​Avaliação com colhedora autopropelida de forragem para cultura de milho

Avaliação com colhedora autopropelida de forragem para a cultura do milho, feita na região Sudoeste do Mato Grosso, mostra que é possível colher mais de 6,5 hectares por hora mantendo a qualidade do produto colhido. 

O estado de Mato Grosso é o maior produtor de bovinos de corte do Brasil e a prática de confinamento no processo final está ficando cada vez mais comum junto aos pecuaristas, sendo necessário para isso a alimentação suplementar dos animais. Uma das principais fontes de suplementação alimentar para bovinos é a silagem. No entanto, para se garantir o retorno em produtividade é fundamental o fornecimento de uma forragem de qualidade superior. Vários são os fatores que interferem na qualidade final do produto, que vão desde o manejo da colheita até o tipo de regulagem da máquina colhedora e o processamento da silagem.

As colhedoras de forragem autopropelidas se destacam pela sua capacidade de trabalho, versatilidade e incorporação de inovações tecnológicas, além da alta uniformidade em relação ao tamanho do material picado. Entretanto apresentam um alto custo de aquisição o que torna viável somente para grandes propriedades e ou na forma de prestação de serviços, fato que está se tornando uma opção na região sudoeste de Mato Grosso onde existe uma grande quantidade de propriedades que cultivam o milho para silagem e não desejam adquirir uma máquina para ser utilizada somente para a colheita do milho então optam pelo serviço terceirizado.

A capacidade operacional da colheita de forragem é um dos fatores que a tornam atrativa e que necessita ser mensurada em conjunto com a capacidade de veículos para o transporte de material, sendo que essas máquinas tem a necessidade de uma frota de caminhões ou transbordos para trabalhar em paralelo com a máquina. Outras considerações que devem ser observados, é custo com reparos e manutenções, suporte do fabricante e facilidade de operação.

A colhedora de forragem JD 7830 de 352 Kw de potência, conforme o fabricante, apresentam alguns recursos como o sistema de transmissão IVLOC TM (largura de corte variável), o qual oferece um ajuste no tamanho da partícula, a partir da cabine do operador. O fluxo de matéria, pelo interior da máquina, é otimizado para se obter um processamento constante, contando também com um sistema de detector de metais.

O cilindro de corte da colhedora é de 48 lâminas segmentadas corta a forragem com eficiência e precisão, podendo ser facilmente afiada a partir da cabine de operação. A máquina possui rolos de alimentação, de aço inoxidável, que giram acompanhando o perímetro do cilindro com corte radial, mantendo um controle da camada de material e proporcionando uma qualidade excelente de alimentação em relação aos sistemas de corte convencionais.

O processador de grãos é um sistema que realiza a trituração dos grãos de milho é composto por dois rolos estriados (107 dentes) com grande diâmetro, feitos de aço endurecido. A trituração pode ser aumentada ou diminuída pelo comando do operador e a leitura do espaçamento entre os rolos é realizada no monitor da coluna da cabine. Também é possível fazer instalação ou remoção do processador de grãos para a adequação para colheita de outras culturas.

As plataformas usadas são as rotativas Kemper de 6, 8 e 10 linhas, no caso a utilizada no estudo foi a de 8 linhas. Com uma largura de corte de 4,5 até 7,5 metros, garante um trânsito curto e rápido do material, permitindo colher milho, sorgo e outras culturas de porte ereto não importando o sentido do corte nem o espaçamento entre linhas. As extremidades das plataformas podem ser dobradas, possibilitando uma largura total de transporte de 2,95 m, garantindo um deslocamento seguro em vias públicas.

Para o corte e o processamento de plantas forrageiras, as máquinas ensiladoras devem ser preparadas e reguladas para garantir uniformidade do picado.
Para o corte e o processamento de plantas forrageiras, as máquinas ensiladoras devem ser preparadas e reguladas para garantir uniformidade do picado. - Foto: Jani Vanini

Para o corte e o processamento de plantas forrageiras, as máquinas ensiladoras devem ser preparadas e reguladas para garantir uniformidade do picado e a qualidade da silagem. No entanto, grande parte das ensiladoras não realiza o seu trabalho corretamente, pois operaram com regulagens inadequadas ou com a falta de acompanhamento técnico. Tais fatos ocasionam um picado desuniforme, não sendo o ideal para a cultura, resultando em silagens de baixa qualidade e até mesmo de baixo rendimento alimentar aos animais.

Estudos para a identificação das reais características dessas máquinas, são de fundamental importância, pois estas influenciam na qualidade final do produto e devem ser feitos com intuito de além de informar o produtor, otimizar o sistema de produção.

Para isso, foi realizado um estudo com o objetivo de avaliar a colhedora de forragem JD 7380 para a cultura de milho (Zea mays L.), observando as faixas de regulagens de corte de colheita. O estudo foi realizado na Fazenda Ressaca – Grupo Nelore Grendene, em Cáceres (MT). A fazenda adota o sistema de produção de bovinos de corte, semi-confinamento, sendo que grande em parte da produção, os animais são mantidos a pasto e somente no final da engorda são conduzidos ao confinamento. Nesta propriedade produz-se milho como forrageira, ensilados em silos trincheiras.

A coleta da silagem foi feita com auxílio de um balde de plástico de dois litros.
A coleta da silagem foi feita com auxílio de um balde de plástico de dois litros. - Foto: Jani Vanini

O delineamento foi em blocos casualizados em esquema fatorial 2x2 com velocidades de 7 km/h (V1) e 9 km/h (V2) e regulagens de tamanho de corte (partículas) de 10mm (R1) e 14mm (R2), respectivamente. Como se tratava de uma colheita em área da fazenda a escolha das velocidades e da regulagens do tamanho de corte ocorreu em função do trabalho e das exigências da propriedade sendo a V1 e a R1 a que estava sendo usada na colheita e a V2 e R2 ajustado para o estudo.

A coleta da silagem foi feita com auxílio de um balde de plástico com aproximadamente 2 litros, sendo retirada no caminhão de coleta. Retirou-se também, amostra para a determinação da massa seca da silagem, verificada em estufa a 60 ºC por 72 horas.

Assim que coletadas, foram secas à sombra e posteriormente submetidas a um conjunto de peneiras, com dimensões de 25x25 cm, adaptadas à metodologia citadas Lammers et al. (1996), descritas por Jobim et al (2007) e Schlosser et al (2010). Tal adaptação, foi realizada para classificar os fragmentos em partículas maiores que 0,75” (19,1 mm), entre 0,75 e 0,31” (19,1 a 7,9 mm) e partículas menores que 0,31” (7,9 mm). A metodologia consistiu em pesar 250 gramas de amostra de forragem seca, coloca-las sobre a peneira superior e iniciar a agitação sistematizada. A agitação foi ser realizada sobre uma superfície plana e lisa, e consistiu em oito séries de cinco agitações vigorosas (a cada cinco agitações o conjunto de peneiras é rotacionado à 90º), totalizando 40 movimentos.

Os resultados mostraram que para os valores percentuais médios retidos em cada uma das malhas da peneira para cada tratamento (Figura 01), a distribuição granulométrica do picado do milho, ficou retida na peneira maior que 15mm (64%), seguido por partículas inferior a 9 mm (29%) e partículas tamanho entre 9 mm e 15 mm (7%). Em relação ao tamanho médio das partículas, retidas em cada peneiras, não obteve diferença significativa, no entanto, quando é comparado entre percentuais retidos em cada peneira, tem-se diferença entre os tratamentos, pois as partículas retidas na peneira inferior a 9 mm são diferentes entre si, devido à regulagem.

Figura 01 – Distribuição granulométrica dos tratamentos avaliados
Figura 1 – Distribuição granulométrica dos tratamentos avaliados.

Quanto aos tamanhos médios das partículas, obteve-se ao utilizar a regulagem de 10 mm, em média 14,2 mm e o aumento da velocidade, não influenciou significativamente no tamanho da partícula, quando regulada à 14 mm, obteve-se tamanho médio de 16,3 mm e também não apresentou diferença significativa.

As pesquisa indicam que as partículas inferiores a 8mm devem ser entre 45% à 65, mas no estudo não se utilizou a regulagem menor que 10mm por não ser a utilizada na fazenda. São necessários mais estudos para referendar os resultados, entretanto toda a tecnologia envolvida na colheita com essa máquina também conduz a outros tipos de estudos já que dentro dos dados obtidos permite-se inferir que usando-se a velocidade máxima testada, de 9km/h, pode-se colher até 6,7 hectare por hora sem que ocorra interferência no tamanho médio da partícula.

As colhedoras de forragem autoprepelidas se destacam pela sua capacidade de trabalho.
As colhedoras de forragem autoprepelidas se destacam pela sua capacidade de trabalho. - Foto: Jani Vanini

Nesse sentido outros aspectos relacionados a capacidade operacional, necessidade de transbordos trabalhando em paralelo com a máquina, que atualmente são limitantes para o aumento da velocidade de trabalho da máquina, bem como outros ações relacionadas a mapeamento da colheita e tecnologia de agricultura de precisão, poderiam ser utilizados com o objetivo de melhorar a qualidade da silagem e obter um alimento com maior digestibilidade para o gado, promovendo uma melhor eficiência no uso de máquinas na pecuária de corte e leite.


Paulo Cesar Lima Silva, Jane M. B. Vanini, Zulema Netto Figueiredo, Eder Pedroza Isquierdo, Mariana Ferreira de Oliveira, UNEMAT – Cáceres – MT


Artigo publicado na edição 155 da Cultivar Máquinas. 

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