Comparativo colhedoras classes VII e VIII

Com foco em médias e grandes propriedades, as colhedoras John Deere S 770, Case IH 7150, Valtra BC 7800, Massey Ferguson 9795 e New Holland CR Evo 7.80, comparadas pela Cultivar Máquinas, possuem tecnologias e sistemas capazes de satisfazer os produtores mais exigentes.

No Brasil, as áreas de produção de grãos encontram-se em franca expansão, requerendo colhedoras de maiores dimensões, no intuito de obter maior capacidade operacional. Porém, isto requer um correto planejamento, dimensionamento e seleção, visando à otimização da operação de colheita nas propriedades rurais. De modo geral, a escolha de uma colhedora de grãos depende de muitos fatores, por exemplo, tipo de cultura, tamanho da área e tempo disponível para a realização da colheita. Para isto, os fabricantes de máquinas agrícolas disponibilizam colhedoras de diferentes modelos e classes de potência, visando atender às variadas demandas em função da necessidade de cada produtor.

Neste sentido, trazemos aos leitores desta edição da Revista Cultivar Máquinas um comparativo técnico de colhedoras de grãos destinadas às médias e às grandes propriedades, reunindo máquinas das classes VII e VIII de cinco fabricantes nacionais: John Deere, Case IH, Massey Ferguson, Valtra e New Holland. Foram analisados os modelos John Deere S 770, Case IH 7150, Valtra BC 7800, Massey Ferguson 9795 e New Holland CR Evo 7.80.

Valtra BC 7800 tem motor AGCO Power, modelo 9.8AT3, de 415cv de potência

Para a escolha de quais modelos iriam ser incluídos no comparativo, optamos por considerar inicialmente a potência nominal do motor, porém os diferentes modelos encontravam-se distribuídos entre as classes VII e VIII, conforme os critérios de classificação estabelecidos pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Desta forma, consideramos a potência máxima do motor, declarada pelo fabricante, tornando agrupar todas as máquinas na Classe VIII. Para isto, aplicamos um valor limite de 5% considerando a potência máxima do motor, correspondendo à diferença entre a máquina de menor e a de maior potência. Desta forma, enquadramos por critério de proximidade apenas um modelo de cada um dos fabricantes, dentro de uma faixa na qual competem entre si no mercado. 

As informações contidas neste comparativo foram obtidas diretamente dos materiais técnicos disponíveis nas páginas web dos fabricantes.

MOTOR E SISTEMA DE TRANSMISSÃO

As colhedoras de grãos possuem diversos sistemas, necessitando de energia para processar um grande volume de material, combinado ao seu próprio deslocamento no campo, o que acarreta elevada demanda potência. 

As colhedoras Case IH 7150 e New Holland CR Evo 7.80 são equipadas com motor FPT, modelo FPT Cursor 9. Os modelos Valtra BC 7800 e MF 9795 compartilham o mesmo motor AGCO Power, modelo 9.8AT3. Já a John Deere utiliza no modelo S 770 um motor John Deere, modelo Power Tech Plus.

O valor para potência nominal dos motores que equipam as colhedoras Valtra BC 7800 e MF 9795 é de 415cv, a uma rotação de 2.100rpm. A colhedora John Deere S 770 possui 378cv a 2.200rpm, enquanto os modelos Case IH  7150 e New Holland CR Evo 7.80 também possuem motor com 378cv, porém não é informada a rotação. Nesse comparativo, todos os modelos de colhedoras apresentam uma reserva de potência que é ativada quando ocorre sobrecarga devido ao acionamento simultâneo de sistemas, como, por exemplo, descarga dos grãos durante a colheita. Esta reserva de potência, denominada popularmente de Power Boost, confere potências máximas de 431cv para a colhedora John Deere S 770, 450cv para os modelos MF 9795 e Valtra BC 7800 e 442cv para as colhedoras Case IH 7150 e New Holland CR Evo 7.80. 

John Deere S770 utiliza motor John Deere, modelo Power Tech Plus, de 378cv de potência

O motor John Deere da colhedora S 770 possui seis cilindros com 9.000cm3 de volume deslocado, sendo que o motor FPT também possui seis cilindros e 8.700cm3 de volume deslocado, equipando as colhedoras New Holland CR Evo 7.80 e Case IH 7150. Já os modelos 9795 da Massey Ferguson e BC 7800 da Valtra possuem motor AGCO Power 9.8AT3 de sete cilindros, com 9.800cm3.

Ao compararmos os modelos por potência produzida em cada cilindro, a melhor relação é encontrada no motor John Deere Power Tech Plus, com 71,8cv/cilindro, seguido pelo motor FPT, com 63cv/cilindro, e o AGCO Power com 59,3cv/cilindro. Quando consideramos volume deslocado pelo motor e potência nominal, o motor FPT apresenta melhor relação (23cm3/cv), seguido por AGCO Power (23,6cm3/cv), e John Deere (23,8cm3/cv). De qualquer forma, observamos pouca disparidade nos dados, indicando uma similaridade de projetos e níveis tecnológicos.

Quanto à injeção de combustível, todos os modelos utilizam sistema de injeção com gerenciamento eletrônico, atendendo à previsão do Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores – Proconve, MAR-1 (Máquinas Agrícolas e Rodoviárias – Fase 1). Para reduzir o nível de poluentes emitidos na atmosfera, os motores AGCO Power 9.8AT3 são equipados com o chamado Sistema SCR (Selective Catalytic Reduction - Sistema de Redução Catalítica). Com o mesmo propósito, os motores John Deere utilizam outra tecnologia, o sistema cEGR (Cooled Exhaust Gas Recirculation - Recirculação dos Gases de Escape Resfriado). Já os motores que equipam a colhedora New Holland CR Evo 7.80 e Case IH 7150, além de contarem com sistema iEGR (Internal Exhaust Gas Recirculation - Recirculação dos Gases de Escape Interno), utilizam SCR. Para possibilitar maior eficiência e menor consumo de combustível, os motores FPT Cursor 9 possuem turbina com controle mecânico de pressão Wastegate e geometria variável (eVGT). 

New Holland CR Evo 7.80 vem equipada com motor FPT, modelo FPT Cursor 9, com 378cv de potência

Visando reduzir paradas para limpeza do sistema de arrefecimento, os motores AGCO Power 9.8AT3 que equipam as colhedoras MF 9795 e Valtra BC 7800 possuem as tecnologias V-Cool e V-Flow, permitindo a reversão do fluxo de ar e a expiração das partículas acumuladas nos radiadores.

Referente ao sistema de transmissão, todos os modelos contemplados neste comparativo são do tipo hidrostático, os quais possibilitam maior agilidade e praticidade nas variações de velocidade. 

A colhedora Case IH 7150 possui quatro velocidades e conta com troca de marcha com acionamento eletrônico. Já a colhedora New Holland CR Evo 7.80, além de possuir as funções básicas de um sistema hidrostático, possui uma tecnologia de controle automático de velocidade Intelli Cruise. 

O modelo da John Deere S 770 possui duas faixas de velocidade, com funcionamento Power Shift, chamado comercialmente de Pro Drive. Durante o transporte, a transmissão também se integra a um sistema de controle de rotação do motor, Eco Mode, possibilitando realizar o deslocamento em menores rotações do motor, proporcionando maior economia de combustível.
Com relação aos modelos MF 9795 e Valtra BC 7800, o sistema de transmissão possui quatro marchas e oito velocidades de trabalho. As velocidades são acionadas por meio de um interruptor (Low/High), posicionado no apoio de braços.

TRILHA, SEPARAÇÃO E LIMPEZA 

O sistema de trilha das colhedoras contempladas neste comparativo é do tipo axial, ou seja, possui um rotor longitudinal que, além de trilhar as culturas, faz a separação dos grãos da palha, pela diferença de tamanho e massa. A colhedora New Holland CR Evo 7.80 apresenta dois rotores com diâmetro individual de 0,431m, totalizando uma área de trilha e separação de 2,3m². As demais colhedoras deste comparativo apresentam um único rotor com diâmetro de 0,80m nos modelos Massey Ferguson 9795 e Valtra BC 7800, correspondendo a 1,36m² e 2,2m² de área de trilha e separação, respectivamente. A colhedora John Deere S 770 possui rotor com diâmetro de 0,762m, com 1,1m² de trilha e 1,54m2 de separação. Já a colhedora Case IH 7150 apresenta um rotor com diâmetro de 0,762m, área de trilha de 1,1m2 e 1,7m2 de separação.

MF 9795 vem equipada com motor AGCO Power, modelo 9.8AT3, de 415cv de potência

A rotação do rotor deve variar ao longo da operação de colheita, de forma que o ajuste favoreça a trilha e a separação, sem causar danos aos grãos e perdas de colheita. Atendendo a este requisito, nas colhedoras avaliadas, a rotação pode variar de 264rpm a 1.235rpm para a MF 9795 e a Valtra BC 7800; 230rpm a 1.300rpm para a colhedora John Deere S 770, e 250rpm a 1.150rpm no caso da colhedora Case IH 7150. A colhedora New Holland CR Evo 7.80 não informa ao público qual a amplitude da rotação dos rotores. 

O mecanismo de limpeza dos grãos das colhedoras é composto por bandejão, ventilador, peneira superior e peneira inferior. O bandejão tem por função estratificar o material trilhado e separado, permitindo deixar o material mais leve na superfície e o mais denso na parte inferior, para que, ao ser projetado sobre as peneiras, possa ter melhor separação por densidade junto à ação do vento. As peneiras superior e inferior separam os grãos dos materiais menores, de forma que os grãos possam ser destinados ao reservatório, e o que ainda não foi trilhado seja encaminhado para a retrilha. 

Desta forma, além das tecnologias presentes em cada sistema, a área de peneira é uma informação importante, pois permite definir a capacidade do sistema em limpar os grãos, seja em qualidade ou volume. Dos modelos avaliados, as colhedoras MF 9795 e BC 7800 possuem maior área de peneira, com 6,1m². A menor área observada foi na colhedora John Deere S 770, com 5,1m2, sendo que as demais colhedoras possuem valores intermediários, de 5,5m2 e 5,4m2, para as colhedoras Case 7150 e New Holland CR Evo 7.80, respectivamente. 

Todas as colhedoras apresentam tecnologias no sistema de limpeza para melhorar a qualidade e o volume processado. Neste sentido, destaca-se o ajuste automático da velocidade do vento no sistema de limpeza em relação ao desnível longitudinal da colhedora, ou seja, em aclives a velocidade do ventilador reduz e em declives aumenta para compensar a inclinação da colhedora e evitar perdas. 

Case IH Axial-Flow 7150 vem com motor FPT, modelo FPT Cursor 9, com 378cv de potência

Na colhedora S 770 o sistema é chamado de Dyna-Flo e na CR Evo 7.80, de Opti-Fan. As demais colhedoras deste comparativo não especificam a presença desta tecnologia. O sistema de controle automático de alimentação (Harvest Smart) da colhedora John Deere S 770 controla a velocidade da colheita em função de níveis de perdas de grãos, da carga do motor e da pressão de trilha no rotor. Essa colhedora utiliza o sistema Combine Advisor, que monitora continuamente a quantidade de grãos quebrados e as impurezas nos elevadores e realiza ajustes de acordo com valores limites configuráveis. A colhedora CR Evo 7.80 da New Holland possui um recurso adicional (Intelli Cruise) que consiste em um sistema automático de ajuste da velocidade do avanço da colhedora, de modo a operar sempre na capacidade máxima do motor. Este sistema pode ainda ser configurado para limitar automaticamente a velocidade de avanço da máquina quando as perdas estimadas atingirem valores predefinidos.

Outra característica que proporciona aumento na eficiência do sistema de limpeza e reduz perdas em terrenos declivosos é o sistema autonivelante, que tem como função compensar a inclinação lateral da colhedora, mantendo o sistema de limpeza nivelado horizontalmente. Dentre as colhedoras deste comparativo, apenas a CR Evo 7.80 apresenta este sistema em suas especificações técnicas. 

CAPACIDADES E DIMENSÕES 

Ao analisarmos os modelos em comparação, considerando as características dimensionais, destacamos que as colhedoras MF 9795 e BC 7800 da Valtra possuem os maiores tanques graneleiros, com capacidade 12.334 litros, com vazão do tubo de descarga de 150 litros por segundo. Já a colhedora John Deere S 770 possui um tanque graneleiro com capacidade de 11.600 litros e vazão de descarga de 135 litros por segundo, sendo que as menores capacidades foram observadas nos modelos da New Holland CR Evo 7.80 e Case IH 7150, com 10.700 e 10.600 litros, com vazões de 126 e 114 litros por segundo, respectivamente. 

A Valtra BC 7800 tem rotor com diâmetro de 0,80m com 1,36m2²de área de trilha e 2,2m2²para separação

O comprimento do tubo de descarga também é um requisito importante, pois facilita o descarregamento. Os modelos Case IH 7150, John Deere S 770 e New Holland CR Evo 7.80 possuem comprimentos de 8,30, 7,90 e 7,30 metros, respectivamente, e as colhedoras MF 9795 e Valtra BC 7800 apresentam o tubo de descarga com 7,40 metros de comprimento.

Considerando a massa das colhedoras, os modelos MF 9795 e BC 7800 da Valtra apresentam as maiores massas, 20.210kg e 20.090kg, e com massas intermediárias a John Deere S 770 e a CR Evo 7.80 da New Holland, com 18.970kg e 17.188kg, respectivamente. A colhedora Case IH 7150 apresentou a menor massa dentre as colhedoras deste comparativo, com 16.130kg. A diferença de altura entre os modelos contemplados foi de um metro, considerando os modelos de menor e maior altura. Os modelos MF 9795 e Valtra BC 7800 possuem altura de 5,10 metros, enquanto as colhedoras Case IH 7150 e CR Evo 7.80 medem, respectivamente, cinco e 4,10 metros. O modelo John Deere S 770, não possui informação da altura em suas especificações técnicas.

Apenas as colhedoras John Deere S 770, MF 9795 e New Holland CR Evo 7.80 apresentaram valores de comprimento em suas especificações técnicas, correspondendo sequencialmente a 10,40, 13,24 e 8,4 metros. Considerando a autonomia de trabalho, as colhedoras dos modelos Case IH 7150 e John Deere S 770 apresentam depósitos de combustível com capacidade de 950 litros. Já nos tanques das colhedoras MF 9795 e Valtra BC 7800 cabem 870 litros, sendo que a menor capacidade do tanque de combustível foi da New Holland CR Evo 7.80, com 750 litros.

TECNOLOGIA E AGRICULTURA DE PRECISÃO 

As tecnologias inovadoras, aliadas às ferramentas de agricultura de precisão, fazem das colhedoras de grãos verdadeiros escritórios sobre rodas. Os recursos disponibilizados sob essa denominação contribuem para reduzir a fadiga do operador, facilitar os ajustes de colheita, reduzir tempos perdidos, aumentar a produtividade das máquinas, além de permitir o conhecimento e o gerenciamento da produtividade em cada ponto de uma lavoura. Aliado a isto, temos modelos de colhedoras que realizam a configuração automática por cultura, dispensando eventuais ajustes manuais nas regulagens e calibrações durante a realização da colheita.

A Case IH Axial-Flow 7150 tem sistema de trilha com rotor com diâmetro de 0,762m, área de trilha de 1,1m2 e 1,7m2 de separação

Na Case IH 7150 encontra-se o sistema AFS (Advanced Farming System), pacote opcional com piloto automático, sistema de monitoramento e de mapeamento da produtividade. O sistema Auto Guide, baseado em GPS e combinado com orientação mecânica, faz com que a colhedora siga com precisão as fileiras das plantas a serem colhidas, e quando associado ao sinal RTK, proporciona precisão de 2cm.

A colhedora John Deere S 770 tem uma tela de geração 4, que apresenta facilidades de navegação similares aos smartphones. O sistema de monitoramento de colheita (umidade e produtividade), associado ao Harvest Doc e a uma antena e receptor SF6000, permite realizar o mapeamento da produtividade nas áreas colhidas. A máquina é equipada com piloto automático Auto Trac, que guia a máquina via satélite. No caso da colheita de milho, este é auxiliado pelo sensor de linha (Row Sense), combinando-se os dados de posicionamento do satélite com dados do sensor de linhas. 

Equipada com o pacote de monitoramento de colheita (sensor de umidade e de produtividade e antena GPS NH AG372), a New Holland CR Evo 7.80, está preparada para a agricultura de precisão. Os equipamentos podem ser instalados na fábrica ou posteriormente, de acordo com as necessidades do usuário. Um display colorido (Intelli View IV) com tela sensível ao toque monitora todas as funções da colhedora e informa sobre o desempenho da máquina. Oferece um sistema de piloto automático, com opções de sinais de precisão crescente, desde o sinal grátis até o RTK. 

A John Deere S770 possui rotor com diâmetro de 0,762m com 1,1m2²de trilha e 1,54m2 de separação

Nas colhedoras MF 9795 e Valtra 7800 encontra-se o sistema de direcionamento Auto Guide 3000, com precisão decimétrica (standard) ou centimétrica (opcional). Este sistema permite a condução das máquinas por uma linha planejada, mantendo sempre o aproveitamento total da sua largura de corte. Quando não habilitado o sinal de correção Omnistar, o Auto Guide trabalha como submétrico através do algoritmo interno Trupass. Para esses dois modelos, o sistema opcional de Agricultura de Precisão FieldStar II proporciona medições instantâneas da umidade dos grãos e da produtividade da lavoura, através de sensores de impacto. O sistema Farm Solutions processa os dados nos diferentes pontos da lavoura, informando a produtividade em kg/ha de grãos secos. Um sistema opcional de telemetria (AgCommand Advanced) proporciona a transmissão dos dados obtidos pela colhedora em tempo real.

PLATAFORMA DE CORTE

Para as culturas de grãos, principalmente soja, as cinco máquinas comparadas apresentam especificação de plataforma entre 35 e 40 pés de largura de corte. Os fabricantes também preveem recomendações para o arroz irrigado, com uso de plataformas rígidas, e as plataformas especiais para milho. 

A John Deere recomenda para o modelo S770 a plataforma Hydra Flex Draper 600F para colheita de grãos, com barra de corte flexível e flutuação decorrente do uso de cilindros hidráulicos. O fabricante informa que a flutuação chega a aproximadamente 15cm. Para o arroz, a plataforma indicada é a modelo Hydra Flex Draper 600R, que é fabricada com componentes resistentes ao desgaste. 

Para a cultura do milho, a plataforma recomendada para esta máquina é a Hydra Flex Draper 600C, que tem como característica a facilidade de manutenção por não necessitar de ferramentas para acesso aos mecanismos de regulagem de ângulo de ataque. O fabricante enaltece o aprimoramento do projeto em termos de confiabilidade, pois diversos itens foram trabalhados neste sentido, como largura do sem-fim, raspadores reguláveis, fortalecimento do chassi, transmissão selada com lubrificação banhada a óleo, raspadores de proteção dos bicos divisores e borracha de retenção, com fácil ajuste do ângulo do bico divisor e correntes recolhedoras mais largas. Esta plataforma se conecta à máquina através de apenas um ponto, o que agiliza o processo de engate e desengate.

A New Holland CR Evo 7.80 vem equipada com sistema de trilha com dois rotores

Para a colhedora modelo 7150, a marca Case IH recomenda a plataforma Draper, que pode ser rígida ou flexível. A plataforma flexível, denominada 3020 Terraflex, é recomendada para grãos em geral, com o sistema Field Tracker® proporcionando flexibilidade para acompanhar o microrrelevo da superfície. Esta plataforma é apresentada com as vantagens de ter maior diâmetro do sem-fim e dedos retráteis em toda a extensão. Para o arroz, a plataforma indicada é do modelo 2010 com barra de corte rígida. O fabricante reforça argumentos de que as caixas de navalhas têm maior durabilidade e que a capacidade de carga dos rolamentos foi aumentada, resultando em menor manutenção e, portanto, menos paradas. Também novas esteiras foram colocadas nesta máquina de forma a diminuir o desgaste, reduzindo os custos de manutenção. 

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Para grãos em geral, a Valtra BC 7800 utiliza a plataforma Draper 600FD que também possui barra de corte flexível com sistema de corte Schumacher, bastante conhecido por sua qualidade e características como dedos duplos e navalhas e roletes montados em posições invertidas, um em relação ao outro. Assim como a plataforma da John Deere a Draper 600FD tem engate em apenas um ponto. A inclinação da barra em relação à horizontal pode variar seis graus para cima e seis graus para baixo. Como alternativa, as duas marcas oferecem uma plataforma tradicional de caracol, que é o modelo Hiflex 600F, que tem como principal característica o menor peso em relação à versão Draper utilizando sistema fornecido pela Schumacher, com flexibilidade da barra de corte. 

A Massey Ferguson informa que não há indicações de plataforma de barra de corte rígidas para o modelo MF 9795. A plataforma flexível indicada é a Draper Dynaflex 9300, MF 9255 e MF 9250. Utiliza o sistema de corte Schumacher, assim como o produto da Valtra, já que as empresas são do mesmo Grupo. Portanto, a inclinação da barra de corte é a mesma, assim como o ponto de engate único. O fabricante ressalta como principais virtudes do seu equipamento o ajuste hidráulico do ângulo das navalhas e da pressão sobre o solo, a transmissão por cardã e o carro de transporte para baixas velocidades. 

A MF 9795 vem equipada com rotor com diâmetro de 0,80m com 1,36m2² de área de trilha e 2,2m2² para separação

É uma plataforma que se caracteriza pela simplicidade, pois o acionamento por cardã e mecânico para os demais componentes elimina acionamentos elétricos e hidráulicos que podem ocasionar custo de manutenção. Entre os modelos oferecidos pela Massey Ferguson o molinete pode ser bipartido ou em peça única, nos casos das plataformas MF 9255 e 9250, respectivamente. As esteiras de borracha são reforçadas com fibra de vidro e as laterais têm largura diferente da central. Um equilíbrio entre largura e velocidade impede o retorno do material. 

Para o milho, a alternativa dos dois fabricantes é a plataforma das versões L, M e HiChopper. Um dos pontos valorizados nestes modelos é que o projeto foi desenvolvido para sempre separar o caule da espiga já na entrada. 

A plataforma indicada para a colhedora CR Evo 7.80 da New Holland é a Draper flexível, versão Super Flex, para os grãos em geral, e rígida para culturas como o arroz irrigado que estão indisponíveis para as larguras recomendadas para esta classe, mas disponível na largura de 30 pés de corte. O fabricante destaca a existência de blocos de torção, dividindo a unidade em pequenas seções, para a flexibilidade da plataforma, assim como controle de altura e flutuação com acionamento elétrico. Também é interessante a informação de que se dispõe de bolsas de ar como suporte da caixa de navalhas. Há uma oferta específica para a cultura do feijão. Além disso, é informado que as esteiras laterais são mais estreitas que a central, para evitar o retorno do material colhido. Também este fabricante informa ter dotado o sistema de um dispositivo de transporte a baixas velocidades. 

As plataformas para a colheita de milho recomendadas para este modelo de colhedora são de duas classes, a Exitus, mais econômica, e a Premium, mais desenvolvida e tecnológica. A plataforma Premium pode ser adquirida com espaçamentos de 50cm e 80cm entre linhas, apresenta mais tecnologia no projeto, como a proteção ao acionamento lateral em alumínio com lubrificação, rolamento do eixo principal da transmissão e corrente recolhedora com maior capacidade de carga, ajuste do deck do despigador acionando hidraulicamente do posto do operador e a embreagem individual por unidade de linha. 

CONSIDERAÇÕES FINAIS 

Ao realizarmos este comparativo notamos que alguns fabricantes não oferecem informação suficiente para que o cliente conheça melhor o produto, podendo ser um fator decisivo no momento da escolha de determinado modelo ou marca de colhedora. Ademais, as informações constantes na forma de comparativo são importantes e facilitam a tomada de decisão por parte dos agricultores no momento da aquisição de uma colhedora nova, suprindo de forma adequada as necessidades do produtor. 

Portanto, a escolha do modelo ideal de colhedora dentre os ofertados no mercado pelos diferentes fabricantes representa ganhos de eficiência e rendimento operacional, reduzindo consideravelmente os custos operacionais.


José Fernando Schlosser, 
Walter Boller,
Junior Garlet Osmari e
Gabriel Almeida de Aguirre,

Agrotec- UFSM
Alexandre Russini,
Unipampa
Gilvan Moisés Bertollo,
UTFPR


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