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Vazio sanitário e calendarização do ciclo da soja são fundamentais para sanidade da cultura

Os estados brasileiros devem harmonizar os períodos de vazio sanitário e regulamentar a calendarização do ciclo agrícola da soja no País. Esta foi a conclusão da reunião realizada nesta terça (10), em Brasília, entre o Departamento de Sanidade Vegetal (DSV) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e entidades e órgãos dos estados produtores de soja no Brasil.

 O diretor do DSV, Marcus Vinicius Segurado Coelho, afirma que ficou evidente a recomendação científica. “Agora a questão é regulamentar”. Os pesquisadores Cláudia Godoy, da Embrapa Soja, e Fabiano Siqueri, consultor técnico da Fundação Mato Grosso, alertaram para a perda significativa de eficiência dos fungicidas nos últimos anos.

 “O fungo da ferrugem asiática só sobrevive em planta viva, tem o ciclo reprodutivo muito rápido e é disseminado pelo vento. É necessário que os estados que fazem fronteira tenham períodos de vazio sanitário parecidos”, explica Cláudia Godoy. Além, disso, a especialista recomenda a utilização de cultivares precoces e com resistência.

 Os pesquisadores também concordam que calendarizar o plantio de soja significa reduzir o número de aplicações para prolongar a vida útil dos fungicidas.

 Para Luís Demant, vice-presidente do Comitê de Ação à Resistência de Fungicidas (FRAC-BR), essa questão é de segurança nacional. “Não existe horizonte de produtos com novos modos de ação para ferrugem asiática nos próximos dez anos. O risco agronômico é alto no Brasil, pois em nenhum outro lugar do mundo se planta tão grande extensão de soja ao mesmo tempo”, afirma.

 Recentemente, a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja) realizou um workshop interno para discutir exatamente a calendarização do ciclo. As opiniões dos agricultores se dividem e ainda não há um consenso formal sobre o assunto.

 As fronteiras com Bolívia e Paraguai também preocupam pesquisadores e órgãos estaduais, pois a doença não conhece estes limites. Por isso, foi criado o Grupo de Trabalho Antirresistência Latino-Americano (GTA-Latam), uma iniciativa da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja) que envolve os três países em discussões sobre o tema.

 A analista de Defesa Agrícola da Aprosoja e doutora em Fitopatologia, Alessandra Fernandes, explicou o funcionamento do grupo na reunião. Um dos objetivos é desenvolver um código de defesa fitossanitária unificado, tendo como primeira pauta a ferrugem asiática. “As pragas não reconhecem fronteiras geopolíticas, por isso o controle de pragas e doenças é um desafio para todos os países da América do Sul”, finaliza.

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