Adubadora de cana-de-açúcar

Novo conceito de adubadora em cana-de-açúcar deve possibilitar a composição do adubo em tempo real na hora da aplicação.

O maior produtor mundial de cana-de-açúcar é o Brasil e para continuar com essa posição é necessária a adoção de modernas tecnologias para a sustentabilidade da cultura e o aumento da produtividade.

Com o aumento de novas áreas cultivadas de cana-de-açúcar, a adubação mecanizada tem proporcionado a otimização na distribuição dos fertilizantes em menor tempo operacional, redução da mão de obra, incremento da produtividade e maior desempenho operacional. De acordo com a análise do solo e produtividade esperada, a adubação em cana-de-açúcar é realizada tanto no plantio, quanto em cobertura.

A adubação mecanizada tem apresentado algumas falhas na aplicação dos fertilizantes quando não se tem o conhecimento do tamanho dos grânulos, da segregação e da fluidez por meio da caracterização dos fertilizantes. A distribuição desuniforme pode ser ocasionada pela deficiência do mecanismo dosador ou distribuidor, a regulagem inadequada, o desconhecimento das características físicas do fertilizante, a manutenção da máquina, entre outros.

O ângulo de repouso, a granulometria e a densidade são alguns fatores que podem influenciar na distribuição dos fertilizantes. O ângulo de repouso influencia na fluidez do fertilizante na adubadora, pois quanto maior o ângulo de repouso (superior a 50°), menor é o escoamento do fertilizante.

A granulometria caracteriza o tamanho e a forma dos grânulos. A uniformidade destes proporciona uma aplicação adequada, entretanto, se as partículas forem desuniformes, podem ocasionar segregação e distribuição inadequada dos fertilizantes.

A densidade influencia na qualidade da aplicação, pois quanto mais denso for o fertilizante, maiores as chances de acomodá-lo no fundo do reservatório, fazendo com que em uma formulação, seja distribuído primeiro o fertilizante que estiver em contato com o mecanismo dosador e depois o que se acomodou na superfície do reservatório.

Outra falha observada na aplicação dos fertilizantes está relacionada com o reservatório da adubadora quando este não possui compartimento individual para a deposição de cada fertilizante. Neste caso, durante a aplicação pode ocorrer distribuição desuniforme, em virtude dos fertilizantes possuírem diferentes características físicas.

Visando diminuir essas falhas, desenvolveu-se um novo conceito de adubadora que permite a aplicação do fertilizante com cada nutriente de forma individualizada. Com isso, é possível criar a formulação no momento da aplicação de acordo com a análise de solo e a exigência da cultura, sem que haja necessidade de retirar o fertilizante já contido no reservatório caso haja mudança de área.

Esse tipo de adubadora pode favorecer a logística na aplicação, pois tanto em cana planta, quanto cana soca é possível utilizar a mesma máquina e os mesmos fertilizantes, alterando apenas a regulagem na distribuição.

Além disso, a adubadora formuladora proporciona maior eficiência na aplicação de fertilizantes, por não haver a segregação dos nutrientes e possibilita ainda a aplicação com taxa variada por meio da agricultura de precisão.

O protótipo da adubadora formuladora estudada, modelo Camb-AP, projetada para a linha canavieira, possui mecanismo dosador helicoidal e está em desenvolvimento pela empresa Baldan – Máquinas e Implementos Agrícolas.

O projeto prevê a incorporação de diferentes doses de fertilizantes no solo, com possibilidade de realizar aplicações a taxas variáveis.
O projeto prevê a incorporação de diferentes doses de fertilizantes no solo, com possibilidade de realizar aplicações a taxas variáveis.
O projeto prevê a incorporação de diferentes doses de fertilizantes no solo, com possibilidade de realizar aplicações a taxas variáveis.
O projeto prevê a incorporação de diferentes doses de fertilizantes no solo, com possibilidade de realizar aplicações a taxas variáveis.

TESTE DE CAMPO

Com esta adubadora foi realizado o monitoramento da qualidade operacional da distribuição dos fertilizantes individualmente. Para a coleta separada dos fertilizantes foi utilizado um coletor, construído e descrito por Carneiro (2015), que consiste de uma armação metálica com suporte para três copos medidores com capacidade de 1L; o espaçamento entre os copos de 0,33m; a largura do aro suporte dos copos coletores de 0,71m; o diâmetro de cada copo medidor de 0,28m e uma barra com 1m de comprimento.

Com a adoção de novas tecnologias, como a presente adubadora, verificou-se a distribuição homogênea de fertilizantes e dosagens aplicadas adequadamente, o que pode acarretar em redução de custos de produção. 

Cada fertilizante é distribuído separadamente e em doses diferentes.
Cada fertilizante é distribuído separadamente e em doses diferentes.
Cada fertilizante é distribuído separadamente e em doses diferentes.
Cada fertilizante é distribuído separadamente e em doses diferentes.

Características construtivas da Adubadora Camb-AP

  • Reservatório da adubadora → Três reservatórios individuais com capacidade de 1.000kg por fertilizante.
  • Disco de corte → Corta a palhada para evitar o embuchamento, acúmulo da palha entre os componentes da adubadora, com aproximadamente 22” de diâmetro e 750mm distância entre discos.
  • Tubos → 12 tubos condutores de N-P-K, facilitando a aplicação destes sobre o solo, isto é, três tubos em cada uma das laterais da máquina e seis tubos no centro da mesma, proporcionando adubação de duas linhas de cana-de-açúcar.
  • Haste → Permite a mobilização do solo, largura da ponteira de 3” e distância entre hastes de 1.500mm.
  • Discos recortados → Incorporação de fertilizantes aplicados no solo, possuindo diâmetro de 18” e 11” de espaçamento entre os discos e 34” de distância entre os pares desses discos.
  • Barra de pulverização → Acessório opcional, com 6m de comprimento, localizada na parte traseira da adubadora.

 

Franciele Morlin Carneiro, Lamma, FCAV/Unesp; Edison Baldan Júnior, Baldan; Patricia Candida de Menezes, Lucas Augusto da Silva Gírio, Rafael Scabello Bertonha, Carlos Eduardo Angeli Furlani, Lamma, FCAV/Unesp

Artigo publicado na edição 165 da Cultivar Máquinas.

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