Avalização de colhedoras acopladas

Avaliação em campo aponta perdas na colheita de milho realizada por colhedora de duas linhas acoplada a trator agrícola.

A Região Sul representa grande participação da agricultura familiar no Brasil, sendo que o milho tem grande destaque de cultivo e uso dentro dessas propriedades. Os pequenos produtores de milho, no sistema de agricultura familiar, ainda dispõem bastante das colhedoras de uma ou duas linhas acopladas a tratores agrícolas, sendo este um fato justificado pelas pequenas extensões das propriedades e poucas áreas agricultáveis. Em muitas situações acaba não sendo economicamente viável a aquisição de grandes máquinas (colhedoras automotrizes) para essas pequenas áreas de lavoura. Dessa forma, muitos agricultores fazem uso de colhedoras acopladas, pois além de serem equipamentos de menor custo de aquisição e manutenção, ainda permite utilizar o trator agrícola já presente na propriedade. Essas máquinas acopladas aos tratores, por serem de baixo custo, não apresentam muitas tecnologias presentes nas colhedoras autopropelidas, o que muitas vezes possibilita perdas significativas durante o processo de colheita. Dentre todos os manejos exercidos durante o ciclo da cultura do milho, a colheita mecanizada é a última etapa do processo produtivo, exigindo grandes cuidados ao conduzi-la, pois quando executada sem o emprego de alguns critérios pode acarretar grandes perdas, aumentando o custo de produção e, consequentemente, redução na rentabilidade do produtor (Bertonha et al, 2012). Velocidades inadequadas no deslocamento da colhedora e umidade dos grãos são fatores que ajudam a elevar o número de perdas de grãos. Para reduzir a quantidade de perdas no processo da colheita mecanizada pode-se melhorar o grau de instrução dos operadores, fazer a manutenção periódica das colhedoras com regulagens eficientes, escolher uma correta velocidade de trabalho e o momento certo para iniciar a operação da colheita (Balastreire, 1987). No Brasil há grande uso e comercialização das colhedoras acopladas de milho e agricultores de diversas regiões do País não dispõem informações sobre as ideais condições operacionais dessas máquinas. Por isso, pesquisadores do Instituto Federal Catarinense realizaram estudo com o objetivo de quantificar as perdas durante a colheita mecanizada de milho com três velocidades de deslocamento e dois graus de umidade dos grãos da cultura do milho, utilizando uma colhedora de duas linhas acoplada a um trator agrícola. O experimento foi conduzido nos anos agrícolas 2015/2016 em uma área da Fazenda de Ensino, Pesquisa e Produção do Instituto Federal Catarinense (IFC) - Campus Rio do Sul, em Santa Catarina.

A colheita foi realizada através de uma colhedora da marca Jamil JM 380 acoplada ao trator, com sistema de fluxo axial.
A colheita foi realizada através de uma colhedora da marca Jamil JM 380 acoplada ao trator, com sistema de fluxo axial.

TESTE EM CAMPO

Antes da instalação do projeto foram retiradas amostras de solo na camada de 0cm-20cm formando uma amostra composta, que foi encaminhada ao laboratório de análise química de solo da região do Alto Vale do Itajaí da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina - Epagri. A adubação foi realizada conforme a interpretação da análise de solo e recomendação para a cultura do milho seguindo a recomendação do manual de adubação e calagem para os estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. A semeadura do milho foi realizada em novembro de 2015 e definida com uma população de seis plantas/m² e espaçada a 0,80m entre linhas, utilizando o Híbrido Convencional 30F53 da Pioneer Sementes. No decorrer do desenvolvimento da cultura foram realizadas pulverizações de acordo com as recomendações agronômicas de manejo e a adubação de cobertura conforme a recomendação da interpretação da análise de solo. Quando a cultura atingiu maturação fisiológica, amostras de grãos foram colhidas e medida constantemente a umidade dos grãos até se alcançarem os níveis desejados de umidade para análise a campo. A colheita mecanizada foi realizada através de uma colhedora da marca Jumil JM 380 acoplada ao trator, com sistema de fluxo axial, posicionada lateralmente, acoplada na barra de tração e no chassi do trator. A colhedora é composta por sistema despigador, de alimentação, de trilha, de separação e de limpeza, sendo que a mesma colhe duas fileiras de plantas por vez com abertura total da plataforma de 1,6m. A tração e o acionamento da colhedora foram realizado por um trator da marca New Holland, modelo TM 135 com Tração Dianteira Auxiliar, com 102kW de potência. O delineamento experimental utilizando para análise dos dados foi o de fatorial com dois fatores (três velocidades de deslocamento da colhedora versus dois graus de umidade dos grãos) contendo cinco repetições. As diferenças de umidade foram obtidas através da colheita em datas diferentes, sendo que a primeira colheita foi realizada quando a umidade dos grãos apresentava média de 26% e a segunda época de colheita foi realizada quando a umidade se apresentava em torno de 21%. As velocidades de colheita foram de 3km/h, 4,5km/h e 6km/h, respectivamente. As variáveis utilizadas para análise estatística foram as perdas dos grãos caídos no momento da passagem da plataforma de corte e os grãos caídos ao solo após passar pelo sistema de separação e limpeza com trilha. Para se quantificar as perdas foi utilizada a metodologia descrita por Mesquita et al (1998). No momento da colheita, parcelas com 50m de comprimento foram utilizadas, sendo que os primeiros 20m serviram para estabilizar o fluxo de grãos dentro da máquina e o restante das parcelas foi utilizado para quantificar os grãos perdidos. Para determinar as perdas de grãos através do impacto da plataforma de corte e nos mecanismos internos, que somados representaram a perda total, relativas à colhedora, foi utilizada uma armação de 2m² com dimensões variáveis de acordo com a largura de corte da plataforma, colocada no sentido transversal ao plantio das linhas. Os grãos soltos e aqueles contidos em sabugos encontrados no chão dentro da armação foram pesados e os valores transformados em kg/hectare. As amostras coletadas foram pesadas em balança analítica e posteriormente igualaram-se às umidades de ambas as amostras colhidas em épocas diferentes, de forma que não houvesse extrapolação dos resultados utilizando-se o valor de umidade utilizado para a comercialização dos grãos de milho de 13%. Os dados obtidos foram submetidos à análise de variância pelo teste F e a comparação de médias, pelo teste de Tukey, ao nível de 5% de probabilidade.

Armação utilizada para avaliar as perdas ocasionadas pela colhedora.
Armação utilizada para avaliar as perdas ocasionadas pela colhedora.

Na Tabela 1 encontra-se a síntese da análise de variância e teste de médias das perdas ocasionadas pela soma da plataforma e mecanismos de trilha, gerando as perdas totais ocasionadas pela colhedora. É possível notar que não houve diferença significativa entre as três velocidades de trabalho durante a colheita quando a umidade dos grãos se encontrava com 21%. Entretanto, quando a umidade dos grãos se encontrava em 26%, nas mesmas três velocidades, houve efeito significativo no aumento das perdas de grãos conforme o aumento da velocidade de colheita.

Young e outros pesquisadores já em 1953 constataram que as perdas no campo com colhedora acoplada ao trator aumentavam à medida que havia um acréscimo na velocidade de colheita, sendo que na época as máquinas eram menos tecnificadas, chegando a recomendar que a colheita fosse realizada com tratores utilizando primeira marcha para se deslocar. Vale ressaltar que os autores Ortiz e Cañavate, em 1993, relataram que velocidades de colheita de 4km/h geraram perdas totais variando de 3,5% a 10,5% da produção por hectare, podendo chegar até a dobrar esse valor de perdas quando a velocidade aumentava para próximo a 7km/h.

Em relação ao nível de umidade relacionado às perdas na colheita, foi possível notar que quando a lavoura apresentava umidade dos grãos próxima a 21% as perdas não foram muito expressivas. Contudo, quando a colheita foi realizada antecipada, com teor de umidade dos grãos de milho em 26%, as perdas de grãos caídos ao solo após passar pelos mecanismos de trilha e separação da colhedora foram superiores a 1,5 saco/ha, principalmente na velocidade de 6km/h. Os resultados encontrados neste trabalho se assemelham aos encontrados por Loureiro em 2012, que avaliou as perdas quantitativas ocorridas na colheita mecanizada do milho cultivado em espaçamentos reduzido e convencional, onde foram observadas perdas superiores a 1,5 saco/ha para perdas na plataforma e mecanismos internos.

Acamamento da cultura pode resultar em maiores perdas e grãos ardidos.
Acamamento da cultura pode resultar em maiores perdas e grãos ardidos.

Segundo Sgarbi (2006), na medida em que os grãos vão secando na lavoura, melhora o desempenho da colhedora, tanto na plataforma quanto nos mecanismos internos (trilha e separação), fato também apontado por Portella (2003). Porém, quanto mais tempo a cultura levar para sair do campo, maiores são as chances de haver acamamento. Do contrário, quando se retira a cultura antecipadamente do campo com teores de umidade elevados, o produtor precisa levar em consideração a necessidade e a disponibilidade de secagem, o gasto de energia com secagem, os riscos de deterioração, além do aumento das perdas nos mecanismos de trilha (Quick e Buchele, 1978). De maneira geral, as perdas de grãos caídos ao solo após a passagem da plataforma de corte e passagem pelos mecanismos internos da colhedora foram altas, sendo que na umidade de 26% as perdas foram superiores em relação a quando estava em 21%, uma vez que, conforme houve aumento da velocidade de colheita, houve acréscimo nas perdas de grãos. Os valores médios estão representados a seguir.

Figura 1 - Média de perdas em quilogramas por hectare em função de dois graus de umidade e três velocidades de deslocamento no momento da colheita
Figura 1 - Média de perdas em quilogramas por hectare em função de dois graus de umidade e três velocidades de deslocamento no momento da colheita


Dionata Hotz, Fabrício C. Masiero, Ricardo K. Veiga, Adelino Do Amaral, Marlon Goede, IFC - Campus Rio do Sul


Artigo publicado na edição 168 da Cultivar Máquinas

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