Alternativas para o controle da broca-do-café

Com a proibição de inseticidas à base de endosulfan, cafeicultores buscam alternativas para o controle da broca-do-café, praga responsável por perdas de rendimento e da qualidade da bebida. Uma das alternativas é realizar a aplicação de defensivos no momento de transito do inseto, antes que ocorra a perfuração dos frutos.

A broca-do-café é uma das principais pragas do fruto na cultura cafeeira. No Brasil e nos demais países produtores de café este problema gera prejuízos consideráveis para o setor produtivo. O processo de deterioração do fruto inicia-se com a perfuração e penetração do inseto no fruto, abrindo galerias onde as fêmeas, depois de fecundadas, depositam seus ovos. Também, a galeria aberta pelo inseto se torna uma porta de entrada para fungos, causando a destruição parcial ou total do fruto. A perda de rendimento no beneficiamento é um dos primeiros prejuízos contabilizados pela incidência da broca-do-café, seguidos por aspecto ruim, perda na qualidade da bebida e um grande número de defeitos, ocasionando desvalorização do café e inviabilizando sua exportação.


Um das alternativas para a redução populacional do inseto seria o controle biológico, pouco utilizado e com baixa eficiência. Também uma colheita eficiente, por meio de repasse, sem deixar frutos remanescentes, ajuda a evitar que os descendentes da praga sobrevivam de uma safra para outra. Este é um método eficiente, porém, muito caro. Devido ao avanço da tecnologia de colheita, as áreas estão cada vez mais mecanizadas, com altos custos de produção, falta de mão de obra para colheita e preços relativamente baixos. E também por uma série de fatores políticos, econômicos e a oferta e demanda do produto no mercado, o método de controle de broca-do-café mais utilizado, mais eficiente e economicamente viável que vem sendo adotado é o controle químico.

Tradicionalmente este inseto foi amplamente controlado através do uso de inseticida de ingrediente ativo endosulfan, que possui bom controle da praga e de baixo custo. Contudo, a partir do ano de 2013, esses produtos comerciais foram proibidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), devido aos problemas de toxicidade. Após a não comercialização destes inseticidas, os frutos de café nas lavouras ficaram vulneráveis à evolução do ataque da broca e ao aumento populacional aritmético. Antes, logo no início do ataque da praga nos frutos de café, eram detectados através de amostragens, avaliando o início da perfuração do inseto no fruto e, em seguida, fazendo a pulverização quando o nível de infestação da praga atingisse 5% de frutos perfurados. Quanto mais cedo era realizado o controle com endosulfan, melhor o resultado, e mesmo em estado avançado de ataque dentro do fruto, havia um controle satisfatório com a morte da broca.

Diante deste cenário, um grupo de estudantes de graduação em Engenharia Agronômica do Unis, em Varginha (MG), coordenados pelo professor Gustavo Rennó Reis Almeida, montou um ensaio em campo, na Fazenda Santa Mariana, em Carmo da Cachoeira, Minas Gerais, em que foram testados diferentes inseticidas, adquiridos comercialmente, por meio de aplicação após a perfuração do inseto no fruto de café a fim de avaliar a influência destes produtos no controle da broca-do-café e, assim, propor outras opções para os produtores, técnicos e pesquisadores com relação a um substituto ao endosulfan.

Os produtos comerciais testados estão descritos na tabela a seguir:

De acordo com os resultados encontrados, o endossulfan apresentou maior eficiência (65,5% de morte do inseto) no controle da broca-do-café, após aplicação na perfuração do fruto, confirmando, assim, que é um produto que realmente possui bom controle da praga. Contudo, os produtos testados, apesar deapresentarem menor eficiência quando comparados ao endossulfan, também mostraram melhora na eficiência do combate ao inseto. O produto 2-trebon+kumulus, um inseticida contendo enxofre, apresentou a maior eficiência na morte do inseto (43%) quando comparado aos outros inseticidas sem a presença de enxofre. A presença do enxofre possui a característica de desalojar o inseto de dentro do fruto, melhorando a eficiência do inseticida.

O inseticida que obteve eficiência na mortalidade da broca-do-café, após a perfuração dos frutos, se encontra proibido para comercialização. Os demais não devem ser aplicados após a perfuração dos frutos. Assim, uma sugestão aos produtores é que, para um bom controle da broca-do-café, a aplicação do inseticida seja realizada no momento de trânsito da broca, ou seja, antes do inseto perfurar o fruto, através da pulverização com produto químico.


Fábio de Souza, Unis Varginha, MG


Artigo publicado na edição 190 da Cultivar Grandes Culturas. 

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