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Uso de cultivares de soja resistentes é método eficiente para o controle de nematoides

Os nematoides, microrganismos que atacam as plantas, provocam prejuízos significativos à agricultura em todo o mundo. De acordo com Carolina Deuner, doutora em fitopatologia e responsável pelo Laboratório de Nematologia da Universidade de Passo Fundo (UPF), os danos podem variar de 10% a 90%, dependendo da espécie do nematoide, população, tipo de solo e condição climática.

Segundo a pesquisadora, a maioria das plantas cultivadas pode ser atacada por nematoides. No Brasil, eles estão presentes em todas as regiões produtoras de soja, sendo o centro-oeste a região com maior incidência. “Isso se deve provavelmente ao clima mais quente e também ao plantio consecutivo de soja”, alerta a professora da UPF.

Conforme Carolina Deuner, os três métodos de controle de nematoides mais utilizados são o uso de nematicidas, a adoção de cultivares resistentes e a rotação de culturas. “Os nematicidas, além de causarem prejuízos ao meio ambiente e à saúde humana, fornecem um curto período de proteção para as plantas”, avalia a doutora em fitopatologia. Algumas práticas culturais, como a rotação de culturas, são importantes alternativas de manejo, resultando, ainda, em maior produção e renda para os agricultores. “A utilização de plantas antagônicas ou não-hospedeiras em rotação, sucessão ou plantio consorciado com outras culturas auxilia na redução populacional de nematoides fitoparasitas”, explica a professora. Além disso, algumas destas plantas são capazes de fixar nitrogênio e fornecer expressivos volumes de matéria orgânica, aumentando a atividade de fungos antagonistas e melhorando as características gerais do solo.

O uso de cultivares resistentes é analisado pela pesquisadora como uma maneira eficiente e recomendável para áreas com incidência de nematoides. “A resistência é uma característica de cultivares que não permitem ou dificultam a multiplicação do nematoide em suas raízes. Seu uso contribui para o declínio da densidade populacional desses parasitas”, informa Carolina Deuner. “No entanto, há poucos materiais resistentes disponíveis no mercado”, lamenta a fitopatologista.

A fitossanidade é um dos fatores mais importantes no momento da escolha da cultivar a ser semeada. “A questão é um item determinante na tomada de decisão do produtor, que está cada vez mais exigente nesse sentido”, afirma Marcos Gianluppi, engenheiro agrônomo da Pampa Sementes. Com atuação no Mato Grosso do Sul, a empresa sente a demanda por cultivares de soja resistentes a nematoides.

Para atingir este mercado, a Fundação Pró-Sementes dispõe de duas cultivares de soja altamente produtivas que apresentam resistência aos nematoides de galha Meloidogyne javanica e Meloidogyne incognita. Em testes realizados pelo Laboratório de Nematologia da Universidade de Passo Fundo (UPF), FPS Solar IPRO e FPS Antares RR foram avaliadas como resistentes às duas espécies.

O bom desempenho dos materiais já vem sendo observado no campo. A Pampa Sementes multiplica as duas cultivares nas cidades de Maracaju, Sidrolândia e Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul, e abastece o mercado de municípios na divisa do estado com o Mato Grosso, onde a incidência de nematoides é muito alta. “Já percebemos esta qualidade da FPS Antares RR em comparação com outros materiais”, afirma Gianluppi. De acordo com ele, a cultivar se destacou em áreas de nematoides. Agora, a sementeira aposta igualmente no lançamento FPS Solar IPRO, que também promete um bom desempenho nestas condições.

FPS Solar IPRO é uma cultivar tolerante às altas temperaturas, resistente às principais lagartas da soja e apresenta estabilidade de produção. É indicada para as regiões do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul, sendo também, a partir da safra 2016/2017, recomendada para os estados de Goiás e Minas Gerais. Já FPS Antares RR apresenta uma ampla adaptação geográfica e indicação para semeadura no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais. As duas cultivares possuem genética do Grupo Don Mario e são licenciadas exclusivamente pela Fundação Pró-Sementes.

Carolina Deuner salienta que nenhum método apresenta controle satisfatório de nematoides quando aplicado isoladamente. “A semeadura de cultivares resistentes não deve ser a única opção em razão da elevada diversidade genética dos nematoides, que podem apresentar grande variabilidade genética, proporcionando o surgimento de novas raças”, alerta a doutora em fitopatologia.

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