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Porque investir na formação de palhada para o plantio direto?

Foto: Divulgação

Nos últimos anos, os produtores rurais brasileiros tem enfrentado um novo desafio para a produção. Ele tem se mostrado muito mais severo do que as dificuldades de logística, do que o surgimento de novas pragas e doenças ou do que a resistência de plantas daninhas. É notável a intensificação das intempéries climáticas, especialmente, a ocorrência de chuvas torrenciais, em curto espaço de tempo, e de veranicos prolongados, os quais têm causado sérios prejuízos à produção no Cerrado.

E o que os produtores podem fazer para minimizar os riscos de prejuízos causados por esses fenômenos climáticos? Podem e devem contratar um seguro rural cuja cobertura possa garantir a indenização de perdas de produção e/ou podem investir na eficiência e eficácia dos fatores de produção.

Então quais fatores de produção estão ao alcance dos produtores e podem ser mais facilmente controlados? Vale lembrar que o solo é a base para toda a sua produção e é também o maior patrimônio do produtor. Por isso, é fundamental investir na construção de ambientes produtivos e sustentáveis, isto é, na fertilidade do solo, que no conceito atual é proporcionada pela fertilidade química, física e biológica.

A fertilidade química é condicionada pela ausência de acidez e de alumínio tóxico e pelos níveis de disponibilidade de nutrientes no solo e depende basicamente da aplicação de corretivos (calcário e gesso) e de fertilizantes.

Deve-se buscar a construção do perfil do solo, isto é, a correção e a fertilização do solo em camadas mais profundas, ou seja, ir além da camada de 0 a 20 cm, tradicionalmente conhecida como camada arável. Dessa forma, as raízes das plantas cultivadas podem explorar maior volume de solo, em especial, nas camadas mais profundas e absorver mais nutrientes e água, conferindo maior produtividade e maior tolerância aos estresses hídricos, mais conhecidos como veranicos.

A fertilidade física é proporcionada pela agregação (força de ligação entre as partículas componentes do solo) e estruturação (união de partículas formando grânulos), sendo características expressas pela densidade e pela porosidade, isto é, o solo deve estar bem arejado, sem camadas adensadas e/ou compactadas, permitindo o crescimento das raízes, facilitando a infiltração e o armazenamento da água das chuvas.

A fertilidade biológica é proporcionada pela atividade biológica decorrente da presença e ação intensa da fauna e da flora do solo, em especial de microorganismos que atuam na decomposição da matéria orgânica originada da palhada e das raízes mortas.

A rotação de culturas, a diversificação de espécies e a formação de palhada com o uso de plantas produtoras de grande volume de biomassa, como, por exemplo, as braquiárias possibilitam a ciclagem de nutrientes, isto é, a absorção de nutrientes distintos, em diferentes profundidades e a sua liberação na superfície do solo através da decomposição da palhada. A palhada também funciona com um guarda-chuva, protegendo o solo da ação direta das gotas de água das chuvas, evitando a erosão e da ação direta dos raios solares, evitando a perda de umidade do solo.

A utilização do plantio das culturas de verão, principalmente, o milho, seja safra ou safrinha, consorciado com forrageiras, em especial, com as braquiárias tem se tornado um investimento de baixo custo para a melhoria da fertilidade solo, em áreas com plantio direto, conferindo maior resiliência às intempéries e possibilitando uma segunda ou até terceira safra, a “safrinha de boi”.


Plantio direto

O Sistema Plantio Direto (SPD) é uma tecnologia de agricultura conservacionista que consiste no plantio sobre os resíduos dos cultivos anteriores (palhada), sem preparo do solo e se fundamenta no revolvimento mínimo do solo, na rotação de culturas e na cobertura permanente do solo. O Sistema de Plantio Direto contribui para que o solo não seja levado pelas erosões e armazene mais nutrientes, fertilizantes e corretivos. A quantidade de matéria orgânica triplica, de uma concentração de pouco mais de 1% para acima de 3%. A viabilidade econômica do sistema se assegura no crescimento – em muitos casos na duplicação – da produção e da produtividade.

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