Aplicação preventiva para o controle de pinta-preta

A cultura do tomate é de alto risco, devido à variedade de ambientes em que é cultivada e por se tratar de uma planta muito suscetível ao ataque de pragas e doenças e exigências em insumos e serviços, o que eleva o investimento de recursos financeiros para a sua produção. No mundo, as alternarioses figuram entre as doenças fúngicas mais comuns em hortaliças. No tomate, uma das mais importantes é a pinta-preta ou mancha de alternaria causada pelo fungo Alternaria solani (Ell & Martin) Jones & Grout. As perdas causadas por pinta-preta em tomateiros giram ente 5% a 78%.

A doença pode atacar a planta em qualquer idade, podendo provocar, sob condições ideais de temperatura e umidade, destruição das folhas, inutilizando as mudas para plantio. Ocorre em regiões onde se cultiva a batata e o tomateiro, sendo que sua distribuição é generalizada, variando apenas sua incidência. Durante os meses mais quentes (25ºC a 30ºC) e com alta umidade passa a ser um grave problema para o tomateiro.

Em folhas os sintomas expressam-se através de lesões foliares necróticas, circulares ou não, pardo-escuras, com característicos anéis concêntricos e bordos bem definidos. As lesões ocorrem isoladamente ou em grupos, podendo apresentar ou não halo clorótico. Lesões em caules podem surgir em plantas adultas e caracterizam-se por serem marrom-escuras, alongadas, deprimidas, podendo ou não apresentar halos concêntricos. Em plantas jovens podem formar cancros no colo de plântulas, que culminam com o tombamento e morte destas.

Nos frutos os sintomas ocorrem no ponto de inserção do pedúnculo, com manchas necróticas que se originam da região de ligação entre o cálice e o fruto. As manchas são usualmente de coloração marrom a preta, firmes, deprimidas e, geralmente apresentam anéis concêntricos distintos.

A ocorrência de epidemias severas da doença está associada a temperaturas na faixa de 25ºC a 32ºC e elevada umidade. O fungo A. solani sobrevive entre um cultivo e outro em restos de cultura infectados e solanáceas suscetíveis, podendo sobreviver ainda em equipamentos agrícolas, estacas e caixas usadas para armazenagem do produto ou mesmo nas sementes. Além destas formas de sobrevivência, existe a possibilidade de o patógeno permanecer viável no solo na forma de micélio, esporos ou clamidósporos. Os conídios caracterizam-se por serem altamente resistentes a baixos níveis de umidade, podendo permanecer viáveis por até dois anos nestas condições.

Os métodos culturais de controle, como sementes de boa procedência, rotação de cultura, eliminação de restos de culturas, plantios distantes de lavouras velhas, evitar áreas de baixadas e úmidas, podem ser recomendados. O controle químico deve ser realizado com fungicidas preventivos indicados para a cultura.

Variedades de tomate resistentes a A. solani estão sendo estudadas, já que é a melhor forma de se reduzir o uso de fungicidas.

No Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) existem 127 produtos liberados para o controle da pinta-preta em tomate. Porém, antes de se optar pela aplicação de fungicidas, deve-se proceder o monitoramento da área, principalmente das condições ambientais, pois é o fator fundamental para a expansão e infecção do patógeno de A. solani no local.

Atualmente estão em testes novas misturas de grupos químicos para o controle da pinta-preta, que vem mostrando boas eficiências de controle.

Entre os fungicidas para o controle da pinta-preta se destacam boscalida, metiran + piraclostrobina, flutriafol, metiram e difeconazol, aplicados preventivamente ou no início dos primeiros sintomas da doença. Com essa medida, torna-se mais difícil para o patógeno causar uma epidemia grave na área produtora.

Aplicações semanais com hidróxido de cobre, preventivamente ou em baixa pressão da pinta-preta, resultam em boa eficiência de controle da doença. Trata-se de um produto que oferece vantagens ao produtor, por ser de média toxicidade, além de oferecer controle de outras doenças, principalmente as causadas por bactérias.

Não se pode esquecer que ao produzir tomates se trabalha com um produto que na maioria das vezes será consumido in natura. Dessa forma, o cuidado deve ser grande na escolha e na utilização de produtos químicos, respeitando sempre os períodos de carência, os intervalos de aplicação e as doses recomendadas.

O tomate

Por seus inúmeros usos na culinária, o tomate (Lycopersicon esculentum Mill.) é um dos mais importantes legumes do mundo. Em 2011 a produção mundial de tomate foi de aproximadamente 38 milhões de toneladas, sendo que os Estados Unidos são os maiores produtores, o Brasil ocupa a quinta colocação com uma produção de 1,78 milhão de toneladas. O consumo médio per capita mundial de tomate é de 5,8kg/ano, sendo que no Brasil essa média chega a 6,4kg/ano (Seab-PR).

Clique aqui para ler o artigo na Revista Cultivar Hortaliças e Frutas, edição 79.

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Flávia de Oliveira Marzarotto

Estação Experimental Agrícola Campos Gerais (EEACG)

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