Revista Cultivar Hortaliças e Frutas
Edição 54 | Fev/Mar-09
Índice
- Rápidas
- Spodoptera em tomate
- Monitoramento de traça-do-tomateiro
- Cobertura ideal em alface
- Sem resistência de requeima em batata
- Fungicidas contra Phytophthora infestans
- Nematoides em goiaba
- Informe Técnico - Agristar
- Ferrugem em uva
- Mosca-das-frutas em maçã
- Coluna ABBA
- Coluna ABCSem
- Coluna ABH
- Coluna Ibraf
- Coluna Associtrus
- Coluna Ibraflor
Nematoides em goiaba
Nematoides da espécie Meloidogyne mayaguensis, causadores da morte súbita em goiabeira, têm devastado pomares no Vale do São Francisco. No ataque, os vermes comprometem o sistema radicular das plantas, o que impede a absorção de água e nutrientes levando-as a sucumbir. O controle deve ser preventivo, com medidas que impeçam a entrada da praga na área de plantio, já que uma vez infestado, o solo inviabiliza o cultivo da fruta
A morte súbita da goiabeira é uma doença causada por nematoides (vermes muito pequenos e quase transparentes, de difícil visualização a olho nu). Atacam as raízes da goiabeira e causam alterações visíveis na forma de caroços, chamados de galhas. Com essas modificações, as raízes ficam comprometidas quanto à absorção e ao transporte de água e nutrientes, chegando ao ponto, em casos extremos, de inviabilizar a cultura.
A espécie que ataca as raízes da goiabeira, (Meloidogyne mayaguensis) foi encontrada e descrita por Rammah & Hirschmann (1988) em raízes de berinjela coletadas em Porto Rico. Embora sua ocorrência tenha sido registrada no Brasil em 2001, desde 1989 se tem notícia da presença da morte súbita da goiabeira no país. Atualmente, essa doença constitui o maior problema fitossanitário da goiabicultura devido a sua ampla distribuição pelo território brasileiro e também pela severidade que compromete fortemente a produção e causa a morte das plantas, ameaçando a rentabilidade e até mesmo a viabilidade da cultura da goiabeira no Brasil.
PREJUÍZOS
Para se ter uma ideia da importância desse nematoide para a cultura da goiabeira, menciona-se que, em 2001, a cultura contava com área de cerca de seis mil hectares no perímetro irrigado do Vale do São Francisco (Pernambuco e Bahia). A morte súbita reduziu a área plantada em 70%, de modo que, em 2006, o espaço ocupado pela cultura estava em cerca de 1,8 mil hectares. Considerando-se que a redução da área plantada com goiabeira na região foi de aproximadamente de 4,2 mil hectares e que a produtividade naquela região (média de 2002, 2003 e 2004) foi de 22,78 toneladas/hectare, conclui-se que a região deixou de produzir cerca de 95.690 toneladas da fruta. Tomando-se como base o preço na Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), de R$ 1,20/kg (média de 2002, 2003 e 2004), estima-se prejuízo de R$ 114.811.200,00 em 2006, somente no Vale do São Francisco.


