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Temperatura acima da média favorece temporais em áreas produtoras de cana-de-açúcar

  • 11/12/2015 |
  • Thais Brazil

Responsável por muitas das mudanças climáticas que aconteceram neste ano, o fenômeno El Niño tornou-se recentemente o vilão do açúcar, pois alterou as chuvas e as temperaturas de muitas regiões canavieiras em diversos lugares do mundo. Unindo isso ao aumento do consumo mundial do alimento, estimativas apresentadas na Câmara Setorial de Açúcar e Álcool apontam que o resultado dessa combinação poderá gerar um déficit na produção de 3,3 milhões de toneladas já na próxima safra (2015/2016).

No Brasil, o Sudeste, principal produtor da cana-de-açúcar, também sofreu impactos do fenômeno. Entretanto, o país tem grandes chances de não contribuir com déficit previsto. Isso porque a principal influência do clima na planta aconteceu em novembro (no período final da colheita), e foi provocada pelas chuvas frequentes. “O El Niño provocou um aumento na temperatura da região, mas as chuvas que foram observadas aconteceram por conta da circulação de umidade no país. Estamos na primavera e essa mudança já era esperada”, explica Alexandre Nascimento, meteorologista da Climatempo.

Mesmo prevista, as chuvas trouxeram problemas para os produtores. Ana Carolina Gomes, analista de agronegócio da FAEMG – Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais, conta que “as chuvas que caíram em novembro, nas principais regiões produtoras (Triangulo Mineiro e Alto Paranaíba), atrapalharam a colheita”, que já deveria ter sido finalizada. De acordo com a especialista, há previsão para que parte das usinas estenda o período de moagem até dezembro, deixando a cana no campo para próxima safra.

Futuras influências do El Niño no Sudeste

Mesmo com influência do El Niño nos canaviais, a preocupação dos produtores ainda recai sobre o próximo ano, quando o fenômeno, já com menor intensidade, ainda atuará sobre a região Sudeste até, pelo menos, o mês de abril.

De acordo com as previsões da Climatempo no município de Uberaba, maior produtor de cana-de-açúcar do país, as chuvas seguirão acontecendo neste mês, com possibilidades, inclusive, de novo recorde de precipitação. Mas, dificilmente, o fenômeno causará estragos em 2016. Até porque, o El Niño não atua diretamente sobre a chuva na região e, segundo a analista da FAEMG, os fatores que mais prejudicam a produção do açúcar são o excesso e a falta de chuva. “A escassez hídrica interfere, principalmente, na época do desenvolvimento. Já o excesso de chuvas gera encharcamento, o que diminui a qualidade da cana, e reduz o açúcar”, diz Ana.

O fato, no entanto, não significa que o clima será totalmente favorável à produção da cana-de-açúcar, pois o meteorologista já prevê outras mudanças. “Com a temperatura um pouco acima da média, a forma da chuva será alterada e, portanto, devem ocorrer mais temporais”, alerta Nascimento.

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