Como minimizar os erros na operação do plantio

O Projeto Inspeção Periódica de Semeadoras segue o mesmo caminho realizado pelo projeto de pulverizadores com o objetivo de eliminar ou minimizar os erros na operação do plantio.

Uma das etapas mais importantes dentro de um contexto amplo de produção agrícola é a semeadura, pois, nessa etapa, estão os maiores custos e as maiores tecnologias, por isso a importância de fazê-la sem falhas ou com o mínimo possível delas. O maior problema de errar em uma semeadura é que não há como corrigir, ou seja, uma semente mal colocada no solo, ou não colocada, vai levar a uma falha, e essa não será mais corrigida naquela safra.

Fato comum no meio rural é a aquisição de produtos com alto custo que trazem a promessa de realizar serviços de precisão, mas que nem sempre correspondem às expectativas do produtor no campo. Os motivos desta insatisfação são variados, principalmente devido ao uso da máquina de forma inadequada, ou seja, no caso de semeadoras, sem a regulagem adequada, devido à falta de conhecimento do produtor que a adquiriu. Como consequência, não se tem o resultado esperado, frustrando o produtor na hora da colheita.

O Projeto IPS (Inspeção Periódica de Semeadoras) tem por objetivo desenvolver metodologias e tornar realidade a implementação de um sistema de inspeções periódicas pelo Brasil. Este projeto foi lançado para dar sequência ao Projeto IPP (Inspeção Periódica de Pulverizadores), desenvolvido na FCA Unesp/Botucatu desde a década de 1990 e que representa até hoje uma das principais ações organizadas de incentivo à atividade de inspeção periódica de máquinas agrícolas na América Latina.

Diversos estudos publicados nos últimos anos mostram que ainda é grande o percentual de falhas, devido aos erros de calibração e à deficiência de manutenção das semeadoras em uso no Brasil, sendo que a situação não é diferente nos demais países latino-americanos. Por esta razão, a inspeção periódica é considerada uma das ferramentas mais eficazes para a redução dos prejuízos causados por estes problemas no campo.

O Projeto IPS foi idealizado e está sendo desenvolvido pelo Grupo de Plantio Direto (GPD) da Faculdade de Ciências Agronômicas Unesp de Botucatu, que tem trabalhado com pesquisa e desenvolvimento envolvendo máquinas de plantio, semeadura e adubação, visando diminuir custos, minimizar gastos energéticos e promover a sustentabilidade na produção agrícola.

Fazem parte deste grupo de pesquisa alunos de graduação da FCA (Agronomia, Engenharia Florestal e Zootecnia), assim como mestrandos e doutorandos do programa Energia na Agricultura e professores da área de Máquinas e Mecanização Agrícola do Departamento de Engenharia Rural da FCA.

O principal conceito que dá suporte ao desenvolvimento do Projeto Inspeção Periódica de Semeadoras é a busca pela excelência em plantabilidade, que é a característica de desempenho da semeadora visando a correta distribuição longitudinal das sementes no campo. Esse fator contribui para a obtenção de um estande adequado de plantas na cultura, promovendo a melhoria de desempenho do sistema e a otimização de recursos (sementes, fertilizantes, combustíveis, mão de obra etc). Em suma, o bom desempenho na plantabilidade é um fator decisivo na busca pela sustentabilidade do agronegócio no Brasil.

Para se ter a noção da importância do conceito da plantabilidade, dados de empresas que comercializam sementes apontam que numa cultura de milho, para cada 10% de aumento no Coeficiente de Variação do espaçamento entre sementes, perde-se 1,5 saco de grãos produzidos por hectare de lavoura implantada.

Apesar das tecnologias existentes, as falhas no plantio ainda existem.
Apesar das tecnologias existentes, as falhas no plantio ainda existem.

Em relação a perdas, no que se refere ao uso de semeadoras-adubadoras, diversos fatores interferem no estabelecimento do estande adequado de plantas, destacando-se, principalmente, a uniformidade de tamanho das sementes, a profundidade de deposição das sementes e adubos no solo, a velocidade de deslocamento da máquina, a quantidade de sementes e adubos depositados no solo, a distância entre as sementes na linha de semeadura, a pressão correta das ferramentas contra o solo, entre outras.

A estrutura para as inspeções nas semeadoras conta com uma unidade móvel (caminhão Ford 250), a qual transporta os equipamentos necessários para as avaliações até as propriedades rurais.

Além da avaliação de plantabilidade da semeadora-adubadora, a metodologia da inspeção é realizada por meio de checklist com a identificação do proprietário, da propriedade, da máquina; características de qualidade, quantidade, segurança e tecnologia utilizada. As visitas e inspeções já estão sendo realizadas por todo o estado de São Paulo e o primeiro objetivo é a publicação de tese e artigos científicos com os dados obtidos.

O Projeto IPS se posiciona, portanto, como uma ferramenta importante na busca de possíveis soluções para os problemas comumente encontrados na operação das semeadoras-adubadoras de precisão, colaborando para a busca da racionalização do uso de energia e insumos, com reflexos na sustentabilidade do sistema de produção.

O objetivo do Projeto de Inspeção Periódico de Semeadoras é dar suporte aos produtores, garantindo que a máquina esteja em condições ideais de uso e que os operadores saibam como utilizá-la corretamente.
O objetivo do Projeto de Inspeção Periódico de Semeadoras é dar suporte aos produtores, garantindo que a máquina esteja em condições ideais de uso e que os operadores saibam como utilizá-la corretamente.
O objetivo do Projeto de Inspeção Periódico de Semeadoras é dar suporte aos produtores, garantindo que a máquina esteja em condições ideais de uso e que os operadores saibam como utilizá-la corretamente.
O objetivo do Projeto de Inspeção Periódico de Semeadoras é dar suporte aos produtores, garantindo que a máquina esteja em condições ideais de uso e que os operadores saibam como utilizá-la corretamente.

Importância de evitar pequenos erros no plantio

Um exemplo de erro muito comum, que inclusive já foi detectado em muitas pesquisas realizadas pelo GPD, são as falhas na semeadura, ou seja, a quantidade inadequada de sementes e fertilizantes colocada no solo.

Tomando como exemplo a seguinte situação, temos:

Área a ser cultivada: 100 hectares

Cultura a ser instalada: milho

Valor da saca do grão: R$ 28,00 (abril de 2015)

Espaçamento da cultura: 0,7 metro

Metros lineares em um hectare: 14.285 metros

Sementes colocadas por metro: 4,8 sementes

Falha: 1 semente a cada 5 metros de linha

14.285/5 = 2.857 sementes não colocadas em um hectare. Imaginando que cada semente seja uma planta e cada planta produza uma espiga com aproximadamente 0,300kg de grãos, isso daria: 857,1kg, ou seja, 14,3 sacas (60kg) a menos de produção. Transformando isso em valores seria R$ 400,00 em um hectare, deste modo, R$ 40.000,00 em 100 hectares semeados. 

Unidade Móvel utilizada para realizar as inspeções periódicas.
Unidade Móvel utilizada para realizar as inspeções periódicas.


Paulo Roberto Arbex Silva, Unesp Botucatu


Artigo publicado na edição 152 da Cultivar Máquinas. 

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