Uso do piloto automático no plantio e na colheita de amendoim

A cultura do amendoim é considerada uma das mais importantes espécies leguminosas, sendo recomendado em programas de rotação de culturas, por ser de ciclo curto (120 - 140 dias após a semeadura) e totalmente mecanizado. Seu cultivo geralmente é feito em rotação com a cana-de-açúcar no estado de São Paulo, principalmente na região de Jaboticabal, onde, ultimamente, vem superando recordes de produtividade.

No Brasil, 87,6% da área semeada de amendoim corresponde à região Sudeste, com produtividade média de 3.145kg/ha, tendo uma área total de 95,1 mil hectares, e produção de 299,1 mil toneladas para esta região (Conab, 2014), na qual somente o estado de São Paulo representa 85,3% da área semeada e 90% da produção nacional. Atualmente soluções tecnológicas para a mecanização da cultura do amendoim já estão sendo disponibilizadas para produtores, cooperativas e demais empresas envolvidas no setor. A tecnologia voltada à produção desta cultura tem tudo para evoluir, pois os produtores estão em busca de técnicas agrícolas que permitam maior produtividade e menor custo de produção. Estas tecnologias, se bem empregadas, podem levar a cultura do amendoim a proporcionar lucros para o produtor. Neste sentido, o uso de técnicas de agricultura de precisão (AP) como o piloto automático vem a ser essencial, pois o mesmo permite poder realizar as operações com menor erro de paralelismo, sendo relevante para o cultivo de amendoim, em que são realizadas operações mecanizadas tanto na semeadura quanto na colheita. As operações mecanizadas da semeadura e arranquio da cultura do amendoim são crescentes, porém, estudos relacionados a esses temas ainda são escassos, principalmente quando se trata da utilização do piloto automático, o qual ainda é incipiente no País. Com esses pressupostos, o presente trabalho objetivou avaliar características de eficiência operacional e econômica na semeadura e arranquio mecanizados de amendoim com a utilização do piloto automático.

CONDUÇÃO DO EXPERIMENTO

Uma equipe de pesquisadores do Laboratório de Máquinas e Mecanização Agrícola da Unesp de Botucatu (SP) realizou um experimento que foi conduzido na safra 2013/2014 em área agrícola do município de Dobrada (SP), em solo de textura média, com a cultivar de amendoim Granoleico. A semeadura foi realizada com trator agrícola da marca Massey Ferguson, modelo 7150, com 150cv no motor, operando a 2.000rpm no motor a 6,5km/h e uma semeadora-adubadora da marca Tatu, modelo PHT3 Suprema, com quatro linhas de 0,90m de espaçamento entre linhas. No arranquio foi utilizado o mesmo trator e um arrancador da marca Santal, modelo AIA2, operando a 1.500rpm, rotação que transmite à TDP 350rpm, o qual é o recomendado para a operação do arrancador-invertedor, a 4,5km/h. Para o direcionamento automático do trator via satélite foi utilizado um piloto hidráulico com correção de sinal em tempo real (RTK), com receptor multibandas, isto é, recebe sinal de satélites GPS e Glonass, além do sinal diferencial fornecido pelos satélites Inmarsat. O sistema GPS foi da marca Topcon modelo System 150, receptor modelo AGI-3 e monitor/processador modelo GX-45. Anteriormente às operações foi realizado um projeto em software Auto-CAD R14 para confecção das linhas a serem realizadas pelo conjunto mecanizado a campo, tanto para a semeadura quanto para o arranquio mecanizado de amendoim.

Como indicador das características da semeadura foi avaliado o paralelismo entre as passadas do conjunto trator-semeadora medido por meio de régua graduada. Para o arranquio foram avaliadas as perdas visíveis, invisíveis e totais. As Perdas Visíveis no Arranquio (PVA) correspondem à massa de vagens e grãos de amendoins encontrados sobre a superfície do solo após a operação de arranquio. Perdas Invisíveis no Arranquio (PIA) é a massa de vagens e grãos de amendoins encontrados abaixo da superfície do solo. As Perdas Totais do Arranquio (PTA) correspondem à soma das perdas visíveis e invisíveis no arranquio. Como base de análise da operação de semeadura, foi calculada a diferença de área semeada quando utilizado o piloto automático e quando a operação foi manual. Com essa diferença, com a produtividade de vagens de amendoim obtida e o preço atual pago ao produtor pela saca, foram calculados valores de ganhos/perdas resultantes. No arranquio esses valores foram calculados com base na diferença das perdas resultadas com e sem a utilização do piloto automático.

OS GANHOS NA PRODUÇÃO

Os resultados obtidos foram transformados em valores econômicos considerando alguns indicadores como, por exemplo, o preço atual da saca de 25kg de vagens de amendoim em casca pago ao produtor, estipulado para R$ 30,00. Observaram-se ganhos consideráveis nas duas operações, com valores mais expressivos na operação de semeadura, onde o ganho de área quando se utiliza o piloto automático acarreta maiores benefícios de produção, consequentemente, maior renda ao produtor, ou seja, há uma otimização da área, um melhor aproveitamento. Os valores expostos foram calculados para somente um hectare, entretanto, analisando-os para propriedades de médio a alto porte (em torno de 100ha), de maior ocorrência na região de estudo, esses valores seriam multiplicados pelo tamanho da área plantada.

O mesmo acontece na operação de arranquio, porém, com menor expressividade onde o ganho é refletido por menores perdas quando é realizado com o piloto automático. Neste trabalho foram verificadas perdas de 2,8% com o uso do piloto automático e 4% quando sem o uso do piloto. São valores considerados baixos se comparados a estudos realizados no Brasil que apontam a operação de arranquio mecanizado como aquela na qual as perdas são mais elevadas variando de 3,1% a 47,1% com relação à produtividade. Como o valor de perda neste ensaio foi pequeno mesmo na operação manual, o ganho com o uso do piloto automático também acabou não sendo tão expressivo.

Concluindo, podemos observar que ocorreram ganhos expressivos com a utilização do piloto automático tanto na operação de semeadura quanto no arranquio mecanizado de amendoim. Ganhos maiores foram encontrados para a operação de semeadura onde o melhor aproveitamento da área quando se utiliza o piloto automático reflete em maior produção. No arranquio também houve ganhos com a utilização do piloto automático, porém, menos expressivos devido à baixa ocorrência de perdas.

Estes resultados evidenciam que a busca de novas alternativas de cultivo, como a da utilização do piloto automático, pode trazer ganhos aos produtores, otimizando a área trabalhada, consequentemente melhorando a renda, levando ao maior sucesso do negócio quando realizada de forma correta.


TABELA 1 - Análise da semeadura

Resultados expressos dos ganhos advindos do paralelismo da semeadura com Piloto Automático

Piloto

Manual

Distância entre linhas no plantio do amendoim

0,8984 m

1,005 m

Metros lineares semeados por hectare

11.131 m

9.950 m

Resultado de metros semeados a mais com Piloto

10,6%

Produtividade média por hectare

240 sc ha-1

Utilizando-se o Piloto Automático o acréscimo de 11,9% na produtividade representa um extra de

25,4 sc ha-1

Preço do amendoim

30,00 R$ sc-1 de 25 kg

Renda maior de 68,8 sacos por hectare com Piloto

762,00 R$ ha-1

TABELA 2 - Análise do arranquio

Resultados expressos dos ganhos advindos do arranquio com Piloto Automático

Piloto

Manual

Perdas Visíveis

90,64

107,15

Kg ha-1

Perdas Invisíveis

76,90

129,05

Kg ha-1

Perdas Totais

167,54

236,20

Kg ha-1

Perdas totais em sc ha-1

6,7

9,4

sc ha-1

sc ha-1 a mais com Piloto

2,7

Preço do amendoim

30,0 R$ sc-1 de 25 kg

Renda maior por hectare proporcionado pelo arranquio em área semeada com Piloto

81,00 R$ ha-1


Este artigo foi publicado na edição 143 da revista Cultivar Máquinas. Clique aqui para ler a edição.

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