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Palhada minimiza perdas pela falta de chuva em Mato Grosso

Na imagem, duas lavouras vizinhas em Sinop; ambas as fotos tiradas em 18/12/15

As lavouras de soja semeadas sob quantidade suficiente de palhada deverão sentir menos os efeitos da falta de chuva em Mato Grosso. Com os índices pluviométricos em cerca de um terço da média histórica para o período, as consequências da falta de cobertura do solo são visíveis na comparação entre lavouras da região.

Em algumas áreas sem palhada produtores já tiveram de replantar a soja e em outras estão vendo sérios danos no estande de plantas e na florada. Já em áreas com palhada de milho ou de braquiária, a soja tem conseguido se desenvolver melhor.

De acordo com o pesquisador da Embrapa Agrossilvipastoril Sílvio Spera, além de proteger o solo da erosão, evitar a compactação e fornecer maior aporte de matéria orgânica, a palhada reduz a temperatura do solo. Com isso, a planta se desenvolve melhor e as raízes absorvem mais água e nutrientes. Outra vantagem é a menor evapotranspiração, mantendo o solo mais úmido.

O pesquisador Ciro Magalhães destaca ainda o papel da palhada na retenção de água e no aumento da infiltração.

"Tendo palha, vai ter mais rugosidade na superfície e isso dificulta o escoamento da água. Ela tem mais tempo para infiltrar. Sem essa palha fica mais fácil a perda da água", explica.

Efeitos mais benéficos são percebidos em áreas com rotação de culturas. Em sistemas com soja sucedida pelo consórcio de milho e braquiária, o aporte anual é de cerca de 13 toneladas de palhada por hectare. A sucessão soja milho, mais comum na região, aporta 10 toneladas. Já sistemas de soja e algodão acumulam aproximadamente 5 toneladas por hectare. O mínimo recomendado pelo manejo conservacionista é de 10 toneladas somando-se safra e safrinha.

Além da quantidade de palhada no solo, outro fator com grande influência na manutenção da água é o tipo de solo, uma vez que os solos argilosos retém maior quantidade de água do que solos mais arenosos.

Queda na produção

De acordo com levantamento feito pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), 20% da área semeada com soja em Mato Grosso está em situação péssima e 23% em situação ruim devido á falta de chuva. A situação mais preocupante é nas regiões nordeste e médio-norte do estado, onde 70% e 53% das lavouras, respectivamente, estão em situação ruim ou péssima.

Dados da estação meteorológica da Embrapa Agrossilvipastoril, em Sinop, na região médio-norte, mostram que no período de 15 de setembro, data em que terminou o vazio sanitário da soja, até 17 de dezembro, a chuva acumulada foi de 264 mm. No mesmo período em 2013, por exemplo, o volume acumulado era de 704 mm.

Na última semana, o Imea já havia reduzido em 1 milhão de toneladas a estimativa de produção de soja em Mato Grosso. A previsão atual é de colheita de 28 milhões de toneladas, porém esse número ainda pode sofrer alterações de acordo com as condições climáticas.

O pesquisador da Embrapa Agrossilvipastoril Auster Farias explica que a cultura da soja precisa de água em três momentos principais. O primeiro é no estabelecimento da lavoura, que afeta a formação do estande de plantas. O segundo é na floração e o terceiro no enchimento de grãos. Em muitas lavouras, a seca já afetou as duas primeiras etapas.

"Se não chover na floração ocorre o abortamento de flores, então vai formar menor número de vagens. Outra fase muito determinante é o enchimento de grãos. Logo, se tiver seca também no enchimento de grãos, a produção pode ser ainda menor. A safra ainda vai ser determinada pelas chuvas na fase de enchimento de grãos", alerta o pesquisador.

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