Com alto valor agregado na produção, algodoeiros precisam de cuidados especiais com a presença de nematoides

Em uma primeira leitura, podemos dizer, sem risco de imprecisão ou exagero, que o algodão é um dos produtos mais presentes na cadeia produtiva do planeta, servindo de alimento ao vestuário de milhões de pessoas ao redor do mundo. Porém, mesmo com todo esse protagonismo no cotidiano humano, pouco se divulga sobre as etapas que antecedem seu consumo, caracterizadas pelo cultivo e manejo de lavouras do algodoeiro no País.

Com uma produção estimada de 1.964,7 mil toneladas de pluma para a safra 2017/18, 28,5% a mais que o período anterior, de acordo com dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), e presente, em sua maior parte, nos estados de Mato Grosso, Bahia, Goiás e Minas Gerais, o algodão demanda altos custos de produção. Contudo, a partir do momento em que a etapa de investimento é superada, o cultivo se torna responsável por uma expressiva geração de renda para os produtores, impactando profundamente nos indicadores de desenvolvimento econômico e social das regiões onde estão as lavouras. Para que este sucesso seja alcançado e mantido, é fundamental que o produtor tenha as informações corretas e adequadas sobre os perigos inerentes à cultura.

Por conta das dificuldades de adaptação ao clima tropical do Brasil, o algodoeiro é altamente sensível a determinadas doenças, sendo os nematoides causadores das mais danosas às plantas. A presença destes organismos parasitando as raízes, dificulta a tomada e o transporte de água e nutrientes do solo para as plantas, prejudicando o desenvolvimento e a qualidade do produto. Anualmente, as perdas com esses parasitas podem chegar a R$ 1,5 bi aos cotonicultores brasileiros.

Um ponto crucial para o enfrentamento desta praga está, sobretudo, no conhecimento adquirido sobre sua atuação. Por se desenvolverem abaixo do solo, os nematoides dificilmente são visualizados na etapa inicial, o que transmite ao agricultor a sensação ilusória de que a lavoura opera normalmente. Diante disto, ele deve encarar a questão de forma permanente e preventiva, com a consciência de que, a qualquer momento, suas terras podem ser afetadas por esses organismos.

Para isso, realizar o manejo integrado de nematoides como a rotação de culturas, o controle químico, biológico e genético são alguns dos exemplos de atividades que devem ser rotineiras para o agricultor. O monitoramento por amostragem, junto aos laboratórios e profissionais qualificados, também deve ser levado em consideração para que seja possível indicar os efeitos dos nematoides e auxiliar o agricultor na tomada de decisões posteriores ao diagnóstico.


Por Rafael Galbieri



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Por Rafael Galbieri, engenheiro agrônomo e pesquisador fitopatologista do Instituto Mato-grossense do Algodão (IMA-MT)