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Laboratório de Biotecnologia Vegetal da UPF recebe novo credenciamento do MAPA

  • 13/11/2015 |
  • UPF / Foto: Gelsoli Casagrande

Produção de batata-semente utiliza técnica de micropropagação e mudas são produzidas pelo processo de cultivo in vitro de ápices caulinares

Como espaço de desenvolvimento de pesquisas e produtos de várias espécies vegetais, utilizando técnicas de cultura de tecidos, citogenéticas e moleculares, o Laboratório de Biotecnologia Vegetal da Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária da Universidade de Passo Fundo (FAMV/UPF), que já está credenciado há vários anos junto ao Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) como mantenedor de várias cultivares de batata, agora alcança outro importante credenciamento: o Registro Nacional de Sementes e Mudas do MAPA.

O credenciamento habilita para que a Fundação Universidade de Passo Fundo (FUPF), por meio do Laboratório de Biotecnologia Vegetal, possa ser certificadora da produção própria de sementes e mudas de batata. A professora e engenheira agrônoma Dra. Lizete Augustin é a responsável técnica por essa produção e, segundo ela, o laboratório produz semente básica de batata, como a Asterix, um material de origem holandesa. “Essa cultivar é a batata de casca rosa mais consumida no Rio Grande do Sul”, comenta ela.

Por ser mantenedor de cultivares, o Laboratório de Biotecnologia Vegetal conserva a identidade genética de cultivares em seu banco de sementes, garantindo a perpetuação destas. De acordo com a professora Lizete, as novas legislações do MAPA em relação à produção de sementes e mudas de batata exigiam o credenciamento da FUPF como certificadora da própria produção. “Com isso, o laboratório pode fornecer a documentação para os produtores de batata-semente básica que adquirem as mudas e tubérculos produzidos no laboratório inscrever seus campos de produção junto ao MAPA”, explica.

Credenciamento

Para a professora Lizete, o credenciamento foi fundamental. “Em caso da impossibilidade do fornecimento da documentação para os produtores, esse trabalho, iniciado há 25 anos, não poderia continuar”, declara ela, explicando que os produtores de batata-semente, principalmente dos municípios produtores mais próximos de Passo Fundo, como Ibiraiaras, seriam os mais prejudicados, tendo em vista que não teriam alternativa para a aquisição de mudas ou tubérculos da geração G0 de algumas das variedades mais cultivadas no estado. “No Rio Grande do Sul, somente a FUPF possui esse credenciamento para produção de batata-semente por micropropagação”, esclarece.

Conforme a responsável técnica do Laboratório de Biotecnologia Vegetal, a produção de batata-semente tem permitido que o produtor tenha um aumento da produtividade da cultura, uma vez que a aquisição de tubérculos-semente isentos das principais viroses que ocorrem na cultura da batata permite que estes originem plantas que expressarão todo o seu potencial genético de produção. “Esse trabalho, que é realizado na UPF, permite a obtenção de plantas com melhor qualidade fitossanitária e maior uniformidade, diminuindo a necessidade de importação de batata-semente, o que reflete em redução dos custos de produção da cultura”, garante a professora Lizete.

Batata

A batata (Solanum tuberosum L.) é considerada a terceira fonte alimentar da humanidade, sendo suplantada só pelo arroz e trigo. De acordo com a professora Lizete, algumas características justificam a batata como um alimento imprescindível à humanidade, é um alimento saudável por ser fonte de nutrientes de boa qualidade, de vitaminas, principalmente vitamina C e apresenta uma grande versatilidade gastronômica e tecnológica. Segundo ela, em alguns países como a China e a Índia, onde vivem mais de 35% da população mundial, os governos consideram a cadeia da batata como uma das prioridades máximas para combater a fome, gerar empregos, desestimular o êxodo rural e proporcionar a sustentabilidade da agricultura familiar.

Laboratório de Biotecnologia

A criação do laboratório na UPF se deu com recursos recebidos em 1990, da Secretaria de Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul - Polo de Desenvolvimento Tecnológico, para o projeto “Produção de Batata-semente utilizando a técnica de micropropagação. Como explica a responsável técnica, o projeto sempre teve como meta principal fornecer batata-semente básica G0, de boa qualidade, livres de vírus, aos produtores da região. “As mudas de batata estão sendo produzidas pelo processo de cultivo in vitro de ápices caulinares, os quais caracterizam-se por serem tecidos estáveis e não contaminados por vírus, mesmo quando isolados de uma planta matriz contaminada”, informa a professora Lizete.

Segundo ela, a batata-semente que o laboratório produz é repassada aos produtores na forma de mini-tubérculos ou na forma de mudas, sendo estas últimas repassadas a produtores que possuem estufas para produção de batata-semente por hidroponia. Atualmente, além da professora Lizete, atuam em pesquisa no Laboratório de Biotecnologia Vegetal a professora Magali Ferrari Grando, a engenheira agrônoma Marilei Suzin e o técnico do laboratório Clarício Machado dos Santos.

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