Aplicativo auxilia produtores na calibração de pulverizadores

A aplicação de defensivos agrícolas tem por objetivo controlar pragas, doenças e plantas daninhas, com a máxima eficácia, mínimas perdas possíveis para o meio ambiente e sem deixar resíduos de defensivos nos alimentos. Para se realizar uma pulverização eficiente deve-se atentar para alguns fatores como a correta identificação do problema, seleção adequada do produto, equipamentos para pulverização bem como a sua calibração e regulagem.

A calibração consiste em averiguar o volume de calda aplicado de acordo com o que foi previamente estabelecido. Equipamentos mal calibrados podem acarretar aplicações ineficientes e, consequentemente, controle inadequado, bem como perdas de produto para o solo e o aumento do custo de produção.

Em condições de campo é comum o surgimento de dúvidas de como se calibrar um pulverizador, sendo comum a constatação de erros nesta operação. Os pesquisadores Siqueira e Antuniassi ao realizarem um levantamento de inspeção periódica de pulverizadores em 2011, verificaram grande frequência de falhas na calibração. Para se calibrar um pulverizador basta averiguar a velocidade de trabalho, vazão média das pontas e faixa útil de aplicação. Aplicando-se a Equação (1), obtém-se o volume de pulverização que está sendo aplicado.

Apesar desta operação de calibração parecer simples, em campo, é constante as indagações “como se realizar a correta calibração de um pulverizador". Muitas vezes obtêm-se os parâmetros operacionais (vazão, velocidade e faixa) corretamente, mas no momento de determinar o volume pulverizado, ocorre um “embaraço" nos cálculos.

Visando auxiliar na aplicação de agrotóxico, principalmente, na etapa de calibração dos pulverizadores, desenvolveu-se um aplicativo a ser utilizado em aparelhos celulares e/ou tablets que utilizam a plataforma Android, versão 2.1 ou posterior. O aplicativo foi desenvolvido empregando-se o software Eclipse, versão Juno, na linguagem de programação JAVA. Todo o trabalho foi desenvolvido no Laboratório de Máquinas e Mecanização Agrícola, pertencente ao Departamento de Engenharia Agrícola da Universidade Federal de Viçosa.

Ao final, com o aplicativo desenvolvido, foi instalado em um celular Samsung, modelo S Duos, e observou-se que o aplicativo desenvolvido é de fácil utilização, podendo auxiliar o responsável técnico de campo na calibração dos pulverizadores. Neste aplicativo o usuário, deverá informar os parâmetros: vazão de líquido da ponta de pulverização (L/min), velocidade de trabalho (km/h) e faixa útil de aplicação (m) nas condições reais de operação, sabendo-se que nos pulverizadores de barra essa faixa é igual a distância entre bicos, sendo que, geralmente, esse valor é igual a 0,5 m. Baseado na Equação 1, o aplicativo desenvolvido calcula o volume de pulverização (L/ha). Por exemplo, se um pulverizador hidráulico de barras apresenta vazão média das pontas de 1,2 L/min, velocidade de trabalho de 5,5 km/h e faixa útil de pulverização de 0,5 m, logo o volume aplicado é de 261,8 L/ha. (Figura 1).

(a)

(b)

FIGURA 1. Exemplo de cálculo no momento de se calibrar um pulverizador.

Para se obter corretamente os parâmetros necessários para se realizar a calibração dos pulverizadores, basta o responsável técnico possuir uma trena, um cronômetro e uma proveta graduada e seguir os passos abaixo.

PRIMEIRO PASSO

O primeiro passo será a determinação da velocidade de trabalho (km/h). Para isso, será necessário seguir as seguintes etapas: em campo, com o pulverizador já abastecido somente com água, marque uma pista com comprimento de 50 m no terreno a ser tratado; escolha a marcha de trabalho e ligue a tomada de força. Depois acelere o motor até que obtenha, na tomada de força do trator, a rotação correspondente a 540 rpm; inicie o movimento do trator no mínimo 5 metros antes do ponto marcado e anote o tempo que o trator gastará para percorrer os 50 metros. Em terrenos de topografia irregular, repita a operação pelo menos três vezes e tire a média. De posse do tempo (s), realize o cálculo da Equação 2.

Por exemplo, supondo que o tempo gasto para percorrer os 50 metros foi de 25 segundos, logo a velocidade de trabalho é de 7,2 km/h.

SEGUNDO PASSO

Para determinar a vazão média das pontas hidráulicas, primeiro abasteça o pulverizador somente com água. Com o trator parado, coloque o motor na aceleração que proporcione 540 RPM na TDP, acione o sistema hidráulico do trator, colocando-o na pressão de trabalho. Depois, espere por no mínimo 10 segundos até que ocorra a estabilização da pressão. De posse de uma proveta, colete o líquido por um período de 1 minuto, anote o volume coletado, repita esta operação em diferentes pontas hidráulicas e finalmente tire a média da vazão das pontas.

Por exemplo, se o volume coletado em cinco diferentes pontas foram 1,2 L/min; 1,3 L/min; 1,25 L/min; 1,2 L/min e 1,3 L/min, logo a vazão média é igual a (1,2+1,3+1,25+1,2+1,3)/5. A partir desses valores obtém-se o valor igual a 1,25 L/min.

TERCEIRA PARTE

Para determinar a faixa útil de pulverização, deve-se seguir os seguintes passos. Com o auxílio de uma trena meça a distância entre pontas (m). De posse dos parâmetros mensurados basta inseri-los no celular ou tablet, o qual determinará o volume em que está sendo aplicado. Nota-se, que os aplicativos utilizam “pontos" e não “vírgulas" para separar casas decimais, devido a linguagem de programação. O aplicativo para a calibração pode ser utilizado para facilitar os cálculos com qualquer equipamento de pulverização, tanto hidráulico, pneumático e hidropneumático, podendo, neste caso, reduzir as falhas durante a operação de calibração dos pulverizados. No entanto é notório que os parâmetros de entrada: vazão de líquido, velocidade de trabalho e faixa de pulverização devem ser inseridos corretamente de acordo com o equipamento e condições empregados no campo. Os aplicativos devem ser utilizados para facilitar os cálculos a campo, e os resultados dependem dos dados inseridos, devendo, neste caso, serem precisos e corretos, de acordo com o que está ocorrendo na prática.


Este artigo foi publicado na edição 137 da revista Cultivar Máquinas. Clique aqui para ler a edição.

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ROBSON SHIGUEAKI SASAKI; MAURI MARTINS TEIXEIRA; HAROLDO CARLOS FERNANDES

Universidade Federal de Viçosa

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