Alcoolduto - nova rota para o desenvolvimento de MS

Mato Grosso do Sul desponta como uma das maiores potências no setor de biocombustíveis. Terras férteis em grandes quantidades, clima favorável, a experiência no agronegócio e os incentivos do Governo Estadual, são fatores que fazem com que a “energia verde” encontre no aqui o seu paraíso.

O Biodiesel está num processo de novas descobertas, onde a soja é carro-chefe das matérias-primas. O biocombustível da oleaginosa ainda é anti-econômico devido o alto valor do grão no mercado. No caso do etanol, estamos num estágio mais avançado e competitivo. A área de cana-de-açúcar vem aumentando consideravelmente a cada safra e em conseqüência vem aumentando o número de usinas no estado. Esse “boom” requer investimentos públicos na infra-estrutura, como nos transportes, cuja malha rodoviária no estado, numa análise quantitativa, é ineficiente, com rodovias cruzando em centros urbanos sem contar a demanda por novas rotas. Qualitativamente, em sua maioria, não está em boas condições, o que torna o modal ainda mais caro. Numa iniciativa conjunta os Governos de Mato Grosso do Sul e do Paraná, deram um passo importante ao conseguir incluir nos projetos prioritários da Petrobrás, a construção de um Alcoolduto, ligando Campo Grande ao Porto de Paranaguá. Os biocombustíveis estão merecendo atenção especial também naquele Estado. A pré-exigência para que a Transpetro – subsidiária da Petrobrás, responsável pelas obras de dutos da empresa – pudesse concretizar uma obra de tamanha importância e complexidade foi que o estado de Mato Grosso do Sul produzisse pelo menos 2,5 bilhões de litros de etanol, o que deve ocorrer até 2010, prazo suficiente para que o alcoolduto entrasse em operação. O Governo Federal entendendo que haverá a curto prazo um gargalo no processo de escoamento do álcool a ser produzido, incluiu a obra no PAC, demonstrando inclusive o seu interesse em “profissionalizar” o setor sucroalcooleiro no país e ganhar credibilidade do mercado externo.

O Alcoolduto, um sistema de tubulação subterrânea para o transporte do etanol, exigirá menos mão-de-obra, facilitará e agilizará o processo, além de propiciar um custo de frete muito menor, barateando o preço final do combustível. Segundo engenheiros responsáveis pelo terminal público de armazenamento de álcool do Porto de Paranaguá, os tubos devem ser de aço inoxidável, material este que seria o único capaz de não sofrer corrosão ao longo do tempo em contato com o álcool. Em alguns trechos menos tensos ou elevados, o aço poderá ser substituído por material plástico de altíssima resistência e de custo reduzido.

Além de complexo, devido as desapropriações das áreas privadas, imensas perfurações e transposição de rios e vales, estão previstos investimentos de cerca de R$ 2 bilhões. Terá cerca de 1.200 km de extensão e está sendo estrategicamente estudado, inclusive, sob o ponto de vista geográfico. Poderá ser ampliado futuramente para um “poli-duto”.

Era dado como certo que o mesmo transpassaria Dourados, devido as perspectivas de instalação de diversas usinas no município e em municípios vizinhos, mas segundo fontes que elaboram o projeto, Dourados não está incluído no percurso. De Campo Grande, seguiria em direção a Bataguassú, passando próximo a Nova Alvorada do Sul.

A região do estado por onde estuda-se passagem do duto caracteriza-se pela baixa densidade populacional, grandes fazendas e milhares de hectares de terras de topografia plana aptas à cultura da cana. Quase 100% são solos degradados ocupados em sua maioria na exploração de pecuária extensiva. Ao contrário, a região de Dourados é de terras férteis e atividade agrícola diversificada, modelada principalmente em pequenas propriedades, tendo a cultura da cana-de-açúcar somente como mais uma opção.

Indiscutivelmente a obra atrairá novos investimentos não só ao setor sucroalcooleiro mas para o agronegócio em geral, independente do seu traçado. Acreditamos que os novos complexos industriais ligados ao setor, ao optarem por Mato Grosso do Sul, estarão priorizando as regiões mais próximas do alcoolduto, o que entendemos ser a melhor opção de ocupação territorial no Estado.

Independentemente de privilegiar esta ou aquela região, entendemos que o alcoolduto facilitará, e muito, o transporte do etanol produzido, principalmente do excedente, destinado à exportação.

Uma obra dessa magnitude trará progresso e desenvolvimento, e culminará em beneficio geral do agronegócio estadual, mas a sua concretização dependerá ainda de uma maior aproximação política dos atuais mandatários dos estados beneficiados com o Governo Federal, inevitavelmente.

Helbert de Matos Zanatta
Graduado em Relações Internacionais
Pós-Graduando em Gestão do Agronegócio
Bolsista na Embrapa/Area de Agroenergia
Contatos: 67 8418.9168 / 3425.5165 / 3424.1856
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