Touceira implacável

A resistência de plantas daninhas a herbicidas não é um tema novo para a agricultura brasileira. Na década de noventa, com o uso de herbicidas tradicionais, os produtores já se deparavam com problemas associados à resistência de plantas daninhas como capim-marmelada, picão-preto e amendoim-bravo.

Com o advento das culturas geneticamente modificadas com tolerância ao glifosato, surgiu uma ferramenta importante para manejar os problemas de resistência de plantas daninhas, uma vez que o glifosato é um herbicida de amplo espectro de ação e de alta eficiência. O uso intensivo do glifosato, no entanto, trouxe novos problemas de resistência, como a buva (Conyza spp.), o azevém (Lolium perenne ssp. multiflorum), o capim-branco (Chloris elata) e o capim-amargoso (Digitaria insularis).

O primeiro caso de resistência de capim-amargoso ao glifosato no mundo foi registrado em 2005 pelo pesquisador Fernando Adegas (EMBRAPA SOJA) quando foi relatada a existência de biótipos resistentes em lavouras de soja do Paraguai. No ano de 2008, em região geograficamente próxima ao primeiro foco de resistência, foi constatado o primeiro caso de resistência de capim-amargoso ao glifosato em lavouras de soja do Paraná, no município de Guaíra. E no ano de 2011, relatou-se a presença de plantas resistentes em pomares de laranja da região de Matão, São Paulo. Atualmente, sabe-se que populações de capim-amargoso resistentes ao glifosato estão espalhadas por toda a região Sul, Centro-Oeste e Sudeste, além de algumas áreas do Nordeste do Brasil.

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Rubem Silvério de Oliveira Jr.

Hudson Kagueyama Takano

Jamil Constantin

Núcleo de Estudos Avançados em Ciência das Plantas Daninhas (NAPD;UEM) – Departamento de Agronomia – Universidade Estadual de Maringá