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ARTIGOS TÉCNICOS

Cultivo do milheto

A planta de milheto Pennisetum glaucum surgiu entre 4 mil e 5 mil anos atrás ao Sul do Deserto do Saara, de onde foi levada para a Índia a partir do ano 2.000 a.C., tendo gerado genótipos distintos dos originais africanos. Atualmente, é uma das culturas mais cultivadas nos países da África Saheliana e Sudaniana.

É uma gramínea anual de verão, cespitosa, de crescimento ereto e apresenta excelente produção de perfilhos e vigorosa rebrota, após corte ou pastejo. A estatura do colmo é capaz de superar 3m, podendo atingir 1,5m entre 50 e 55 dias após a emergência. Apresenta folhas com lâminas largas e inflorescência na forma de panícula longa e contraída. Em comparação com o milho e o sorgo, requer mais calor para germinar e se estabelece de maneira uniforme e proveitosa. As exigências térmicas e hídricas ideais para a planta de milheto são de temperaturas noturnas médias (15-28°C) e um mínimo de 30mm de água para germinação, podendo ser, desta forma, uma boa opção como planta de cobertura de outono-inverno, embora a época recomendada para o milheto seja mesmo o verão. Com sua utilização na safrinha, por ser planta de dia curto, sofre o estímulo do fotoperíodo de outono-inverno, ou seja, do aumento das horas de escuro e via de regra floresce precocemente em torno de 50 dias. À medida em que se adentra no outono, esse intervalo entre o corte e o florescimento diminui.

O milheto, nos últimos tempos, tem aumentado a área plantada, sobretudo nas regiões de Cerrado, pelo enorme potencial de cobertura do solo oferecido para a prática do plantio direto, bem como para o uso como forrageira na pecuária de corte ou de leite. Para ambas as finalidades, há necessidade de um manejo cultural diferenciado e adequado. O plantio pode ser em linha ou a lanço, mas em ambos os casos há necessidade da definição ou do estabelecimento da época e densidade de plantio, quantidade de sementes, espaçamento, sistema de semeadura, profundidade de plantio, dentre outros fatores não menos importantes, como o manejo de plantas daninhas, de pragas e doenças, da fertilidade e o manejo de água,como no caso de produção de sementes. Estas variáveis, quando têm interação, contribuem para o aumento da produção de fitomassa verde para forragem, massa seca para cobertura morta em plantio direto, produção de grãos para ração ou para sementes.

O milheto é um cereal muito utilizado na alimentação humana na África e na Índia por ser um dos grãos mais importantes cultivados nessas regiões do globo terrestre. A África Ocidental é responsável pelo cultivo de 50% da área mundial e pela colheita de 60% da produção mundial. Os híbridos indianos de alta produtividade - de até 2,5 t/ha - , com altura média de 1,3 a 1,8 m, não são adaptados à colheita mecânica em virtude da sensibilidade ao acamamento. É uma cultura de baixo uso de insumos, com ampla utilização em diversos sistemas de produção, auxiliando diferentes culturas comerciais e possibilitando a produção de grãos de modo autossustentável. No Brasil, por enquanto ainda não é usado para o consumo humano, embora a farinha oriunda dos grãos do milheto possa ser utilizada para o preparo de bolos, biscoito e mingaus.

Os primeiros relatos da presença da planta de milheto no Brasil vêm do Rio Grande do Sul, datados do ano de 1929. O milheto tem sido utilizado no Brasil de diversas formas, como planta forrageira, pastoreio para o gado especialmente na região Sul, onde foi introduzido, como produção de semente para fabricação de ração e como planta de cobertura do solo para o sistema de plantio direto. Esta última prática passou a ter destaque principalmente nos Cerrados no início da década de 90. Deste período em diante, houve um aumento da expansão da cultura devido ao avanço do plantio direto nas regiões onde a gramínea se desenvolve bem devido às situações adversas de clima e solo. No Brasil, a produtividade de grãos do milheto varia de 500 a 1500 kg/ha.

O milheto também pode ser utilizado na implantação e na recuperação de pastagens, antecipando o início de pastejo de forrageiras braquiárias. Outra utilidade do cereal é na produção de silagem em regiões com déficit hídrico, podendo alcançar produções superiores e de melhor qualidade do que as forragens de milho e sorgo.

O grande sucesso do milheto como planta de cobertura nos solos do Cerrado brasileiro é devido à sua alta resistência à seca, à adaptabilidade a solos de baixo nível de fertilidade e à característica de elevada capacidade de extração de nutrientes, face ao sistema radicular profundo e por ser uma planta de boa capacidade de produção de massa verde e seca. Os nutrientes extraídos pela planta de milheto permanecem na palhada, sendo reciclados ou liberados gradativamente no solo.

Como forragem, o potencial produtivo do milheto pode chegar a 60 ton/ha de massa verde e a 20 ton/ha de matéria seca, quando cultivado nos meses de setembro e outubro. Sob condição de pastejo, com animais de recria, proporciona ganhos de até 600 kg de peso vivo ao dia ou 20 arrobas por hectare em cinco meses.

Israel Alexandre Pereira Filho
Pesquisador da área de Fitotecnia da Embrapa Milho e Sorgo
http://www.cnpms.embrapa.br/


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