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ARTIGOS TÉCNICOS

Contra a murchadeira

A murcha bacteriana, causada por Ralstonia solanacearum, é uma doença amplamente distribuída nos trópicos e subtrópicos ou regiões mais quentes do mundo. É considerada a doença mais importante da batata e uma das mais importantes de outras solanáceas como o tomate, a berinjela, o pimentão e as pimentas, além de afetar um amplo número de hospedeiras de diversas outras famílias botânicas.

Onde ela é encontrada

A biovar 1 é encontrada em todas as regiões do Brasil; a biovar 2 (correspondente à raça 3, que afeta principalmente a cultura da batata) distribui-se pelas regiões onde o clima é mais ameno e a biovar 3 é adaptada às regiões mais quentes.

Sintomas das plantas

As plantas afetadas murcham a partir da parte apical e os sintomas, na fase inicial, manifestam-se nas horas mais quentes do dia. A murcha vai progredindo de forma irreversível , devido a não translocacão de água e seiva pelo sistema vascular, até causar a morte da planta. Nos tubérculos de batata, a bactéria coloniza principalmente os anéis vasculares e muitas vezes, gotas cor de pérola exsudam ao longo destes, ocorrendo posterior escurecimento desses vasos. O intervalo entre o início da infecção e o aparecimento do primeiro sintoma visível é conhecido como fase latente de infecção. Nesta fase, a população bacteriana é muito baixa e não apresenta sintoma visível na planta e nos tubérculos.

Terror em países de clima temperado

A bactéria foi relatada em 1976 infectando lavouras de batata na Suécia. No entanto, foi na década de 90 que a doença se espalhou pelos países europeus de clima temperado. Os surtos de epidemias ocorridos nos últimos anos nos campos de produção de batata da Europa aceleraram os estudos da relação patógeno-hospedeira e a busca de métodos de diagnose mais seguros e precisos.

Tolerância zero na produção

A certificação de batata-semente adota um nível de tolerância de zero por cento a esta enfermidade. A bactéria é nativa de solo e pode persistir por muitos anos na rizosfera de plantas hospedeiras ou silvestres, infectando plantas suscetíveis ou tolerantes e em solo sob alqueive ou pousio. Estudos sobre a persistência da biovar 3 de R. solanacearum indicam que esta biovar pode sobreviver por mais de 18 meses no solo sem a presença de planta hospedeira. Neste caso, a bactéria pode sobreviver em restos culturais.

Permanência da bactéria no solo

Esta pergunta é típica de um produtor de batata. Pois a ameaça da murcha às lavouras é constante. Entretanto, não é possível fazer uma previsão do tempo de sobrevivência da bactéria no solo pois isto depende de fatores climáticos como a temperatura e o regime de chuvas, as quais condicionam a umidade do solo e da presença ou não de plantas hospedeiras ou silvestres. Monitoramentos da sobrevivência da biovar 3 da bactéria, que continha inicialmente uma população de 2,2 x 107 UFC/g de solo, indicaram uma redução da população após 18 meses, mantidos a uma capacidade de campo de 75%. As populações da bactéria foram estimadas em meio de cultura semi-seletivo e decresceram para 1,3 x 103 UFC/g de solo (27 a 300C), 7,4 x 102 UFC/g de solo (18 a 290C) e 5,6 x 102 UFC/g de solo (11 a 370C). Portanto, a população final da bactéria foi mais elevada para as amostras de solo mantidas sob uma faixa de temperatura mais estável (27 a 300C). As temperaturas mínimas prevalentes nas faixas de temperatura de 18 a 290C e de 11 a 370C ocasionaram um decréscimo da população bacteriana.

No entanto, ao final de 18 meses de incubação, quando as amostras destes solos foram novamente incubadas em câmara de crescimento, a 280C, foi verificado um crescimento na população bacteriana. O plantio de mudas de tomate nestes solos serviu para indicar que a população da bactéria havia aumentado. O solo mantido à temperatura de 27 a 300C e que apresentou menor decréscimo da população bacteriana foi também o que apresentou maior número de plantas murchas durante o bioteste. Estes dados indicam a importância da temperatura na persistência da bactéria no solo, principalmente da biovar 3 que é mais adaptada às regiões onde predominam as temperaturas mais elevadas.

População estimada da bactéria Ralstonia solanacearum, biovar 3, em solos mantidos por 18 meses em três temperaturas a uma capacidade de campo de 75%. O solo continha 2,2 x 107 UFC/g de solo no início dos ensaios.

Medidas de controle

O controle da murcha bacteriana é muito difícil e o que se aconselha é a adoção de um conjunto de medidas preventivas da doença.

A bactéria pode ser disseminada por meio de mudas e tubérculos infectados. Os solos não infestados terão maior chance de permanecerem livres da presença da bactéria, se mudas e tubérculos-sementes sadios forem utilizados nos plantios. Assim, a diagnose da doença, em tubérculos com infecção latente, ou seja, quando a população da bactéria é baixa e os sintomas ainda não se manifestaram, é muito importante para evitar que a bactéria seja disseminada via tubérbulo-semente. Cuidados durante os tratos culturais bem como o controle do trânsito de pessoas pelas lavouras devem ser adotados. A qualidade da água de irrigação deve ser controlada. A utilização de cultivares resistentes, quando disponíveis, é uma prática importante no manejo integrado da doença.

Olinda Maria Martins
Embrapa Clima Temperado

* Este artigo foi publicado na edição número 14 da revista Cultivar Hortaliças e Frutas, de junho/julho de 2002.

* Confira este artigo, com fotos e tabelas, em formato PDF. Basta clicar no link abaixo:

/arquivos/hf14_murchadeira.pdf


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