Básico, mas versátil

O trator MF 283 pode parecer no vidade a alguns brasileiros, pois ele é visto com mais freqüência em nosso mercado desde o ano 2000. Mas na verdade é fabricado em Canoas (RS) desde 1987 na versão 4x2 e desde 1996 na versão com Tração Dianteira Auxiliar, visando o mercado de exportação. Como há algum tempo as empresas se deram conta de que nossa agricultura é tecnologicamente tão avançada quanto ou até superior a tradicionais mercados externos, estão disponíveis também no mercado interno alguns produtos até então exportados apenas. É o caso deste MF.

Cultivar Máquinas foi conhecer este modelo no município gaúcho de Senador Salgado Filho, com o apoio da concessionária Pippi Máquinas de Giruá-RS. A propriedade de Waldemar Kelm e Filhos foi disponibilizada para o test drive, em uma área onde se acabava de colher milho. Como lá existem dois tratores do mesmo modelo um foi equipado com um pulverizador de barras e o outro com uma semeadora de precisão de arrasto. Uma característica não muito comum em especificação de tratores é um grande número de itens que podem ser escolhidos pelo cliente. Não são opcionais, são itens de série, que podem ser de um tipo ou outro, conforme poderá ser visto na lista de especificações. Nossas impressões estão registradas a seguir.

Motorizacão

O motor que fornece 86 CV (63,3 kW) a 2200 rpm medidos pela norma DIN, ou 82 CV (60,3 kW) se medidos pela ISO (mais próxima da Norma Brasileira) é um diesel de 4 tempos, marca Perkins, modelo P 4000 de 4 cilindros em linha, aspiração natural. A cilindrada de 4.100 cm3 e injeção direta permite torque de 319 Nm (32,5 mkgf), tendo seu pico a 1200 rpm, o que permite operação em baixa rotação com bom desempenho, e baixo consumo específico. Esta característica pode não ser tão bem aproveitada com o uso da Tomada de Potência, pois a rotação nominal da TDP a 540 rpm é com 1900 rpm no motor. A máxima potência na TDP é de 72 CV (DIN) ou 69 CV (ISO)

Transmissão

A primeira parte da transmissão (que está montada solidária ao motor), é uma embreagem tipo disco duplo seco, de acionamento mecânico. A caixa de câmbio mecânica pode ser de 12 velocidades à frente e 4 à ré (uma construção clássica da Massey Ferguson inglesa, com 3 marchas principais, um redutor na entrada da caixa de câmbio e uma reduzida epicíclica na saída), ou de 8 velocidades à frente e 2 à ré (caixa de 4 marchas com reduzida epicíclica na saída).

Da caixa de câmbio o movimento é levado ao diferencial que possui bloqueio mecânico de acionamento por pedal e transmissão final epicíclica.

A tração dianteira auxiliar é provida por um eixo ZF com bloqueio automático e que pode ter acionamento (opção) central ou lateral (caso no qual se consegue um ganho de vão livre e de ultrapassar obstáculos). Pela sua construção, a troca de marchas exige um certo esforço adicional.

(Veja no final do texto como visualizar este artigo, com fotos e tabelas, em PDF).

Manobrabilidade

Com uma distância entre eixos de 2,135 m (4X2) e 2,37 m (4X4 TDA) e bitolas variando de 1,39 m a 1,99 m (dianteira 4X2) e 1,645 a 2,04 m (4X4 TDA) e traseiras de 1,56 a 2,165 m o trator consegue bons raios de giro como 3,56 m (4X2) e 3,75 m (4X4 TDA) com a aplicação de freios, ou 4,01 m (4X2) e 4,22 m (4X4 TDA). Em áreas com pouco espaço, o MF 283 consegue ser ágil nas manobras mais exigentes.

Direção e freios

A direção é hidrostática com bomba independente de engrenagens.

O freio é de discos nas rodas traseiras, com 4 discos em banho de óleo em cada semi-árvore, de acionamento mecânico. O freio de estacionamento é atuado sobre os pedais direcionais.

Operador

O operador trabalha protegido por arco de segurança (ROPS). No mesmo arco está fixada uma cobertura, que é equipamento padrão. Os instrumentos e controles estão posicionados na posição clássica central. O projeto dos comandos é bom, com o único senão para o comando do acelerador, que quando do acionamento manual está “invertido” com relação aos modernos conceitos de segurança operacional, isto é, a aceleração é feita de encontro ao corpo do operador. Seria interessante que a aceleração se desse no sentido de afastamento do corpo, pois em situação de perigo o homem tem a tendência de encolher os braços, e faria instintivamente a desaceleração. É uma alteração simples de ser feita, mas que pode ocasionar um significativo aumento de segurança para o operador

O assento ergonômico com suspensão com molas e amortecedor é ajustável em altura e posição.

Design

Absolutamente clássico, de acordo com o perfil da marca. Os comandos são firmes, podendo exigir um pouco menos de esforço. Um outro problema a ser solucionado é o degrau de acesso à plataforma, estreito, sem superfície antiderrapante, e bem mais alto que o preconizado pela norma. Ao descer o operador não tem visibilidade sobre o degrau, o que pode ocasionar quedas ou contusões nas pernas, caso ele não acerte o pé no estreito espaço do mesmo.

Sistema hidráulico

O sistema hidráulico também é o clássico, com capacidade de levante de 2100 kgf, ou com os opcionais pistões externos de 2500 kgf. A pressão de trabalho é ótima, com alívio a 210 bar (214 kgf/cm2). Uma limitação está no caudal da bomba (fluxo) que é de apenas 17 litros/min. Para uso de acionamentos remotos ou comandos externos o fluxo é de 42 l/min, com alívio a 170 bar. Opcionalmente podem ser adquiridas uma ou duas válvulas de controle remoto independentes.

Impressões gerais

A Massey é líder de mercado há várias décadas no Brasil e em alguns mercados externos. O repotenciamento de um produto vencedor, como o MF 275, e sua posterior evolução, criou outro produto de ampla aceitação no mercado, ajustado à sua faixa de potência e preço. O preço médio da versão 4x4 sem cabine é de R$ 86.000,00 e, na versão cabinada, pode chegar a R$ 105.000,00. Estes preços são válidos para o do Rio Grande do Sul mas podem variar, dependendo do índice de ICMS incidente em cada Estado. O ponto marcante é que a máquina tem tecnologia desenvolvida com base em nossas condições, mais severas que aquelas encontradas em países mais avançados tecnologicamente. A durabilidade e confiabilidade devem ser levadas em conta na hora da opção da compra. Tantos produtores não podem estar errados! AD

Equipe Cultivar Máquinas

* Este artigo foi publicado na edição número 27 da revista Cultivar Máquinas, de fevereiro de 2004.

* Confira este artigo, com fotos e tabelas, em formato PDF. Basta clicar no link abaixo:

/arquivos/m27_basico.pdf ver mais artigos
CADASTRO DE NEWS
  • Receba por e-mail as últimas notícias sobre agricultura