Benefícios do piloto automático em máquinas agrícolas

A utilização do piloto automático em tratores, além de facilitar o trabalho do operador, reduz consideravelmente erros de espaçamento e sobreposições no plantio e em aplicações diversas.

A mecanização agrícola visa utilizar adequadamente os equipamentos por meio da otimização e racionalização dos custos. Com o mesmo intuito, surge o conceito de Agricultura de Precisão, que pode ser aplicado em qualquer etapa de produção e tem como objetivo otimizar recursos, reduzir custos e elevar a produtividade, além de reduzir impactos ambientais.

O solo é um dos recursos mais importantes para o desenvolvimento ideal das culturas, por isso deve ser manejado criteriosamente. Quando utilizado de maneira inadequada, com o tráfego intenso de máquinas agrícolas, por exemplo, pode provocar perturbações como a compactação do solo, dificultando o crescimento radicular, a infiltração de água, causando empoçamento e, consequentemente, a erosão.

Para minimizar esse tipo de problema, pesquisadores recomendam o controle de tráfego de maquinários agrícolas por meio do ajuste de bitola, assim como a utilização do piloto automático que monitora via satélite veículos em operação e tem como um dos principais benefícios a possibilidade de planejar estas operações de forma mais racional.

O controle de tráfego é uma alternativa para minimizar os efeitos ocasionados no solo pela pressão exercida sobre eles de acordo com o peso dos maquinários, ocorrendo a separação nas zonas de tráfego das principais linhas de crescimento da planta, buscando a otimização do talhão, proporcionando maior capacidade operacional, produtividade e ganhos econômicos ao produtor, com a racionalização do combustível por intermédio das operações planejadas.

Aliado ao controle de tráfego, a utilização do piloto automático para o direcionamento das máquinas agrícolas é de grande importância em operações de campo, de tal forma que o deslocamento ocorra sempre paralelo a uma linha de referência, o que resulta na maior uniformização do espaçamento, com melhor aproveitamento do terreno e menor tráfego sobre as linhas de cultivo.

Para o funcionamento do piloto automático é necessário que o trator possua uma antena receptora do sinal de posicionamento por satélite, captando sinais a uma distância de até 30km da estação fixa de correção de sinal, favorecendo a localização precisa do veículo.

Com a utilização do piloto automático, é possível efetuar a integração das operações automatizadas sob uma mesma base de dados. Além disso, possibilita melhorar o rendimento e gerenciamento da propriedade, possibilitando determinar o melhor percurso a ser efetuado no campo mediante a quantidade de manobras e locais de abastecimento.

O piloto automático usado no plantio de cana-de-açúcar pode oferecer acurácia de três centímetros entre as passadas, cerca de cinco vezes maior do que aquela obtida no direcionamento manual, possibilitando maior quantidade de linhas de plantio por área. Entretanto, isto ainda pode variar de acordo com as condições de cada propriedade.

Outra vantagem do piloto automático é a redução de erros entre as passadas, diminuindo para o operador a função de direcionamento manual pelo direcionamento automático do maquinário em operação. Com isso, é possível aumentar turnos de operação pela possibilidade de se trabalhar também no período noturno.

O alinhamento correto das linhas de semeadura proporcionado pelo piloto automático pode exercer influência no nível de luminosidade, intensidade de radiação solar e molhamento foliar, dentre outras variáveis, com consequente efeito no desempenho agronômico das plantas.

Estudos mostram que o piloto automático diminui as sobreposições e falhas na aplicação de defensivos ou fertilizantes, proporciona redução nas perdas por esmagamento das linhas de plantio, propicia o aumento da velocidade operacional, menor consumo de combustível, devido ao controle do tráfego, à sistematização do terreno e à maior acurácia nas operações.

A adoção do piloto automático hidráulico pode proporcionar maior aproveitamento.
A adoção do piloto automático hidráulico pode proporcionar maior aproveitamento.

TESTE DE CAMPO

Para aprofundar o conhecimento sobre os benefícios do piloto automático na agricultura foi efetuado na safrinha de 2015 na Unesp, no Campus de Jaboticabal, a semeadura de amendoim em dois sistemas de preparo do solo, convencional (uma aração e duas gradagens) e preparo localizado (RipStrip). Neste segundo utilizou-se o trator da marca Massey Ferguson, modelo 7370, acoplado ao equipamento RipStrip. Nesta operação utilizou-se o piloto automático que possibilita erros menores que 2,5cm – RTK (Posicionamento Cinemático em Tempo Real), visando obter maior precisão e exatidão entre as passadas. Na semeadura de amendoim utilizou-se a semeadora da marca Tatu Marchesan com sistema pneumático de distribuição de sementes.

O sistema de navegação de máquinas agrícolas foi realizado por meio do piloto automático hidráulico, sendo considerado o mais eficiente em relação aos demais sistemas. O sistema utilizado, denominado Auto Guide 3000, possui monitor touchscreen, com funções intuitivas que visam o controle de tráfego, pulverizações com corte automático em seções que originam um projeto em formato de Shape, conforme a área trabalhada, e também possibilita efetuar operações nos dois sentidos de deslocamento.

O piloto automático permite trabalhar com linhas de referência sendo previamente desenhadas no monitor fixado na cabine do trator, por meio do trajeto feito na área; as linhas laterais são projetadas de acordo com a linha de referência e outras informações devem ser preenchidas no mesmo, como o espaçamento da cultura entre as hastes do equipamento, distâncias entre linhas de semeadura, velocidade de trabalho, entre outros.

Após o preenchimento dos dados no monitor, o operador realiza um trajeto por intermédio das bordas da área desejada, imediatamente esse percurso é registrado no computador de bordo do trator. Posteriormente, o trator desloca na área acompanhando o formato do talhão, onde é criada a linha de referência (A → B) e a partir dela são criadas as linhas laterais.

Semeadura mecanizada de amendoim utilizando o piloto automático hidráulico acoplado no trator.
Semeadura mecanizada de amendoim utilizando o piloto automático hidráulico acoplado no trator.
Antena com base RTK.
Antena com base RTK.

Com a utilização desse sistema o operador tem a necessidade de criar apenas uma linha de referência (linha A → B) definindo o espaçamento entre as passadas, e o software do equipamento replica infinitas passadas à direita e à esquerda da linha de referência. O posicionamento do veículo é corrigido automaticamente por atuadores no volante ou diretamente no rodado, como também a realização de manobras manuais em locais arriscados (por exemplo, em cabeceira ou barranco) desde que tenha um mapa da área definida no monitor para que o piloto automático efetue a manobra sem colocar o operador em risco.

A adoção do piloto automático hidráulico pode proporcionar ao agricultor maior aproveitamento do terreno por meio da sistematização, maior precisão entre as passadas, facilitar o monitoramento do tráfego dos equipamentos agrícolas, reduzir a compactação do solo na lavoura, entre outros benefícios.

A utilização do piloto automático mostra-se ser uma ferramenta que diminui o erro de paralelismo entre as passadas do conjunto trator-implemento, assim, proporcionando o espaçamento entre linhas mais próximo do desejado do que quando operado manualmente, além de evitar perda de área quando há erro do operador para espaçamentos maiores do que o desejado, e competição entre as plantas quando há erro do operador para espaçamentos menores do que o desejado. Além disso, a qualidade da operação, quando realizada com o piloto automático, se mostra bem mais qualificada.

Com a realização dos testes em campo, foi possível concluir que o uso do piloto automático mostra-se ser uma ferramenta importante para a correta implantação da cultura e apresentar menores perdas na colheita, além de operações com maiores precisão e qualidade.


Franciele Morlin Carneiro, Antonio Tássio Santana Ormond, Cristiano Zerbato, Elizabeth Haruna Kazama, Lucas Augusto da Silva Girio, Aline Spaggiari Alcântara, Carlos Eduardo Angeli Furlani, FCAV/Unesp; Daniel de Stefani, Massey Ferguson


Artigo publicado na edição 161 da Cultivar Máquinas. 

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