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ARTIGOS TÉCNICOS

Doenças no solo

A murcha de Fusarium, ou fusariose, causada pelo fungo Fusarium oxysporum f.sp. vasinfectum ocorre no nordeste brasileiro desde 1935,e em São Paulo desde 1957/58, disseminando-se para outros estados. As variedades plantadas na época eram suscetíveis à doença, o que gerou a necessidade de obtenção de variedades resistentes, pois é esta a única medida de controle economicamente viável.

Os sintomas da doença são variáveis, dependendo do grau de resistência da variedade e das condições ambientais. Plantas afetadas são menores, com folhas e capulhos menores. Os sintomas se iniciam pelas folhas basais, que amarelecem, secam e caem. Murcha das folhas e morte prematura das plantas ocorre em variedades suscetíveis. Cortando-se o caule ou raiz transversalmente, pode-se notar o escurecimento dos feixes vasculares. Ocorre obstrução dos vasos pela formação de estruturas de barreira pela planta (que tenta se defender do fungo) e presença de micélio e esporos do próprio patógeno, resultando em resistência ao livre fluxo da seiva e, conseqüentemente, em sintomas de murcha.

A disseminação do patógeno pode se dar pela semente e por partículas de terra contaminada, arrastadas pelo vento e pela água. Uma vez contaminadas, as áreas de cultivo permanecem nessa condição por um longo período, pois o organismo sobrevive no solo, produzindo esporos de resistência (os clamidosporos) e sobre restos culturais de algodão ou outros materiais orgânicos. Ao contrário de outras formas de Fusarium oxysporum, que são altamente específicas, a do algodoeiro apresenta hospedeiros secundários, como algumas variedades de soja, amendoim, quiabeiro, fumo e alfafa. O fungo possui diversas raças fisiológicas, e apenas o algodoeiro e o quiabeiro são suscetíveis à raça 6, presente no Brasil e Paraguai. Alfafa, fumo e soja são resistentes a essa raça.

Em condições ambientais apropriadas, perdas extremamente altas ocorrem quando as cultivares são suscetíveis e os solos pesadamente infestados. As perdas são maiores em solos infestados por nematóides (ex.: Meloidogyne incognita), arenosos, de baixo pH, fertilidade desequilibrada, principalmente com baixo teor de potássio, e temperaturas de 25 a 32° C e alta umidade.Para o controle recomenda-se, em primeiro lugar, o uso de variedades resistentes. As variedades suscetíveis à murcha de Fusarium, mas com outras qualidades agronômicas e resistência a outras doenças, devem ser utilizadas em regiões onde a doença não ocorre de forma generalizada (Mato Grosso, parte de Goiás e Mato Grosso do Sul e Região Nordeste). Deve-se ter especial atenção com as áreas infestadas com nematóides, porque nessa condição, algumas variedades suscetíveis podem apresentar danos devido à doença.

A rotação de cultura é recomendada como medida complementar, particularmente importante em solos com alta concentração, tanto de Fusarium como de nematóides. É muito importante que cuidados sejam tomados na introdução de sementes em regiões onde ainda não foi relatada a ocorrência da fusariose, uma vez que o patógeno pode ser levado pelas sementes.

Murcha de Verticillium

A murcha de Verticillium é uma doença, causada por Verticillium dahliae, que apresenta sintomas muito semelhantes aos da fusariose. Murchas de Fusarium e Verticillium não podem sempre ser distinguidas com base nos sintomas de campo apenas, pois as pequenas diferenças em sintomatologia nem sempre aparecem ou são claramente visíveis, sendo a identificação do organismo causal confirmada pelo isolamento dos patógenos em laboratório. Com as estirpes de Verticillium existentes no Brasil, os sintomas desenvolvidos no campo são geralmente leves, manifestando-se somente em plantas adultas que sempre chegam a produzir um certo número de capulhos, ocorrendo plantas isoladas ou em pequenas reboleiras, notadamente em solos ricos de matéria orgânica. Além disso, as condições climáticas são desfavoráveis ao desenvolvimento da doença, que é mais severa em temperaturas que variam de 18-22º C. No entanto, essa doença é muito importante nos EUA, México, Peru, Rússia, Argentina e Índia. Sua disseminação é feita por sementes contaminadas, vento, água superficial e pelo próprio solo contaminado

Podridões de raízes

Outros fungos podem causar podridões em raízes de algodoeiro, como Phymatotrichum omnivorum, Thielaviopsis basicola, Sclerotium rolfsii e Macrophomina phaseolina, sendo os dois últimos mais prováveis de ocorrer nas condições do Cerrado brasileiro.

Sclerotium rolfsii, um importante patógeno presente em solo em regiões tropicais e subtropicais, é ocasionalmente encontrado em algodão. Primeiramente observado em tomate na Florida em 1892, tem sido regularmente reportado causando podridão na raíz e colo da planta em tomate, pimentão, amendoim, diversas cucurbitáceas, beterraba e muitos outros hospedeiros, inclusive algodoeiro. Em 1999, foi detectado em amostras de plantas de algodão (provenientes de Rondonópolis-MT) com sintomas de podridão de raízes e haste, recebidas pela UFMS. S. rolfsii ocorre principalmente em solos arenosos ou de textura média de reação neutra ou pouco ácida. Quando a umidade do solo é abundante, o fungo fixa-se à superfície das partes de plantas em contato com o solo, e produz enzimas e toxinas que colaboram para matar células, rapidamente produzindo um cancro ou zona apodrecida que geralmente circunda a haste ou raíz. Se a parte mais baixa da haste ou superior da raíz principal é circundada, o hospedeiro murcha repentinamente e morre. Numerosas estruturas circulares irregulares são quase sempre dispersas no crescimento cotonoso do fungo, e têm a função de resistir a condições climáticas adversas ou à ausência do hospedeiro.

Macrophomina phaseolina, uma espécie presente no solo, formadora de escleródios (estruturas de resistência), foi observada pela primeira vez, em 1912, em algodão, caupi, juta e amendoim na India. O patógeno tem sido desde então reportado em algodão e outras culturas em países quentes. As plantas mais freqüentemente atacadas têm sido feijão, milho, algodão, caupi, berinjela, amendoim, sorgo, soja, batata doce, fumo e tomate. Nessas culturas, ele produz uma podridão seca das raízes principais e parte mais baixa das hastes, resultando em catastrófica murcha e morte do hospedeiro. A severidade dessa podridão em algodão, e outras culturas, foi relacionada com déficit de umidade no solo e alta temperatura. Quando o fungo invade raízes ou hastes baixas, ocorre rapidamente a colonização do tecido interno e a planta morre. Exame da parte afetada revela uma podridão seca, com muitos escleródios (estruturas de resistência) pretos distribuídos através dos tecidos lenhosos ou mais macios.

Não existem variedades resistentes a esses patógenos, e o controle é obtido através de uma adubação equilibrada e em áreas irrigadas, do correto suprimento hídrico. Essas medidas garantem uma planta menos estressada, portanto, menos sujeita a perdas causadas por esses fungos apodrecedores de raíz e colo. Além disso, recomenda-se a prática da rotação de culturas com plantas não hospedeiras, a fim de reduzir a população do patógeno no solo. A rotação é uma medida auxiliar, embora importante, dentro do manejo dessas doenças, pois alguns fungos podem produzir estruturas de resistência (escleródios), que permanecem no solo mesmo na ausência do hospedeiro.

Tombamento

Essa doença é causada por um complexo de fungos do solo e da semente, cujas espécies podem variar grandemente de um lugar para outro. Nas condições do Brasil, principalmente em se tratando do algodão do cerrado, o principal agente causal do tombamento de plântulas é Rhizoctonia solani.

Este patógeno é um parasita necrotrófico, habitante natural do solo. É um fungo polífago pois ataca um grande número de espécies vegetais. Isto pode ser constatado quando se analisam os resultados de um trabalho de pesquisa realizado no sul do Brasil. Três seqüências de culturas foram testadas (1-trigo-milho-aveia-milho-ervilhaca; 2-aveia-milho-ervilhaca-milho-trigo; 3-ervilhaca-milho-trigo-milho-aveia), não sendo observados resultados eficientes no controle de R. solani, uma vez que em todos os meses amostrados este fungo foi sempre detectado. Isto é explicado, uma vez que este fungo, além de apresentar estruturas de resistência, possui uma habilidade de competição saprofítica muito grande, sendo capaz de manter-se viável por muito tempo em uma área, pois apresenta capacidade de trocar de substrato. Dessa maneira, qualquer espécie vegetal alternativa integrante do sistema de rotação, pode lhe servir de substrato.

R. solani pode ser transmitido pelas sementes, porém raramente isto ocorre, motivo pelo qual a semente não é considerada a principal fonte de inóculo desse patógeno. É considerado, dentre os componentes do “complexo de fungos que causam o tombamento”, o mais prejudicial, por causar, em maior intensidade que os demais, o tombamento de pré-emergência, além daquele de pós-emergência. O ataque deste patógeno freqüentemente reduz o estande da lavoura, levando, muitas vezes à ressemeadura. Esse patógeno, estando presente no solo e/ou nas sementes, além de ocasionar perdas significativas na fase de plântulas (falha no estande), pode servir ainda como fonte de inóculo para culturas subseqüentes. Os sintomas caracterizam-se inicialmente pelo murchamento das folhas com posterior tombamento das plântulas. Este fungo provoca lesões deprimidas e de coloração marrom-avermelhada no colo e nas raízes das plântulas de algodão.

Para o controle de tombamento causado por R. solani, recomenda-se:

1) Época adequada de semeadura
Em função de baixas temperaturas favorecerem a severidade e a incidência do tombamento (principalmente aquele causado por R. solani), recomenda-se evitar semeaduras anteriores a meados de outubro.

2) Tratamento químico das sementes
De todas as práticas recomendadas para o controle do tombamento, o tratamento das sementes com fungicidas eficientes assume um importante papel, sendo considerado, até o momento, a principal medida a ser adotada e a opção mais segura e econômica para minimizar os efeitos negativos desta doença.

3) Rotação de culturas
No caso específico do tombamento causado por R. solani, devido à versatilidade ecológica deste fungo, o seu controle torna-se difícil através da rotação de culturas. Apesar disso, a adoção desta prática deve ser implementada, uma vez que, quando usada eficientemente, pode promover uma alteração qualitativa na microflora do solo, favorecendo o crescimento e o estabelecimento de microorganismos antagônicos ao patógeno, induzindo assim níveis de supressividade a doenças.

Lilian M. A. Bacchi,
UFMS
Augusto C.P. Goulart,
Embrapa Agropecuária Oeste
Paulo Degrande,
UFMS

* Este artigo foi publicado na edição número 32 da revista Cultivar Grandes Culturas, de setembro de 2001.


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