Revista Cultivar Grandes Culturas
Edição 117 | Fevereiro 2009
Índice
- Diretas
- Influência do flúor em milho
- Especial de aniversário - Dez anos de Cultivar
- Uso de 2,4-D na agricultura
- Lagarta-da-maçã em soja
- Situação da ferrugem na soja
- Plantas daninhas em cana
- Cultivo adensado em algodão
- Ferrugem em café
- Informe – Syngenta
- Coluna ANPII
- Coluna Agronegócios
- Mercado Agrícola
Especial de aniversário - Dez anos de Cultivar
Cultivar completa dez anos de trabalho focado em sanidade vegetal como importante canal de ligação entre o conhecimento técnico especializado e as propriedades agrícolas brasileiras
Em 2009 estamos em festa. Há dez anos chegava pela primeira vez às mãos dos leitores a publicação que deu origem ao Grupo Cultivar e se tornou referência obrigatória nas lavouras, escritórios de fazendas e salas de aula espalhados pelo Brasil. Criada em 1999 pelo jornalista e advogado Newton Peter e pelo entomologista e fundador da Sociedade Entomológica do Brasil (SEB) Milton Guerra, Cultivar aceitou o desafio de facilitar o acesso ao vasto conhecimento técnico acumulado pelos especialistas em sanidade vegetal.
Além de transformar informações técnicas em linguagem jornalística de fácil compreensão, outro desafio incorporado ao projeto foi a quebra de paradigmas quanto à apresentação gráfica. “Sempre acreditamos que o produtor rural merecia uma revista bonita, impressa em papel de excelente qualidade e rica em ilustrações”, explica Peter.
Dez anos de Cultivar
(Por Décio Gazzoni, colunista)
Eu me considero uma pessoa leal aos meus parceiros: este mês completo dez anos de aliança com a Cultivar, onde tenho a honra de ocupar uma coluna fixa desde a edição número 1, e 35 anos de conúbio com a Embrapa. Em 2009, também festejo 35 anos de feliz casamento com minha esposa, uma gaúcha guapa que encontrei lá no norte do Rio Grande amado. Cada parceria tem sua história. Poupo o leitor da história privada, mas arrisco revisitar o que escrevi na Cultivar nestes dez anos, que, de alguma maneira, reflete a evolução dos temas mais candentes do agronegócio neste período.
O primeiro artigo que escrevi para a revista foi para responder à pergunta “Mas o que é mesmo esta tal de ‘óemecê’, tchê?”. Nada mais emblemático, pois foi com a criação da OMC que o comércio internacional deslanchou, em particular na área agrícola. Em 1993, antes da criação da OMC, o comércio internacional representava 18% do PIB mundial. Em 2008, ascendeu a 29%. Estes 11% de acréscimo representam US$ 6 trilhões a mais, gerados na economia mundial, ou US$ 896 anuais adicionados à renda per capita, sustentando o forte crescimento econômico global que perdurou até junho de 2008 e que ajudou a diminuir a pobreza no mundo.
Dos idos de 1999, destaco um artigo sobre biotecnologia. Nele, eu suscitava dúvidas, apontava vantagens e riscos. Era o início de uma era, que se encaminha para ser dominante na produção agrícola e pecuária global. Referia que estávamos deixando a primeira onda de OGMs para ingressar em outra, com maior diversidade de características. Do meu ponto de vista, cultivares ou variedades tolerantes à seca serão dominantes, entre os cultivos anuais, até 2020.
A roda da vida
Um bilhão de pessoas e meio bilhão de toneladas depois...
(Por Vlamir Brandalizze, colunista)
Nestes últimos dez anos de colaboração, com análises e tendências de mercado, para esta importante revista do agronegócio brasileiro, em que Cultivar comemora sua primeira década (abrindo fronteiras e crescendo forte como a agricultura brasileira e mundial), escrevemos sobre cotações e tendências de consumo. Podemos apontar que houve grande evolução, porque de dez anos para cá avançamos em um bilhão de pessoas e meio bilhão de toneladas de grãos.
Passamos de uma população de 5,8 bilhões de pessoas para aproximadamente 6,8 bilhões em 2009. Junto a isso, o mundo necessitou de mais alimentos e a resposta veio em cima de tecnologias que surgem a cada dia que passa e, como todos podem comprovar, estão sendo divulgados, sistematicamente, por Cultivar. Agora, com cerca de 2,2 bilhões de toneladas de grãos colhidos nesta safra, estamos aproximadamente 500 milhões acima de pouco mais de 1,7 bilhão que era produzida há dez anos. Mesmo com forte avanço na produção, que neste período evoluiu muito mais que nos 20 anos anteriores, não estamos conseguindo atender toda a demanda que aparece, porque temos avanços no poder econômico dos países e milhões de pessoas saem da pobreza para o consumo de alimentos, como se verificou neste período em países asiáticos e africanos e certamente continuará ocorrendo nos próximos anos. Agora, principalmente na África, já que o país ainda concentra uma grande fatia da população que necessita de milhões de toneladas de alimentos para cobrir suas necessidades nutricionais mínimas.
Com o crescimento do consumo mundial de alimentos nestes dez anos (de 1,7 bilhão de toneladas para níveis acima de 2,2 bilhões atuais), deixamos de ter cerca de 600 milhões de toneladas em estoque há uma década, para pouco mais de 350 milhões atuais. Isso sinaliza que teremos que continuar avançando para atender à população que nasce a cada dia que passa e também aqueles que ainda não se alimentam o suficiente.


