliza.

Para sua execução, o projeto contou com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Citrosuco S.A. Agroindústria.

Foto: André Luiz Fadel ver mais notícias