Ajuste na colheita

A cultura do algodão em níveis comerciais nos dias de hoje demanda, devido às grandes áreas, a utilização de máquinas especializadas para a colheita. Diante deste fato, apresentaremos alguns pontos importantes para que esta colheita seja feita de maneira correta, visando o máximo desempenho da máquina para atingir alta produtividade combinada à alta qualidade do produto final.

Antes de pensarmos no que pode ser feito durante a colheita para atingirmos os melhores resultados, devemos analisar a importância de um manejo correto da lavoura, observando pontos importantes como a declividade, nivelamento do solo, escoamento de água, ausência de obstáculos como tocos, pedras e possíveis restos de peças de plantadeiras, tratores e implementos de cultivo. Este cuidado refletirá na diminuição do tempo de parada para reparos, que por conseqüência irá aumentar a produtividade/dia da máquina. O combate a plantas daninhas e o correto manejo da resteva, no caso do plantio direto, também são de grande importância.

O operador deve estar preparado para receber informações através de cursos de operadores. Deve ter um histórico de bom preservador de maquinário, uma vez que a manutenção básica diária é, sem dúvida, fator decisivo para aumento de produtividade, já que os mecanismos de colheita, limpeza e descarregamento da máquina devem estar regulados e verificados para atender não só questões de produtividade, como também de qualidade.

MANUTENÇÃO

É importante seguir o manual da máquina para se orientar na aquisição dos produtos para a manutenção. A nossa cultura não valoriza com a devida importância a leitura completa da literatura que acompanha a máquina. Grandes problemas de falhas prematuras e de baixa performance poderiam ser evitados se as pessoas encarregadas pelo maquinário - gerente de máquinas, chefes de almoxarifado, operadores - optassem por fazer o uso correto destas literaturas. Geralmente, o que encontramos no campo são manuais de operação ainda dentro das embalagens, quando não estão guardados nas oficinas ou em casa, sem nenhum vestígio de terem sido lidos ou estudados. Estas literaturas revelam particularidades como especificações de lubrificantes, produtos nocivos à pintura, chapas metálicas ou plásticos, bem como a maneira correta de limpeza e manutenção da eletrônica embarcada, cada vez mais presente nos equipamentos agrícolas. Também de posse deste manual, o operador ou encarregado de manutenção irá encontrar informações para otimizar o tempo de manutenção e reabastecimento de graxas, água/detergente para o sistema umidificador e drenagem do sistema de alimentação de combustível, bem como a correta manutenção das baterias e a maneira correta de armazenamento da máquina após a safra, preservando, assim, a pintura, pneus, plásticos e borrachas em geral.

A MÁQUINA

O setor de máquinas agrícolas vem experimentando grande desenvolvimento nesta última década, tendo no mercado nacional grande parte dos produtos da linha mundial, adaptados às nossas condições, dando ao produtor brasileiro a oportunidade de competir em termos de manejo, preparo, controle fitossanitário e colheita com os mais tecnificados produtores do mundo. Uma vez dito isto, o produtor deve ter um esquema de suporte à altura do maquinário, com operadores treinados e capazes, caminhões oficinas, equipe de transporte do algodão rápida e eficiente, e um back-up operacional, que irá atuar sempre que um imprevisto acontecer.

A máquina de algodão, hoje, é um equipamento que permite ao operador um grande conforto, tanto na cabina de operação durante a colheita, quanto fora dela, efetuando uma regulagem ou reparo. A máquina apresenta, graças ao alto nível de eletrônica embarcada, sistema de monitoramento de colheita individual por linha e rotores, informadores visuais e auditivos dos sistemas de alimentação, elétricos, de limpeza e lubrificação. Com estes acessórios de controle o operador pode se concentrar em manter a máquina na velocidade de colheita adequada, bem como manejar sistemas do controle da máquina com grande rapidez e eficiência.

REGULAGENS

Começando com a regulagem básica diária da máquina, como lubrificação e abastecimento, partimos para a verificação técnica dos mecanismos operacionais da máquina. Na colhedora de algodão isto começa nas unidades de colheita (tambores), dutos de saída e tubos de elevação, passando para a regulagem e verificação das turbinas de ar, dos pentes de limpeza e telas do cesto, bem como do sistema de descarregamento e proteção contra incêndio. A correta calibragem dos pneus vai garantir que a estabilidade da máquina e altura de colheita nas linhas de extremidade se mantenham, principalmente em máquinas montadas para colher em espaçamentos largos.

Tambores - Observar a correta regulagem dos guias de plantas, da pressão das placas de compressão, da folga dos desfibradores e escovas e dos fusos, que devem estar com os bordos afiados. A quantidade correta de água no sistema umidificador varia de acordo com a umidade e matéria verde da planta, uma vez que o sumo se acumula nos rasgos dos fusos, diminuindo a eficiência de colheita. O controle automático de altura deve estar regulado para trabalhar corretamente na lavoura a ser colhida, por isso, este oferece uma ampla gama de regulagens para atender às diferentes lavouras.

Dutos de saída e tubos de limpeza - Os dois devem estar livres de graxa e restos de plantas, pois podem causar embuchamento. Devem também estar bem fixados, pois este sistema trabalha a vácuo, o que garante uma sucção do algodão na primeira porção, evitando o desgaste excessivo dos desfibradores e embuchamentos.

Turbinas de ar - A tensão das correias garante que a quantidade de ar disponibilizada nos tambores seja suficiente para sugar e impulsionar o algodão ao cesto. A lubrificação das turbinas garante a durabilidade do sistema, uma vez que ele trabalha a altas rotações. A limpeza das turbinas garante que não haja desbalanceamento deste sistema, que é dinâmico.

Pentes de Limpeza e Telas do Cesto - Os pentes de limpeza são, juntamente com as telas, responsáveis pela limpeza do algodão já colhido. É importante regulá-los para que o algodão percorra o máximo da área de limpeza oferecida pelos pentes. As telas devem estar limpas para permitir um maior fluxo de ar de dentro para fora do cesto, carregando, assim, as sujidades que acompanham o algodão.

Sistema de Descarregamento e Proteção contra Incêndios - A tensão das correntes descarregadoras deve ser observada para garantir que estas não saiam dos guias. A lubrificação não deve ser excessiva, de modo a contaminar o algodão. O algodão apresenta fácil combustão devido à eletricidade estática, portanto a verificação diária do sistema de proteção contra incêndio é uma boa prática para evitar imprevistos.

COLHEITA

Na colheita, o teor de umidade de 12 % é considerado ideal. A colheita se dá melhor nas horas mais quentes do dia, onde a umidade estará menor, facilitando a limpeza dos fusos, principalmente se o algodão não estiver desfolhado. A porcentagem de 90 a 95 % de capulhos abertos é a ideal para o início da colheita.

Como o Algodão é uma cultura com crescimento vegetativo não homogêneo, o uso de controladores de crescimento e maturados biológicos é de grande importância para a colheita mecanizada. A altura ideal da planta está em torno de um metro.

REGULAGEM X PERDA

Se a lavoura apresenta um stand homogêneo de maturação, a regulagem da pressão das placas compressoras deve ser de forma que retirem o máximo de plumas, sem atacar mecanicamente a planta, pois sendo assim, esta irá soltar galhos e restos de capulhos, diminuindo a qualidade do produto. Se as placas estiverem com uma pressão muito alta, elas podem derrubar os capulhos ainda com as plumas, aumentando as perdas antes da colheita. Como os rotores dianteiros colhem em média 75% do algodão, um operador prudente regula as placas traseiras sempre um pouco mais apertadas, pois a planta vai chegar mais “magra” nos rotores traseiros. Ainda durante o trajeto do algodão até o cesto, podem ocorrer perdas, se os dutos estiverem desregulados, permitindo que o algodão escape por frestas entre os dutos e o cesto. No descarregamento, a perda acontece pelo mau posicionamento dos vagões de descarga, bem como pela insuficiência de armazenamento do volume da carga durante o transporte.

REGULAGEM X QUALIDADE DE FIBRAS

A colheita do algodão, quando este apresenta um alto teor de umidade, pode ser prejudicial à qualidade de fibra pelo seguinte: durante o transporte, o algodão se acomoda em blocos compactados e durante o beneficiamento, a quebra das fibras pode acontecer. O algodão orvalhado ou com excesso de umidade pode favorecer a fermentação, com conseqüente perda de qualidade da fibra e do caroço.

A regulagem da altura de colheita dos tambores evita que a pluma seja contaminada por terra. A utilização de biorreguladores ajuda no que tange à homogeneidade da maturação das maçãs, propiciando, assim, fibras de mesmo tamanho nas maçãs de baixeiros e de ponteiros.

EFICIÊNCIA E PRODUTIVIDADE

A equipe de apoio à colheita (vagões de transporte, caminhões oficinas, reabastecimento) vai contribuir diretamente com a produtividade diária da máquina, uma vez que esta esteja de acordo com os tópicos aqui descritos, com o operador devidamente treinado e informado das possibilidades de ajustes e regulagens para melhor atender às particularidades das diferentes lavouras.

Leonardo José da Costa Cunha
Engenheiro Agrícola – UFLA/MG
Coord. Reg. Serviços Case IH

* Este artigo foi publicado na edição número 13 da revista Cultivar Máquinas, de julho/agosto de 2002. ver mais artigos
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