Bem nutrido o feijão produz muito mais

A exigência nutricional da planta é um componente da produtividade de alta significância, que varia de acordo com a cultivar, fertilidade do solo, disponibilidade de água, condições climáticas e produtividade desejada. O feijoeiro é uma planta exigente em nutrientes, face ao seu ciclo biológico relativamente curto (60 - 100 dias).

Esse fator é representado basicamente pelo acúmulo de nutrientes, principalmente na época de floração. O estado nutricional do feijoeiro pode ser avaliado através de análise química de folhas e/ou observação de sintomas visuais de deficiências nutricionais.

Chama-se a atenção para um aspecto de ocorrência comum: às vezes o feijoal apresenta-se com folhagem de boa coloração e saudável, entretanto pode ter deficiência de um ou mais nutrientes que somente é revelada pela análise química da folha. A esse evento dá-se o nome de fome oculta ou disfarçada. Por isso é que se aconselha o monitoramento da lavoura.

Pela análise química das folhas (diagnose foliar) se avalia o estado nutricional da planta e, indiretamente, a fertilidade do solo, pela determinação dos teores de nutrientes contidos nas folhas cujos distúrbios nutricioniais são mais evidentes.

Trata-se de método muito útil para a correção da deficiência de nutrientes, principalmente quando se correlaciona os resultados com os da análise química do solo e/ou com o aspecto visual da planta. Há laboratórios que fornecem os resultados em aproximadamente seis dias. Houve grande evolução nesse aspecto.

Amostragem de folhas

Deve-se coletar a primeira folha completamente desenvolvida e sadia, a partir da ponta da haste principal, no início da floração, em número de 20-30 folhas/amostra.

O teor adequado pode ser definido pela faixa crítica interna, isto é, a faixa de concentração do nutriente no tecido foliar, abaixo da qual a planta pode sofrer de carência nutricional e acima da qual pode ocorrer fitotoxicidade ou não provocar aumento de produção. Quando os teores encontrados nos tecidos foliares forem inferiores aos níveis críticos, há necessidade de fazer adubação adicional para suprir a exigência do feijoeiro.

A interpretação dos resultados analíticos da folha não é feita pela simples comparação com os níveis críticos. Demanda conhecimento da cultura, das relações entre nutrientes, da interferência do clima no crescimento e desenvolvimento, da adubação usada e na fertilidade do solo, de pragas e doenças, etc. Mas mesmo assim, tem sido um instrumento de grande valia para monitorar o estado nutricional da planta.

Diagnose visual

Como regra geral, os sintomas visuais de deficiência nutricional são mais característicos do que os de excesso de nutrientes.

Esse método determina, de maneira prática e rápida, a existência de deficiência mineral na planta, embora não quantifique a falta do nutriente. É um método subjetivo, que depende muito da experiência do profissional e torna-se mais difícil quando mais de um nutriente está deficiente.

Para se obter uma diagnose visual com maior acerto, deve-se recorrer a algumas informações adicionais, como análise do solo, textura e umidade do solo, condições climáticas, adubos e defensivos agrícolas usados e histórico da área, não esquecendo também de escanlinar as raízes do feijoeiro.

É muito importante fazer adubação básica, quantitativa, qualitativa e de maneira equilibrada porque as deficiências nutricionais expressas por sintomas visuais, quando corrigidas tardiamente, às vezes podem desaparecer, mas certamente já comprometeram a produtividade.

Os sintomas de deficiência de nutrientes menos móveis ou imóveis manifestam-se primeiro nas folhas jovens, e os móveis nas folhas velhas. Já os sintomas de excesso aparecem primeiro, normalmente, nas folhas mais velhas.

Há na literatura descrições e fotografias coloridas de deficiências e fitotoxicidades nutricionais, tornando-se mais fácil a sua identificação no campo. Chama-se atenção para os danos causados por produtos químicos, que muitas vezes pode levar a interpretação errada, por fitotoxicidade.

Os teores expressos em g/kg substituem o sistema antigo de percentagem (%). Como 1% é igual a 1 g/100g, 1 g/1000g ou g/kg, corresponde a 10 vezes mais. Desse modo, tendo-se o valor em porcentagem, para se obter g/kg, é só multiplicar por 10. No caso dos micronutrientes, antes os seus valores eram expressos em ppm (partes por milhão) e atualmente em mg/kg, o que corresponde ao mesmo valor.

Arnoldo Junqueira Netto
UFLA

* Este artigo foi publicado na edição número 07 da revista Cultivar Grandes Culturas, de agosto de 1999. ver mais artigos
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