Cebola - Aplicação contra o Tripes

Atualmente o Estado de Santa Catarina é o maior produtor de cebola do Brasil, com uma área cultivada de aproximadamente 22 mil hectares, em quase todos os municípios do Estado, mas a área de produção está concentrada nas microrregiões de Ituporanga, Rio do Sul e Tabuleiro, com 76% da área plantada e 85% da produção anual.

A principal praga da cebola no Estado de Santa Catarina é o tripes ou piolho da cebola, Trips tabaci. Os insetos são pequenos (1 mm de comprimento) e se alojam na parte interna da folha na região da bainha. A sua população é composta basicamente de fêmeas, reproduzindo-se por partogênese, ou seja, não depende do macho para a reprodução. Os sintomas de danos causados pelo tripes são as manchas principalmente na parte interna da folha, iniciando-se com uma coloração esbranquiçada evoluindo para prateadas. Com o aumento da intensidade de ataque dessa praga ocorre retorcimento, amarelecimento e seca das folhas, isso proporciona a diminuição do tamanho e peso dos bulbos, e conseqüentemente a redução da produtividade. O tombamento das plantas no período de maturação pelo ataque severo de tripes favorece a penetração de água das chuvas e/ou irrigação até o bulbo, causando perdas por apodrecimento durante a armazenagem. Além desses prejuízos, o ataque das pragas predispõe à planta a entrada de doenças, como mancha-púrpura, Alternaria sp.

Assim, para definir qual a melhor tecnologia de aplicação de inseticidas para o controle do tripes realizou-se na EPAGRI/Estação Experimental de Ituporanga, um experimento para determinar qual o efeito no controle quando se utilizam diferentes pontas e volumes de calda nas pulverizações para o controle dessa praga. As pontas utilizadas nas pulverizações e os volumes testados, conforme Tabela 1 (veja no final do texto como visualizar este artigo em PDF), foram com os do tipo leque e cone, utilizando um pulverizador manual de pressão constante com CO2, na pressão de 3 bares (45 lbf/pol2). Os resultados mostraram que a redução populacional de tripes foi semelhante entre os diferentes volumes de calda e tipos de pontas de pulverização utilizadas.

A produtividade média e o peso médio de bulbos comerciais acima de 4 cm de diâmetro, também não apresentaram diferenças significativas entre os diferentes tratamentos aplicados. Portanto, tanto com as pontas de pulverizações do tipo cone quanto leque aplicando-se volumes de calda entre 236 e 788 L/ha, apresentaram a mesma eficiência no controle de T. tabaci em cebola. Do ponto de vista econômico a redução do volume de calda apresenta diversas vantagens para o produtor, como menor custo de aplicação pela diminuição do tempo gasto no deslocamento para abastecimento, na possibilidade de redução do número de equipamentos, pela disponibilidade do trator para outras atividades na propriedade e por reduzir a depreciação do conjunto trator pulverizador. A soma de todos esses fatores será a redução do custo de produção da cultura.

Paulo A. de S. Gonçalves e Luiz Antonio Palladini
Epagri

* Este artigo foi publicado na edição número 08 da revista Cultivar Hortaliças e Frutas, de junho/julho de 2001.

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