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Evento em Cruz das Almas discutiu sanidade de fruteiras

  • 23/10/2015 |
  • Alessandra Vale e Léa Cunha
Realizado pela Embrapa Mandioca e Fruticultura (Cruz das Almas, BA), Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Sociedade Brasileira de Fruticultura (SBF) e Agência Estadual de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), aconteceu de 13 a 16 de outubro o III Simpósio Internacional de Fruticultura – Sinfrut 2015.

Cerca de 140 pessoas lotaram o centro de convenções do Hotel Deville Prime, em Salvador (BA), nos três dias do simpósio (o último foi preenchido pela viagem a Cruz das Almas, para a visita técnica). O evento teve o patrocínio do Instituto Biofábrica de Cacau, Sítio Barreiras, Monsanto, Sociedade Brasileira de Defesa Agropecuária (SBDA), Campo Biotecnologia Vegetal, Agropec Consultoria, Moscamed Brasil e Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-BA).

O público foi recepcionado pelo chefe-geral Domingo Haroldo Reinhardt, presidente da comissão organizadora, e compuseram a mesa de abertura, além de Haroldo, João Claudio Bacelar (Superintendência Federal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento – SFA-BA), Abel Rebouças (SBF), Paulo Emilio Torres (SBDA), Armando Sá (Adab) e Raul Magno (Senar).

Esses dirigentes destacaram a importância social e econômica da fruticultura, segmento agrícola que dá emprego a mais de cinco milhões de pessoas, o que representa mais de 30% dos empregos oferecidos na agricultura brasileira, e que coloca na mesa dos consumidores brasileiros uma grande diversidade de frutas de boa qualidade durante todas as estações do ano. “E também contribui para a obtenção de divisas pelo país com exportações de sucos e de frutas frescas no valor de cerca de US$ 3 bilhões de dólares por ano”, acrescentou Haroldo.

Apresentações
Nos três dias em Salvador, foi cumprida intensa programação técnico-científica, com a participação de cientistas nacionais e internacionais. Foi ainda enfatizado que as pragas representam um dos principais fatores de perda na produção e comercialização de frutas no Brasil, além de contribuírem para aumentar os custos de produção das principais frutas. Além das pragas já presentes nas plantações pelo país, há a ameaça de outras, chamadas de quarentenárias, muitas vezes ainda mais destrutivas, serem introduzidas no país ou, se já estiverem presentes em alguma região, de serem disseminadas para as demais zonas produtoras.

“O evento foi um sucesso. Todos os painéis cumpriram seu objetivo, cada um com um tema específico, com um público diversificado, envolvendo estudantes, pesquisadores, professores e fiscais da defesa”, avaliou o pesquisador Francisco Laranjeira, presidente da comissão científica do Sinfrut. Pelo caráter internacional, ele destacou a participação dos convidados de outros países. “Por exemplo, José Ricardo Liberato, da Austrália, falou sobre o serviço de quarentena e defesa vegetal naquele país. Houve também as apresentações de Stephen Parnell, que deu uma ideia para o público brasileiro, que não está acostumado com isso, do uso da matemática aplicada à fitossanidade, e de Gustavo Mora-Aguilera, que falou como usar técnicas de estatística ou de matemática junto com os trabalhos de campo, associando as técnicas com o estudo da biologia dos organismos para promover melhor defesa vegetal.”

Laranjeira diz ainda que há expectativa de se estabelecer novas parcerias. José Ricardo e Gustavo Mora, por exemplo, permanecem mais uma semana na Embrapa Mandioca e Fruticultura para conhecer melhor os trabalhos desenvolvidos na área de fitossanidade.

Trabalhos
O simpósio deu oportunidade para a apresentação de 17 conferências e palestras integrando painéis que trataram, em sequência, de métodos de diagnose e detecção de pragas quarentenárias, da análise de riscos e a sua modelagem, o melhoramento genético preventivo — obter variedades com resistência às pragas quarentenárias antes da sua introdução no país ou em uma nova região produtora — e os planos de mitigação de riscos e contingência.

Além disso, esses temas foram complementados pela apresentação de 70 trabalhos sob a forma de pôster, demonstrando a ênfase que já está sendo dada a essa temática pelos órgãos de pesquisa, como a Embrapa, e pelas instituições de ensino superior.

Entre outras pragas, foram focos de debates o HLB dos citros, a fusariose e a Sigatoka-negra da bananeira, a monilíase do cacaueiro, as moscas-das-frutas, o mal de Pierce da videira, o amarelecimento letal do coqueiro, além da bioprospecção de agentes de controle de pragas de fruteiras. Os participantes também puderam conhecer um dos mais avançados sistemas de quarentena vegetal no mundo, o da Austrália, país continente e com grande extensão territorial inserida nos trópicos, portanto com similaridades em relação ao Brasil.

“O simpósio certamente deixará lições que deverão ser aproveitadas pelas autoridades federais e estaduais de defesa agropecuária do Brasil. Entre outras, ficou mais uma vez evidente que a construção de conhecimento sólido por meio de uma extensa rede nacional e internacional de pesquisa, desenvolvimento e inovação é fundamental para a elaboração de instruções normativas coerentes e atualizadas e para aumentar a eficácia, eficiência e efetividade das medidas de prevenção e controle de pragas quarentenárias”, afirmou Haroldo.

Importância do evento
De acordo com Antonio Lopes, fiscal estadual agropecuário da Adab em Itaberaba (BA), o simpósio foi importante para saber como outros países estão elaborando a sua forma de defesa. “Hoje em dia, com a globalização, a disseminação de pragas está numa velocidade assustadora. O Brasil tem uma área territorial muito grande, nosso risco é potencial. Quando surge uma praga, nós nos preocupamos em localizar o mais precocemente possível para fazer as medidas emergenciais necessárias”, explica.

Para a bióloga Indiara Pereira, estudante de mestrado em Microbiologia Agrícola na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), o evento foi proveitoso. “Esse tema é importante porque aumenta bastante o nosso conhecimento na questão de métodos do que deve ser aplicado aqui no Brasil. É interessante do ponto de vista que você consegue compreender uma praga, um patógeno, tanto no tempo como no espaço. Há formas de você enxergar melhor, de fazer o controle daquela praga, daquela doença e fazer um manejo e assim não ter tantas perdas na agricultura”, afirma.

Karina Gramacho, pesquisadora da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac) e palestrante no evento, destacou a presença dos representantes das principais instituições e órgãos da agricultura da Bahia e do país. “Estamos tratando de pragas quarentenárias, que ameaçam cultivos de importância econômica, como os citros e o cacaueiro. Então é uma oportunidade de tentar conscientizar esses dirigentes para fortalecer a legalização e que eles conheçam melhor a praga”.
Fábio Albuquerque, diretor do Sítio Barreiras, expositor no evento e parceiro da Embrapa, mostrou-se satisfeito. “Para termos segurança, precisamos ter conhecimento do que está acontecendo hoje no mundo em relação à sanidade da banana, como o que pode vir a acontecer e temos que nos prevenir”.

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