Como minimizar perdas na colheita de algodão adensado

Na colheita de algodão adensado as perdas podem ser maiores por conta do tipo de colhedora e plataforma utilizadas.

Atualmente, o algodão é  produzido por mais de 60 países, nos diferentes continentes. Os países que se destacam como os principais produtores da fibra são Índia, China, Estados Unidos, Paquistão e Brasil. Os maiores exportadores são Estados Unidos, Índia, CFA Zone, Brasil e Uzbequistão. No Brasil, o estado de Mato Grosso é o maior produtor, seguido pela Bahia. O maior desafio dos estados produtores é a busca para produzir fibras de qualidade que atendam aos interesses da indústria têxtil, além da redução das perdas no processo de colheita, beneficiamento e armazenamento, de forma a aumentar a lucratividade da cotonicultura brasileira.

O cultivo de algodão adensado no estado de Mato Grosso responde por 10% da área total plantada com essa cultura. O espaçamento utilizado entre linhas é de 45cm para este tipo de plantio, e para o convencional são utilizados os espaçamentos de 76cm e 90cm.

A colheita do algodão adensado é realizada utilizando dois tipos de máquinas: picker VRS e stripper. No sistema picker VRS as unidades possuem espaçamento variável (VRS) e têm a capacidade de colher linhas mais estreitas. Um mecanismo de corte à frente e à direita do tambor com fusos corta a linha, direcionando este material para a linha sem cortes. As linhas que não foram cortadas são colhidas de forma normal com os fusos. A máquina equipada com esta plataforma pode colher linhas de 45cm a 50cm de espaçamento.

A colheita com as plataformas do tipo stripper consiste no arranquio dos capulhos inteiros da planta, direcionando-os para o cesto da máquina, depois de uma etapa de pré-limpeza do algodão em caroço na maioria das vezes, por meio do extrator tipo HL posicionado em cima da máquina. Este método presente no estado de Mato Grosso colhe o algodão de sistema adensado, semeado com espaçamentos que variam entre 30cm e 50cm.

Portanto, o sistema de colheita do tipo stripper não é seletivo e extremamente agressivo pela ação vigorosa dos pentes que funcionam como um raspador (“stripper” de pente) ou das escovas (“stripper” de escovas) sobre as plantas, removendo grande quantidade de impurezas, retirada de cápsulas abertas e fechadas, o que torna necessária a instalação de unidades de limpeza eficientes na própria colhedora, além de sistemas de limpeza da fibra após o beneficiamento.

Com base nesta realidade, alunos e pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), do Campus de Rondonópolis-MT, com o apoio do Instituto Mato-grossense de Algodão (IMAmt), realizaram pesquisa de campo com o objetivo de avaliar a quantidade de contaminantes presentes na fibra colhida, perdas e eficiência de colhedoras com plataformas picker-12 VRS e stripper, no sistema de cultivo adensado. O experimento foi conduzido em uma propriedade produtora de algodão adensado no município de Sorriso (MT), em 2014.

A colheita foi realizada por cinco sistemas mecanizados: picker-12 VRS, stripper de escova com e sem extrator HL e stripper de pente com e sem extrator HL. O operador das máquinas manteve a velocidade média das colhedoras stripper em 2,35km/h e picker-12 VRS a 5,14km/h.

Para representação da produtividade da lavoura foram coletadas plumas presentes nas plantas na área experimental em vários pontos da lavoura. Além disso, foram coletadas perdas pré-colheita, decorrentes das condições climáticas e do manejo cultural, que consistiu em recolher todo o algodão caído no solo, e perdas pós-colheita, que são as plumas que permanecem no algodoeiro após a passagem da colhedora e as que caem no chão no momento de colheita pela máquina. A soma dessas duas perdas resulta na perda final do processo.

Para analisar a quantidade de impurezas presentes na pluma decorrente do sistema utilizado, foram coletadas amostras no interior do cesto da máquina. Todas as amostras foram manipuladas, processadas e analisadas no laboratório do Instituto Mato-grossense do Algodão em Primavera do Leste (MT).

Os resultados obtidos com este trabalho mostram que, independentemente do sistema de colheita, a eficiência foi bem abaixo do esperado (na faixa de 88,78% a 91,1%) (Gráfico 1). Em qualquer operação mecanizada é comum a ocorrência de perdas, mas no caso da colheita do algodão isso ocorre por causa da falta de eficiência da colhedora ocasionada por falta de regulagens, operação inadequada ou problemas na colhedora, que deixa de colher o algodão presente na planta. 

Gráfico 1 – Eficiência dos diferentes sistemas de colheita
Gráfico 1 – Eficiência dos diferentes sistemas de colheita

Deve-se ressaltar que, independentemente do sistema utilizado, as perdas não devem ser superiores a 5% do total colhido pela máquina. No entanto, de acordo com o Gráfico 2, as perdas variaram de 182kg/ha a 234kg/ha (9,9% a 12,7%). A colhedora equipada com a plataforma picker-12 VRS proporcionou menores perdas quando comparada com as demais, e a colhedora com plataforma stripper de pente com extrator HL obteve o maior percentual.

Gráfico 2 – Perdas dos diferentes sistemas de colheita
Gráfico 2 – Perdas dos diferentes sistemas de colheita

De acordo com os dados apresentados no Gráfico 3, a plataforma picker-12 VRS, no momento da colheita retirou menor porcentagem de casquinha e caule das plantas, sendo que as plataformas stripper escova e pente sem extrator HL apresentam a maior quantidade desses contaminantes.

Gráfico 3 - Porcentagem de casquinha, caule e o lixo total presente na fibra em função das plataformas de colheita
Gráfico 3 - Porcentagem de casquinha, caule e o lixo total presente na fibra em função das plataformas de colheita


Nayra Fernandes Aguero, Renildo Luiz Mion, Hiago Henrique R. Zanetoni, Cíntia Michele Baraviera, Renato Bassini, Myllena Teixeira, Luiza Cabral, Willian Lima Crisostomo, Carlos Alberto Viliotti, UFMT


Artigo publicado na edição 167 da Cultivar Máquinas.

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