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Mariangela Hungria vence Prêmio Cláudia

  • 08/10/2015 |
  • Lebna Landgraf
A pesquisadora da Embrapa Mariangela Hungria venceu o Prêmio Cláudia 2015, na categoria Ciência, por sua contribuição científica em fixação biológica do nitrogênio, uma tecnologia sustentável que faz com que a cultura da soja tenha uma economia estimada em 12 bilhões de dólares por ano. Mariangela é pesquisadora da Embrapa desde 1982 e está lotada na Embrapa Soja, desde 1991.

Mariangela teve mais de 400 mil votos pela internet. Ao receber o Prêmio, Mariangela agradeceu à Embrapa e a todos os agricultores. "Agora eu tenho um projeto conhecido no mundo todo e eu tenho muito orgulho disso, pois a nossa agricultura é a melhor do mundo. Eu trabalho para que pelo ou menos as famílias possam ter uma refeição decente na mesa. E tenho muito orgulho disso!", disse ela ao receber o prêmio. E completou: "Estou muito emocionada pelo reconhecimento, pela popularização da ciência e por conseguir transmitir um pouco mais do meu trabalho".

Para conhecer a dimensão do seu trabalho, a pesquisadora explica que para produzir 1 tonelada de soja são necessários cerca de 80 kg de nitrogênio. Esse nutriente é o mais requerido pela cultura e pode ser obtido gratuitamente na natureza, por meio de algumas bactérias do gênero Bradyrhizobium (risóbios). De acordo com a pesquisadora, essas bactérias são capazes de capturar o nitrogênio da atmosfera e transformá-lo em fertilizante para as plantas. A fixação biológica do nitrogênio dispensa a utilização de fertilizantes nitrogenados; produtos que além de aumentar os custos de produção, podem ser prejudiciais ao ambiente.

Além dos trabalhos com rizóbios em soja, Mariangela também já coordenou pesquisas que culminaram com o lançamento outras tecnologias: autorização/recomendação de bactérias (rizóbios) para a cultura do feijoeiro, Azospirillum para as culturas do milho e o trigo e coinoculação de rizóbios e Azospirillum para as culturas da soja e do feijoeiro. A pesquisadora trabalha com várias parcerias privadas no desenvolvimento de novos inoculantes e já tem vários produtos registrados e comercializados. Vale destacar ainda os esforços das equipes de laboratório e de campo experimental que são envolvidas no processo de pesquisa e que também contribuem para o alcance dos resultados.

Entre as linhas de pesquisa em que Mariangela atua estão os aspectos agronômicos da fixação biológica do nitrogênio, biodiversidade microbiana; microbiologia do solo; bactérias promotoras do crescimento de plantas; inoculantes microbianos; entre outros. A pesquisadora da Embrapa tem mais de 700 publicações (trabalhos, livros, capítulos de livros, publicações técnicas)

Currículo

Mariangela possui graduação em Engenharia Agronômica (USP), mestrado em Solos e Nutrição de Plantas (USP – ESALQ), doutorado em Agronomia (UFRRJ) e pós-graduação em três universidades: Cornell University, University of California e Universidade de Sevilla. A pesquisadora foi representante da área ambiental e do solo da Sociedade Brasileira de Microbiologia por 20 anos e é representante brasileira na rede de biofertilizantes ibero-americana BIOFAG. Além disso, é presidente e presidente da RELARE (Reunião da Rede de Laboratórios para a Recomendação, Padronização e Difusão de Tecnologia de Inoculantes Microbianos de Interesse Agrícola). Atualmente é consultora da Fundação Bill & Melinda Gates para projetos de fixação biológica do nitrogênio na África, bem como de projetos na Argentina e no Peru e tem projetos em colaboração com a Espanha, Austrália, França.

Reconhecimento

Desde 2008, Mariangela é membro titular da Academia Brasileira de Ciências. No mesmo ano recebeu o título de Comendador da Ordem Nacional do Mérito Científico da Presidência da República pela contribuição na área de Ciências Agrárias. Em 2010 recebeu o trofeu Glaci Zancan Mulheres de Ciência do Paraná e o prêmio Honorary Scientist & Advisor on Agricultural Green Technology do Rural Development Administration (RDA), da República da Coreia. Em 2012 recebeu o prêmio Frederico de Menezes Veiga, da Embrapa, sobre o tema Agricultura na Economia de Baixa Emissão por seus trabalhos em fixação biológica do nitrogênio.

Prêmio Cláudia

O Prêmio Claudia teve sua primeira edição em 1996 com o objetivo de descobrir e destacar mulheres competentes, talentosas, inovadoras e empenhadas em construir um Brasil melhor. A seleção das finalistas começa no mês de janeiro, quando a equipe do Prêmio Claudia convida personalidades (cientistas, acadêmicos, empreendedores sociais, empresários, políticos, escritores renomados e cineastas) para indicar suas candidatas. Dessa troca de informações, são selecionadas 250 mulheres atuantes em seis categorias: Ciências, Políticas Públicas, Cultura, Negócios, Trabalho Social e Revelação. Depois de uma pesquisa sobre as grandes realizações dos nomes sugeridos, são definidas três finalistas por categoria. O júri do Prêmio Claudia é formado pelas leitoras (que podem votar pelo site a partir de agosto), pela direção da revista Claudia e por uma comissão de dez personalidades. A pesquisadora Johanna Döbereiner venceu o Prêmio Cláudia, na categoria Ciência, em 1996. Também foram finalistas do Prêmio Cláudia, as pesquisadoras da Embrapa Tatiana Deane de Abreu Sá (2003) e Maria Pinheiro (2006) ver mais notícias