Ataque nos canteiros

Um dos principais fatores de garantia de uma boa produtividade das lavouras de fumo é a qualidade das mudas plantadas. Mudas uniformes, bem desenvolvidas e sadias certamente são a base para uma boa safra. O desenvolvimento e a adoção da tecnologia float para a produção de mudas de fumo, representando a quase totalidade das mudas atualmente produzidas, significa uma grande evolução e tem propiciado o necessário suprimento de mudas de boa qualidade para o plantio das últimas safras. Resumidamente, essa técnica consiste na formação de mudas de fumo, em cerca de 60 dias, em bandejas de isopor instaladas sobre uma fina lâmina d’água previamente fertilizada. Foram desenvolvidos kits específicos, para número de plantas variáveis por canteiro, onde todos os componentes necessários estão comercialmente disponíveis em conjunto.

Alguns benefícios dessa tecnologia devem ser destacados:

• dispensa totalmente o uso de fumigantes;
• reduz a necessidade do uso de agroquímicos;
• dispensa o uso de irrigação – consome menos água;
• facilita o planejamento e o manejo na produção de mudas;
• produz mudas mais uniformes;
• facilita e dá mais flexibilidade à etapa de transplante; e
• devido à uniformidade das mudas, facilita todas as etapas da lavoura.

Embora o sistema float de produção de mudas de fumo signifique um efetivo avanço, algumas doenças e pragas ainda têm provocado significativas perdas em algumas situações, principalmente associadas a desvios de manejo.

Práticas de Manejo Integrado estão listadas após a caracterização das doenças e pragas que mais têm causado perdas de mudas.

PRINCIPAIS DOENÇAS

Mela ou Tombamento
Causada pelos fungos do solo Rhizoctonia solani, Pythium spp e Fusarium spp. Caracteriza-se pelo amarelecimento, tombamento e morte das mudas, principalmente nas duas primeiras semanas após a germinação.

Esses fungos podem contaminar o float via bandejas, água, substrato ou solo. Temperaturas entre 21 e 28°C favorecem o desenvolvimento da doença.

Mofo Azul
Causada pelo fungo Peronospora tabacina. Caracteriza-se pelo aparecimento de lesões amarelecidas nas folhas, que posteriormente evoluem para necrose. Num estágio mais avançado da doença, na face inferior destas lesões observa-se um “mofo” cinza azulado, que são as estruturas reprodutivas do patógeno. Os esporos desse fungo são carregados a grandes distancias pelos ventos e são a sua principal fonte de disseminação. O desenvolvimento dessa doença é favorecido por temperaturas amenas, 16 a 24°C, e UR acima de 90%.

Mancha aureolada
Causada pelo fungo Thanatephorus cucumeris. Os primeiros sintomas da doença são pequenas lesões arrendondadas e úmidas, que sob condições de alta temperatura e umidade, evoluem rapidamente para lesões de até 2 cm de diâmetro, apodrecendo totalmente as folhas e caules das mudas. Ocorre e causa maiores danos na fase de desenvolvimento final das mudas, quando a massa foliar nos canteiros é abundante. Sua principal fonte de disseminação são os esporos e microescleródios carreados pelo vento e solo.

Podridão de esclerotínia
Causada pelo fungo Sclerotinia sclerotiorum. As mudas atacadas apodrecem rapidamente. Freqüentemente sobre os tecidos atacados aparece um “mofo” branco e grânulos negros e duros, um pouco menor que um grão de feijão, que são as estruturas de resistência do patógeno e sua principal fonte de disseminação e sobrevivência. A ocorrência dessa doença é favorecida por temperaturas amenas, 16 a 23°C e alta umidade.

Podridão de Erwinia
Causada pela bactéria Erwinia carotovora. Esta doença provoca total apodrecimento das mudas, sendo mais freqüente o seu aparecimento logo após as podas das mudas. A bactéria penetra facilmente pelas cicatrizes causadas pelas ferramentas de poda e uma vez introduzida no canteiro, e sob condições de alta temperatura, destrói totalmente as mudas em poucos dias. Geralmente as ferramentas de poda são seus principais disseminadores.

Práticas de Controle Integrado

Para o controle dessas doenças, com ênfase especial para aquelas de profilaxia:

• faça a alocação dos canteiros em locais de fácil acesso, arejados, ensolarados e protegido de ventos fortes;

• use somente água de boa qualidade e livre de patógenos. Não utilize água de riachos, açudes ou lagoas, invariavelmente essas fontes são contaminadas com potenciais patógenos;

• as bandejas devem ser limpas e desinfectadas;

• usar substratos com características (pH, Ec e granulometria) definidas e com alta uniformidade, específicos para mudas de fumo no sistema float;

• estes substratos também devem ser livres de patógenos e sementes de plantas invasoras;

• usar sementes de boa qualidade e sadias;

• fazer adubações – duas são suficientes - buscando o desenvolvimento equilibrado das plantas, normalmente a primeira logo após a germinação e uma segunda após a primeira poda;

• manter a cobertura, sempre, a aproximadamente 35 cm de altura da borda do canteiro, exceção feita para os períodos de chuvas intensas, ventos fortes e geadas, quando a cobertura deverá ficar rente ao solo, protegendo totalmente o canteiro;

• fazer duas podas usando um fio de nylon, a primeira para uniformização (em torno dos 35dias pós semeação) e a segunda, uma semana antes do plantio;

• não retardar o plantio.

PRAGAS E MANEJO

Fungus gnat

São pequenas mosquinhas do gênero Bradysia, os adultos são importantes transmissores de fungos patogênicos e as larvas se alimentam das raízes das plântulas. Quando o ataque é intenso, pode ocorrer a total destruição das plântulas de um canteiro, seja pela destruição das raízes pelas larvas seja por patógenos transmitidos pelos adultos.

Normalmente, as práticas de Manejo Integrado listadas acima, mais as aplicações de agroquímicos específicos para o controle de fungus gnat, são suficientes para também se evitar a ocorrência de pulgões e trips, vetores das principais viroses em mudas. É importante seguir rigorosamente as recomendações do receituário agronômico e a legislação vigente quanto à aplicação dos agroquímicos, observando a época, a dose e a forma de aplicação, bem como o uso correto dos EPI’s.

Geraldo H. N. Oliveira,
Souza Cruz S.A.

* Este artigo foi publicado na edição número 21 da revista Cultivar Hortaliças e Frutas, de agosto/setembro de 2003. ver mais artigos
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