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ARTIGOS TÉCNICOS

Produção em escala

Segundo dados da FAO (FAO, 2000), de todo o aumento na produção de alimentos entre o ano de 1993 e 2020, apenas 20% virão da incorporação de áreas naturais em áreas de produção. A área agricultável per capta em regiões em desenvolvimento no ano de 1990 e a estimativa para o ano 2025 é assustadora. No ano de 1990 era de 1 ha e a estimativa para 2025 é de 0,52 ha. A intensificação dos sistemas de produção já é uma realidade em todas as atividades de uso da terra e não é diferente para os sistemas de pastejo.

Pastejo no Brasil

Considerando a população atual de 172,7 milhões de brasileiros e uma produção de 6,9 milhões de toneladas de carcaça, e mantendo o mesmo consumo per capta atual, da ordem de 35,8 kg/habitante/ano, consumo total de 6.182 milhões e o restante exportado, em 2020 haverá uma demanda de 7,58 milhões de toneladas de carcaça para uma população de 210 milhões de habitantes. E, se a exportação continuar nos níveis de 2001, será preciso produzir 8,39 milhões de toneladas de carcaça. Se a produção a pasto continuar a responder por 95% dos abates anuais, terão de ser produzidas neste sistema em torno de 7,97 milhões de toneladas de carcaça. Se a produtividade de carne a pasto continuar nos atuais 43 kg de carcaça/ha/ano, será necessário incorporar mais 41 milhões de hectares de pastagens. Além da impossibilidade de aumentar a produção via aumento da área, há uma tendência de que em menos de 10 anos a agricultura ocupe 22 milhões de hectares de pastagens (ANUALPEC, 2003). De acordo com dados do IBGE (IBGE, 2002), de 1985 a 1995, a lavoura e as áreas de matas foram aumentadas em 8 e 6 milhões de ha, respectivamente, enquanto que a pastagem teve redução de 6 milhões de ha.

Produção de carne a pasto

A palavra intensivo significa “a cultura que acumula trabalho e capital em terreno relativamente limitado“ (Ferreira, 1993).

Lopes e Guilherme (1991) apresentaram durante a ECO 92, realizada no Brasil, o Princípio da Substituição de Terra. Por este, uma determinada quantidade de fertilizantes, utilizada racionalmente, gera uma produção equivalente àquela que seria obtida pelo cultivo adicional de novas áreas sem o uso de fertilizantes e que 1 tonelada de fertilizantes substituiria 4 novos hectares. No caso da pastagem, há 25 anos atrás, Corsi (1976) citou que sob manejo intensivo seria possível a redução de cerca de dez vezes na área de pastagens, considerando-se a lotação média daquela época de 0,50 cabeça/ha. Aguiar (2002) citou que a relação para o principio de substituição da terra entre uma pastagem extensiva e uma pastagem intensiva não irrigada é de 6 a 8 vezes e de 10 a 14 vezes para aquelas irrigadas. Tecnologia existe e está bem documentada na pesquisa nacional. Aguiar vem estudando sob condições de Cerrado um sistema intensivo que foi implantado em 1997, na fazenda escola das Faculdades Associadas de Uberaba (FAZU) e o resumo de cinco anos de avaliação está na tabela junto com o trabalho citado por Esteves (2000), realizado na Embrapa Pecuária Sudeste, em São Carlos, São Paulo.

No passado estes dados seriam encarados com desconfiança já que são dados de pesquisa, mas hoje em dia, eles podem ser reproduzidos também dentro de propriedades comerciais, como Aguiar tem demonstrado desde 1994.

Aguiar (2002) comparou os sistemas intensivos de produção de carne a pasto considerando os resultados médios de produtividade da terra do trabalho de pesquisa desenvolvido na FAZU, com duas propriedades em processo de intensificação, com a média brasileira estimada e fez uma análise econômica.

Observa-se que a taxa de lotação animal (UA/ha) no sistema intensivo (pesquisa) foi 7,2 vezes maior que a média brasileira; 3,6 vezes maior que a fazenda do sul do Pará e 1,56 vez maior que a fazenda em Iturama. A produtividade animal (GMD) no sistema intensivo da FAZU foi 2 vezes maior que a média nacional, 26% maior que a fazenda do Pará e igual à fazenda em Iturama. A produtividade da terra (@/ha/ano) no sistema intensivo da FAZU foi 13,75 vezes maior que a média nacional e, em termos de lucro/ha/ano, foi 10 vezes maior.

Níveis de exploração

Em um país do tamanho do Brasil, com condições ambientais (solo e clima), culturais e sociais tão diversas, não tem embasamento técnico/científico/econômico a adoção de um único sistema de produção. Um sistema de produção só deveria ser definido com base em um diagnóstico preciso das condições de solo (mapeamento da fertilidade dos solos da propriedade através de análise de solo), das condições climáticas (índice pluviométrico e distribuição de chuvas, temperatura, radiação solar), das pastagens (área, relevo, tamanho, grau de degradação, problemas de manejo, pragas e invasoras, espécie forrageira, capacidade de suporte, taxa de lotação), dos animais (raça, cruzamento, programa de melhoramento genético, programa sanitário), da equipe da propriedade (nível instrucional, capacidade de liderança, nível salarial, condições de trabalho e de moradia), do negócio (mercado, preços).

De onde virá o dinheiro?

Em muitas fazendas o dinheiro para a intensificação poderá ser obtido de dentro dela própria, através de recursos economizados com a eliminação das ineficiências administrativas, investimentos desnecessários e recursos obtidos com a venda de animais improdutivos. Pode também ser captado do mercado financeiro, através de financiamentos que hoje operam com taxas de juros e prazos compatíveis com a atividade pecuária (8,75% ao ano com um ano de carência e 5 anos para pagamento). É uma pena que o limite de crédito por CPF seja tão baixo e muito abaixo daquele praticado para outras culturas. Não parece justo que o limite de financiamento para a pecuária seja de duas a até sete vezes menor que para as culturas agrícolas, já que a participação no PIB é apenas 36% menor. Por outro lado, a agricultura é mais eficiente e lucrativa, pois gerou em 2002 quase R$ 73 bilhões explorando menos de 50 milhões de hectares de terra, ao passo que a pecuária teve que explorar uma área acima de 185 milhões de hectares para gerar R$ 53 bilhões. Se o limite de crédito para a pecuária é menor é porque as instituições financeiras e o Governo têm como parâmetro uma pecuária de baixa produtividade, baixo lucro por área e baixo retorno sobre o capital investido. Esta é a pecuária média brasileira, mas não a pecuária explorada sobre pastagens intensivas, como viemos demonstrando até agora.

Adilson de Paula Almeida Aguiar
FAZU / Consupec

* Este artigo foi publicado na edição número 01 da revista Cultivar Bovinos, de outubro de 2003.

* Confira este artigo, com fotos e tabelas, em formato PDF. Basta clicar no link abaixo:

/arquivos/bovinos01_producaoemescala.pdf


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