Avaliação de atomizadores na pulverização

A regulagem e a calibração dos pulverizadores são fundamentais para a eficiência na aplicação de produtos, controle de pragas e doenças, redução de gastos e ganhos de produtividade. No entanto, estudo mostrou que um mesmo equipamento pode apresentar grandes diferenças de vazão e assim comprometer a qualidade da operação.

A produção estimada de café, no Brasil, atingiu 51,37 milhões de sacas de 60kg (arábica e conilon) e o País possui cerca de 2,22 milhões de hectares de área plantada. A produção obtida em Minas Gerais em 2016 foi estimada em 30,72 milhões de sacas, sendo 30,42 milhões de Coffea arabica L.

A produção de café enfrenta dificuldades pela suscetibilidade da cultura a patógenos e insetos. Os insetos-praga são um entrave na produção cafeeira, podendo reduzir a produtividade e a qualidade da bebida quando influenciam na integridade estrutural dos grãos. O principal inseto-praga ligado à cafeicultura é o bicho-mineiro, Leucoptera coffeella. Com isso, o uso de aplicações de produtos fitossanitários é uma das alternativas para a redução de níveis populacionais do inseto-praga, visando a redução de perdas ocasionadas pelo mesmo.

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Contudo, as aplicações de produtos fitossanitários em culturas perenes, como é o caso do cafeeiro, são realizadas em altos volumes, buscando cobrir toda a superfície foliar das plantas, o que acaba resultando em perdas por escorrimento, devido ao excesso de calda aplicada, uma vez que esta é maior do que a máxima retenção de líquido pelas folhas da planta.

O emprego de técnicas e produtos que auxiliem na eficiência das aplicações deve ser priorizado nas áreas agrícolas. Há muito tempo têm sido utilizadas as mesmas pontas de jato cônico por um grande número de cafeicultores, para a aplicação de produtos fitossanitários nos cafeeiros. Estas pontas são empregadas, sobretudo, para a aplicação de inseticidas e fungicidas em pulverizadores hidropneumáticos dotados de assistência de ar (turboatomizadores). Dentro do grupo de jato cônico destacam-se as de jato cônico vazio, recomendadas para trabalhar com pressões de 2bar a 10bar, ângulos de abertura do jato entre 70° e 80º e produção de gotas finas, o que propicia melhores valores de cobertura e chegada do produto no alvo desejado, porém gotas finas estão mais sujeitas à deriva.

O desgaste de pontas de pulverização ao longo do uso pode ser evidenciado pela variação de vazões entre elas. Esta variação é denominada coeficiente de variação vertical de calda, onde apresenta um valor máximo de 5%. Para tanto, ao atingirem uma variação superior a esse limite, faz-se necessário a substituição das mesmas, visando uma melhor eficiência da aplicação realizada, juntamente com a eficácia dos produtos utilizados.

O desgaste de pontas de pulverização ao longo do uso pode ser evidenciado pela variação de vazões entre elas
O desgaste de pontas de pulverização ao longo do uso pode ser evidenciado pela variação de vazões entre elas.

Para a avaliação do coeficiente de variação vertical de calda em área comercial utilizou-se um pulverizador marca Jacto, modelo Arbus 2.000, equipado com bomba de pistão JP-150, com vazão de 150L/min, e ventilador axial de 850mm, tracionado por um trator marca Massey Ferguson, modelo 275, com 75cv de potência nominal, na velocidade de 4,73km/h, a rotação do motor e da tomada de potência (TDP), observada no conta-giros do trator, foi de 1.800rpm e 540rpm, respectivamente. O manômetro utilizado para regulagem da pressão de trabalho do pulverizador foi da marca Wika, com fundo de escala de 0 a 40kgf/cm², sendo utilizadas as pontas do tipo jato cônico vazio marca Jacto, modelo JA-2. O equipamento já estava em seu segundo ano de uso com as pontas originais que foram adquiridas junto com o equipamento.

Antes da avaliação pela equipe do trabalho, foram efetuadas a regulagem e a calibração do pulverizador pelo produtor. A metodologia utilizada foi a de três pontas em cada barra, para se proceder a calibração, determinando a vazão média das pontas (o volume de calda para a aplicação foi de 660L/ha, valor esse determinado pela assistência técnica da fazenda para o tratamento utilizado).

A fim de determinar o coeficiente de variação vertical de calda, foi efetuado o teste em todas as 26 pontas pela equipe (três pontas de cada lado do pulverizador foram desligadas a critério do produtor) sendo a coleta das vazões realizada com auxílio de uma proveta graduada de um litro com graduação de 10ml, coletando-se o líquido em um minuto, na pressão nominal de 600kPa.

Na calibração do turbo atomizador realizada pela equipe da fazenda, determinou-se que a vazão das pontas era de 0,8L/min, para aplicar o volume de calda recomendado pela assistência técnica. Porém, a fim de aferir o volume aplicado a equipe determinou a vazão em todas as 26 pontas do pulverizador.

A vazão média observada após levantamento em todas as pontas foi de 0,73L/min, efetuando-se os cálculos verificou-se que o volume de calda aplicado foi de 600L/ha, valor 10% menor que o recomendado, de 660L/ha. Isto ocorreu devido ao possível entupimento, à limpeza inadequada dos filtros e pontas, entre outros. Valendo ressaltar que para a amostragem das vazões, o produtor utilizou apenas seis pontas distribuídas nos ramais; sendo a determinação da velocidade de trabalho feita em chão batido, que afeta o volume aplicado devido a seu efeito na patinagem; e nas diferenças nos instrumentos de coleta utilizados, tais como provetas graduadas e copos calibradores.

O coeficiente de variação (CV) da vazão foi de 4% e 6% para os lados esquerdo e direito, respectivamente; sendo o CV geral do equipamento de 6%, este valor pode apresentar variações conforme o efeito do ventilador sobre a planta. Logo, pode-se dizer que o coeficiente obtido durante a inspeção foi inadequado, considerando um CV de 5% como recomendado. Isto pode inferir que as pontas podem estar com o orifício de saída danificado, porém, este dano é relativamente uniforme entre as pontas, o que demonstra um desgaste uniforme ao longo do tempo.

Essa diferença ocorre devido à obstrução do sistema hidráulico ocasionada pelo uso de produtos com baixa solubilidade, partículas presentes na água, água com altos valores de cálcio solúvel (água dura), linhas de condução amassadas, entre outros fatores que devem ser observados pelo produtor e pela assistência, visando o aumento da eficiência da aplicação.

Ao calcular a diferença de vazão entre os lados constatou-se 0,50L/min aplicados a mais no lado esquerdo em relação ao direito. Ao efetuar os cálculos do volume aplicado por hectare, teremos aproximadamente 16L/ha, aplicados a mais do lado esquerdo, multiplicando este valor pela área tratada (110 hectares), tem-se 1.760 litros de calda aplicados.

Logo, ressalta-se a necessidade que a regulagem e a calibração do pulverizador tornam-se indispensáveis, quando se visa à eficiência da aplicação e à redução de gastos. A troca das pontas se mostra uma alternativa para a redução dessas diferenças, visando-se uma melhor uniformidade de distribuição, consequentemente reduzindo gastos com defensivos e perdas para o ambiente do produto.

Renan Zampiroli, Cleyton Batista de Alvarenga, Paula Cristina Natalino Rinaldi, UFU

Artigo publicado na edição 174 da Cultivar Máquina

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