Comparativo de Pequenos Tratores de 36cv a 47cv

Com motorização entre 36cv e 47cv, os modelos Agrale 540 XT, Agritech 1155 Plus, Landini Série 2 050 GE, LS Tractor G 40, Mahindra 4530, Ursus 2.50M, Jinma BR 454 e Kubota L3800D são opções para trabalhos mais leves e em espaços reduzidos

Muitos leitores esperam pelos comparativos entre diferentes máquinas. Quase impossível de serem executados a campo, pela complexidade e o custo, pode-se recorrer ao método que habitualmente utilizamos, que é consultar o rico material acumulado para a confecção do Anuário de Tratores, tradicionalmente editado pela Revista Cultivar Máquinas. Nesta edição, queremos comparar tratores pequenos, com potência bruta do motor entre 38cv e 47cv, de oito marcas diferentes, com os modelos: Agrale 540 XT, Agritech 1155 Plus, Landini Série 2 050 GE, LS Tractor G 40, Mahindra 4530, Ursus 2.50M, Jinma BR 454 e Kubota L3800D.

Quando aplicamos o critério para a escolha de quais modelos seriam colocados em comparação, utilizamos a potência máxima do motor declarada pelo fabricante, fazendo a correção do valor para o padrão da norma ISO TR 14396. Neste caso, os tratores que são apresentados com este padrão não necessitariam de correção e os que utilizassem outras normas de referência teriam a correção dos valores pelo critério estabelecido. No caso, dos oito modelos comparados, quatro fabricantes não informam qual norma de referência foi utilizada para informar a potência do motor, porém de um deles encontrou-se a informação com o fabricante do motor, três informaram que seu padrão é a norma ISO e um informou utilizar a norma NBR.

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Para estipular os limites de potência entre os modelos de maior e menor potência dentro da classe, foi utilizado um percentual de até 20% entre o modelo com a menor e o de maior potência, e usando uma referência de 14cv de demanda de tração por linha de semeadura estimamos que todos os modelos comparados podem servir em condições iguais, para tracionar uma semeadora de três linhas.

Quando mais de um modelo era oferecido pela mesma marca, optou-se por comparar apenas um, escolhendo o modelo de melhor especificação. Neste caso, apareceram no grupo determinado por estes critérios, tratores de três e quatro cilindros, sendo o Kubota L3800D, o LS Tractor G 40, o Mahindra 4530 e o Jinma BR 454 equipados com motor de três cilindros. Já os tratores Agrale 540 XT, Agritech 1155 Plus, o Landini Série 2 050 GE e o Ursus 2.50M com motor de quatro cilindros, porém, com exceção do trator Ursus, que conta com turbocompressor, todos os demais são de aspiração natural.

Motor

O motor é o componente fundamental para o melhor desempenho de todos os sistemas de um trator agrícola. Sendo assim, o Mahindra 4530 é equipado com um motor Mahindra, modelo NE 342 R (Mar 1); o LS Tractor G 40 possui o motor LS modelo L3AL - Tier 3; Agrale 540 XT é equipado com um motor Agrale (modelo não informado); Jinma BR 454 é equipado com motor Xinchai, modelo 490T EPA; Kubota L3800D com motor Kubota D1803 M E3; Agritech 1155 Plus possui motor Yanmar, modelo 4TNV88; Landini Série 2 050 GE é equipado com motor Yanmar, modelo 4TNV88-Klan; e o trator Ursus 2.50M possui o motor Mahindra, modelo MDI-2500RT.

Kubota L3800D, Landini Série 2 050 GE, Mahindra 4530 e LS Tractor G 40

Quanto aos dados de torque, o trator da LS Tractor oferece 114Nm, o Landini oferece 141Nm, o Agrale possui 149Nm, o Mahindra 162Nm e o Ursus 208Nm. Os demais fabricantes não disponibilizaram tais informações técnicas.

O modelo da Agrale possui quatro cilindros com 2.417cm3 de volume deslocado, o motor Xinchai, que equipa o trator Jinma, possui três cilindros e 3.039cm3 de volume deslocado, o Kubota possui três cilindros com 1.826cm3, o motor Yanmar, que equipa o modelo da Agritech, possui quatro cilindros com 2.190cm3, o LS Tractor possui três cilindros e 2.003cm3 de volume deslocado, o motor Mahindra, que equipa o trator Mahindra 4530, tem três cilindros e 2.392cm3 de volume, o motor Yanmar, que equipa o modelo da Landini, possui quatro cilindros e 1.995cm3, enquanto o motor Mahindra, que equipa o modelo da Ursus, possui quatro cilindros e 2.543cm3 de volume deslocado.

Para analisar a eficiência, relacionam-se parâmetros construtivos do motor com seu desempenho. Relacionando potência por cilindro, por exemplo, a melhor relação é encontrada no trator Jinma BR 454, com 15cv/cilindro, seguida pelo Mahindra 4530, com 14cv/cilindro, o LS Tractor G 40, com 13,3cv/cilindro, o Kubota L3800D, com 12,2cv/cilindro, o Landini Série 2 050 GE, com 11,9cv/cilindro, o Ursus 2.50M, com 11,8cv/cilindro, o Agritech 1155 Plus, com 10,5cv/cilindro, e o trator Agrale 540 XT, com 10cv/cilindro.

Ao relacionar o volume interno deslocado pela potência corrigida, o trator Landini possui a melhor relação, com 42cm3/cv, seguido do Kubota com 50cm3/cv, o LS Tractor com 50,1cm3/cv, o Agritech 1155 Plus com 52,1cm³/cv, o Ursus com 54,1cm3/cv, o Mahindra com 57cm3/cv, o Agrale com 60,4cm3/cv e o trator Jinma, com 67,5cm3/cv.

Quanto ao sistema de injeção de combustível, os modelos da Agrale, da Kubota e da Landini possuem sistema de injeção eletrônica, enquanto os demais possuem sistema mecânico de injeção de combustível. Quanto ao sistema de alimentação de ar, apenas o modelo 2.50M, da Ursus, conta com turbocompressor, sendo os demais aspirados.

Transmissão

O sistema de transmissão de todo o trator agrícola é formado por um conjunto de elementos capazes de receber, transformar e transmitir a potência e o torque produzidos pelo motor para as rodas motrizes, sistemas hidráulicos e tomada de potência (TDP). Neste sistema, a caixa de câmbio é o elemento principal, pois em função do acoplamento de engrenagens adapta o motor para cada situação de utilização do trator.

Agrale 540 XT, com 40cv de potência

Muitos tratores comercializados no Brasil são equipados com transmissões mecânicas, que são simples, porém muito eficientes. A simplicidade se dá pelo fato de as engrenagens se deslocarem em eixos com ranhuras, para engrenarem-se umas às outras. A eficiência é devido às baixas perdas que se produzem na transmissão de torque, desde o motor até as rodas motrizes, por exemplo.

Dito isso, ao analisar a transmissão utilizada pelos tratores em comparação, com exceção do modelo 1155 Plus, da Agritech, que possui a transmissão engrenagem deslizante, conhecida como caixa seca, e dos modelos L3800D, da Kubota, e BR Jinma 454, que não disponibilizam informações detalhadas, os demais modelos contam com transmissão sincronizada.

Ambas as transmissões são mecânicas, porém na sincronizada, as marchas podem ser selecionadas com o trator em movimento, já que anéis sincronizadores acertam a velocidade de giro das engrenagens a serem acopladas. Já na transmissão engrenagem deslizante, a marcha é selecionada antes do início do trabalho, sendo necessária a parada do trator para que se efetue a troca de marchas.

Embora a transmissão sincronizada permita a troca de marchas com o trator em movimento, em campo, com implementos demandando tração, ao pressionar a embreagem para efetuar a troca de marchas o trator para ou há grande redução na velocidade, mesmo para operadores habilidosos. Desta forma, nestas situações, qualquer um dos tipos de transmissão desempenhará o trabalho de forma satisfatória.

LS G40 com motor de 40cv e transmissão Synchro Shuttle

A transmissão mecânica disponibilizada nestes tratores é perfeitamente entendível do ponto de vista econômico. Porém, não se entende o porquê da falta de informações técnicas dos tratores desta faixa de potência, disponíveis aos usuários. Todas as características técnicas são importantes e, em conjunto com critérios econômicos e socioeconômicos, poderão auxiliar na aquisição do trator.

Apenas duas marcas atribuem nomes comerciais às transmissões: Synchro Shuttle da LS Tractor e Constant Mesch da Ursus. O número de marchas varia entre os modelos, sendo dois deles (1155 Plus e 2.50M) disponibilizados com oito marchas à frente e duas à ré; o modelo L3800D, da Kubota, com caixa de câmbio 8 x 4; e o trator Jinma BR 454 com 16 marchas à frente e oito marchas à ré.

Quatro modelos são equipados com caixas de câmbio com o mesmo número de marchas à frente e à ré: Agrale 540 XT, Landini Série 2 050 GE, LS G 40 e Mahindra 4530. Obviamente, estes são os únicos tratores que contam com reversor. É interessante observar que esta tecnologia, empregada em tratores de maior potência, também está sendo disponibilizada nos tratores pequenos, reafirmando o que parece ser uma tendência atual.

O reversor, ou também chamado de inversor em carga, é um dispositivo, como o próprio nome sugere, que faz a inversão do sentido de deslocamento do trator. Esta “subcaixa” de câmbio, que agrupa as funções da embreagem e a marcha à ré, facilita as manobras. A forma de acionamento do reversor destes tratores é mecânica, ou seja, por meio de uma alavanca, comumente posicionada do lado esquerdo do painel do trator.

Kubota L3800D, com 36,5cv de potência

Ao contrário do reversor, disponível em metade dos tratores analisados, apenas a Agritech equipa o modelo 1155 Plus com redutor, como opcional, que amplia o número de marchas para 16 à frente e quatro à ré, fazendo com que o trator se desloque em velocidades muito baixas. Nos surpreende a não oferta deste dispositivo entre os fabricantes, pois na horticultura e fruticultura pode ser de grande utilidade.

O tipo de embreagem também varia entre os modelos comparados. Com exceção do trator da Jinma, que não disponibiliza esta informação, todos os demais contam com embreagem dupla. Esta embreagem também é conhecida como de duplo estágio a seco, e significa que um disco serve à embreagem e o outro para acionar a TDP. Quanto ao acionamento da embreagem, à exceção do Jinma e do Agritech que não disponibilizam informação, todos possuem acionamento mecânico.

Da mesma forma que ocorre com outros componentes do trator, também existem poucas informações técnicas sobre o diâmetro e material do disco de embreagem. Os modelos Série 2 050 GE da Landini, G 40 da LS Tractor e 4530 da Mahindra possuem 228,6mm (nove polegadas), 275mm e 280mm de diâmetro, respectivamente. Os materiais variam em orgânico (G 40, da LS Tractor) e cerametálico (4530, da Mahindra).

Sistema hidráulico

Cada vez mais utilizado em tratores agrícolas, o sistema hidráulico proporciona maior facilidade, agilidade e precisão em muitas operações. Ao mesmo tempo em que essas máquinas necessitam ser compactas, para adequarem-se aos diferentes tipos de trabalho em que são requeridas, a presença de alguns componentes, como o sistema hidráulico, é fundamental para que possam ser mais versáteis e desempenhar o maior número de atividades possíveis. 

Os pequenos tratores, especificamente os da faixa de potência comparados neste artigo, trabalham em atividades que requerem constantemente o auxílio do sistema hidráulico. Seja para acoplar implementos no levante de três pontos, tais como pulverizadores, roçadoras, enxadas rotativas, equipamentos para transporte de produtos, dentre outros; ou para uso do fluido como meio para acionar atuadores hidráulicos, presentes em implementos acoplados ao trator (semeadoras, escarificadores e grades), que utilizam a válvula de controle remoto (VCR) para acioná-los.

Neste sentido, uma busca nas empresas fabricantes dos modelos avaliados nos mostra, na sequência desse artigo, o que está presente e as características de cada máquina. Cabe destacar que, na grande maioria dos casos, existe carência de informações nos catálogos dos fabricantes, disponíveis aos consumidores, e em alguns, as unidades de medida apresentam erros, o que pode dificultar a tomada de decisão no momento da aquisição dessas máquinas. O modelo construtivo do sistema hidráulico, por exemplo, que pode ser de centro aberto ou fechado, apenas para o modelo 4530, da Mahindra, está disponível em seu material técnico, que é de centro aberto. Os demais fabricantes não descrevem essa informação.

A vazão do sistema hidráulico de três pontos varia de 28 litros por minuto no modelo da Landini até 46 litros por minuto no modelo da Agritech. Esta informação é importante, pois muitos implementos dependem da vazão para funcionarem adequadamente. Assim como a informação da vazão, a pressão que o sistema oferece é essencial para dimensionar a máquina aos diversos implementos. Nos modelos avaliados, a pressão variou de 163,77bar no modelo G 40 da LS Tractor até 186,33bar no modelo da Mahindra. Os tratores Kubota e Landini não apresentaram a informação da pressão nos seus catálogos, e no modelo BR 454 da Jinma, tanto a vazão quanto a pressão não são especificadas.

Landini Série 2 050 GE

A capacidade de levante do sistema hidráulico de três pontos apresenta grande amplitude entre os tratores, varia de 500kg para o trator Jinma, até 1.800kg no Mahindra. No entanto, a informação de como essa medida é obtida não é informada por todos os fabricantes, apenas os modelos da Kubota, da Mahindra e da LS Tractor especificam em seus catálogos que foi medido na rótula do sistema de levante hidráulico de três pontos. A maioria dos modelos de tratores tem o sistema hidráulico de três pontos classificado na categoria I, exceto os modelos da Agritech e da Landini, que possuem categoria II. Os modelos Mahindra, Ursus e Jinma não especificaram a qual categoria pertence o sistema hidráulico de seus tratores.

Quase todos os modelos comparados contam com direção hidrostática, exceto o da Agritech e o da Jinma, que não apresentam essa informação. A vazão da direção nos modelos da Mahindra e da Landini é de 19 e 18 litros por minuto, respectivamente. O modelo da LS Tractor apresenta, além da vazão, que é de 13 litros por minuto, a informação da pressão, que corresponde a 120bar. Essas informações de vazão e pressão da direção não são disponibilizadas nos demais modelos de tratores.

As VCRs permitem que os implementos agrícolas possam utilizar o fluido hidráulico sob pressão para acionar atuadores hidráulicos (cilindro ou motores). Em motores, por exemplo, possibilita o trabalho com os órgãos ativos do implemento em diferentes rotações, através da variação da vazão. Diferente do que ocorre com a TDP que está ligada ao motor através do sistema de transmissão e varia conforme a rotação do mesmo. Isso permite trabalhos mais precisos, uso de taxa variável, adequação da pressão e a possibilidade de ajustes e regulagens a partir do posto de operação, ou eletronicamente, dependendo da tecnologia presente no trator e implemento.

Agritech 1155 Plus

Dentre os modelos comparados, os tratores da LS Tractor e da Mahindra apresentam uma válvula VCR standard e outra como opcional. Já o modelo da Landini disponibiliza duas válvulas VCR. Os modelos da Agrale e da Ursus oferecem apenas como opcional a válvula VCR duplo. Os modelos da Agritech, da Jinma e da Kubota não disponibilizam essas informações.

Além da presença da VCR e do número de válvulas disponíveis, as informações de pressão e vazão do óleo que passa por esse mecanismo hidráulico são importantes para dimensionar e harmonizar os conjuntos mecanizados e, também, verificar se essa capacidade de pressão e vazão atende a necessidade mínima do implemento a ser acoplado. Falhas no acionamento ou incapacidade de acionar o atuador hidráulico, seja um cilindro ou um motor hidráulico, podem ocorrer, e o conhecimento dessas informações pode evitar complicações, inclusive danos no sistema.

Dos modelos comparados que apresentam VCRs, apenas o trator LS Tractor traz a informação do sistema ser independente com 163,77bar de pressão e 28 litros por minuto de vazão. O modelo da Mahindra apresenta valores do sistema hidráulico de 186,33bar de pressão e 41 litros por minuto de vazão. O modelo Série 2 050 GE, Landini, apresenta apenas a vazão de 28 litros por minuto. 

Posto de operação

O posto de operação de um trator agrícola é muito importante em termos de segurança, qualidade ergonômica, conforto e, ainda, porque contribui para melhorar a eficiência e a produtividade do operador. As opções são bastante similares nos modelos de tratores comparados, mesmo assim detalharemos cada um para maior conhecimento.

Posto de comando do Landini Série 2 050 GE, LS Tractor G 40, Kubota L3800D e Mahindra 4530

Quanto à plataforma, o modelo 4530 da Mahindra, o Série 2 050 GE da Landini e o modelo 1155 Plus da Agritech oferecem plataforma plana, chamados de plataformados, que proporcionam maior espaço e praticidade para condução, devido ao posicionamento lateral dos principais comandos e alavancas de marchas. Este tipo de plataforma facilita bastante o acesso e a saída da máquina. Ainda, para melhorar a visibilidade do operador, no caso dos tratores Agritech 1155 Plus, Mahindra 4530, Ursus 2.50M e Jinma BR 454 o tubo de escape foi colocado na posição lateral do capô.

A família de tratores compactos da Landini posiciona o tubo de escape abaixo e na lateral do posto de operação. Os modelos L3800D da Kubota, 540 XT da Agrale, G 40 da LS Tractor, 2.50M da Ursus e BR 454 da Jinma são do tipo semiplataformados. Na maioria dos tratores com este tipo de posto de operação, a alavanca de marchas e de grupos está posicionada na frente, entre as pernas do operador. Por este motivo, estes postos de operação também são chamados de “acavalados”.

No modelo G 40 da LS Tractor, que também oferece posto de operação do tipo semiplataformado, a alavanca principal de seleção de marchas está posicionada ao lado direito do operador e a alavanca de grupos ao lado esquerdo.

Jinma BR 454

Outra característica do posto de operação é a boa visibilidade, proporcionada pelos espelhos laterais, que permitem a visão para trás. De acordo com as especificações do fabricante, os tratores Agrale 540 XT e Agritech 1155 Plus contam com espelhos. Nesses modelos de tratores, assim como o da Landini, o tubo de escape também está posicionado abaixo e na lateral do posto de operação.

O modelo L3800D da Kubota é o único que conta com uma caixa de ferramentas, de fácil acesso, posicionada logo atrás do assento do operador. Nos modelos da marca com retroescavadeira, a caixa de ferramentas está posicionada acima do para-lama esquerdo, ao lado do assento do operador.

Para o controle do regime de rotação do motor, em todos os modelos deste comparativo, há um acelerador de mão, colocado na coluna de direção, e outro de pé. O freio de estacionamento sempre está colocado na parte inferior, e ao lado do assento do operador, acionado por meio de uma pequena alavanca.

Em todos os modelos de tratores, na parte de trás do assento do operador está posicionado o arco de segurança de dois pontos, que os fabricantes indicam cumprir com as normas de fabricação de um arco Rops (Roll Over Protection Structure). Os modelos 1155 Plus da Agritech, G 40 da LS Tractor, 4530 da Mahindra, 2.50M da Ursus e BR 454 da Jinma também oferecem uma capota de proteção contra o sol e chuva. A cabine é oferecida como opcional nos modelos da Agrale e da Ursus.

Ursus 2.50M

Os assentos na maioria dos modelos são ajustáveis e proporcionam conforto ao operador durante longos períodos de operação, para maior produtividade. O trator da Kubota oferece assento com suspensão e design com contornos projetados ergonomicamente para reduzir a fadiga. No caso do modelo 4530 da Mahindra o assento tem regulagens de aproximação e altura.

No trator da Agrale, modelo 540 XT, além da cabine, são ofertados, como opcionais, protetor frontal, contrapesos traseiros adicionais, coluna de direção baixa, assento baixo e controle remoto duplo. Nos modelos BR 454 da Jinma e G 40 da LS Tractor são disponibilizadas proteções de vidro nas laterais do posto de operação, para dispersar o calor e o ruído do motor.

Para todos os modelos de tratores comparados, as alavancas para o funcionamento do sistema hidráulico e TDP estão posicionadas ao lado do assento do operador, com o objetivo de melhorar a ergonomia. O painel de instrumentos é simples, do tipo analógico, com luzes de alerta, medidor de combustível, tacômetro com horímetro, indicadores de pressão do óleo do motor, temperatura da água de arrefecimento, funcionamento da TDP e da conexão da tração dianteira auxiliar.

Tecnologia

Os itens de tecnologia avançada não são comuns nos tratores desta faixa de potência. Em geral, para atender os pequenos agricultores e as pequenas áreas são projetados e comercializados tratores mais simples e com recursos básicos que proporcionem preço acessível. O modelo L3800D, Kubota, apresenta como opcionais importantes a transmissão hidrostática e o sistema Cruise Control, para a manutenção constante da velocidade de trabalho, não muito comum nesta faixa de potência.

O trator LS G 40 pode vir equipado com dois opcionais de tecnologia que são o sistema de proteção do motor (vigia), que interrompe o funcionamento toda vez que ocorre superaquecimento do motor e queda na pressão do óleo lubrificante, e também pode ser adquirido com o sistema de telemetria. Estes opcionais são ofertados para toda a linha de tratores da LS Tractor. Como diferencial tecnológico, a Landini oferece na Série 2 o sistema de levante hidráulico dianteiro, ainda raro no Brasil e exclusivo na categoria I, com capacidade para 400kg.

Dimensões e capacidades

O trator agrícola modelo 540 XT da Agrale tem peso de embarque de 1.850kg e em ordem de marcha de 2.140kg. O comprimento total, com contrapesos dianteiros, é de 3.520mm e sem contrapesos de 3.360mm. A largura mínima externa do trator é de 1.365mm e a distância entre eixos é de 1.820mm. A bitola dianteira mínima é de 1.095mm e a máxima de 1.210mm. Já a bitola traseira mínima é de 1.060mm e a máxima, de 1.460mm. A distância do eixo traseiro até a barra de tração é de 980mm. As dimensões deste modelo são ideais para trabalhar com culturas adensadas. Quanto aos rodados, é equipado com pneus dianteiros Standard 250/80-18 R1 e traseiros de medidas 12.4-24 R1. Este trator pode, ainda, ser equipado com pneus opcionais dianteiros de medida 7.5L-15 R1 e traseiros 9.50-24 R1.

LS Tractor G 40

O modelo 1155 da Agritech é apresentado como modelos: Standard, cafeeiro, arrozeiro, cultivo, superestreito, supertração e fruteiro. O modelo 1155 Plus tem peso de 1.960kg. O comprimento total, com contrapesos dianteiros, é de 3.470mm, e o comprimento sem os contrapesos, de 2.300mm. A largura externa é de 1.485mm e as bitolas mínimas dianteira e traseira são 1.268mm e 1.208mm, respetivamente. O raio de giro com tração dianteira e freio acionados é de 2.650mm, e com apenas a tração acionada é de 3.390mm. A altura ao volante é de 1.620mm e a altura ao assento do operador é de 1.300mm. A distância entre eixos deste modelo é de 1.750mm e tem vão livre do eixo dianteiro de 275mm. Quanto aos rodados, cada versão tem sua configuração específica, porém o modelo 1155 Plus Standard é equipado com pneus dianteiros de 7.00-18 R1 e traseiros de 14.9-24 R1.

O modelo Série 2 050 GE da Landini tem peso sem contrapesos de 1.500kg. O comprimento total, com os contrapesos dianteiros, é de 3.285mm, e a largura mínima é de 1.420mm. A distância entre eixos é de 1.745mm e a altura ao Rops é de 1.891mm. O vão livre é de 295mm. Quanto aos rodados, os pneus dianteiros têm medidas 260/70 R16 e os traseiros, 360/70 R24.
O modelo G 40 da LS Tractor tem peso em ordem de marcha com lastro de 2.508kg e peso de embarque de 1.220kg. O comprimento total é de 3.401mm, com largura total sem pneus de 1.083mm e altura máxima de 2.286mm. A distância entre eixos é de 1.674mm, com bitola dianteira de 1.075mm e traseira de 1.083mm. O vão livre do trator é de 300mm. Em relação aos rodados, conta com as seguintes opções: dianteiros 8.00-16 R1 ou 6.00-14 R1; e os traseiros 12.4-24 R1 ou 9.52-24 R1.

Agrale 540 XT

O modelo 4530 da Mahindra tem peso em ordem de marcha com lastro de 2.685kg e peso de embarque de 2.500kg. O comprimento total é de 3.400mm. A largura externa dianteira mínima é de 1.710mm e a máxima de 1.910mm. Já a largura externa traseira mínima é de 1.695mm e a máxima de 2.075mm. A altura máxima ao volante é de 2.082mm e a distância entre eixos é de 1.994mm. A bitola dianteira mínima é de 1.470mm e a máxima de 1.670mm, já a traseira mínima é de 1.350mm e a máxima de 1.730mm. Os raios de giro com e sem freio são de 3.303mm e 3.962mm, respetivamente. O vão livre é de 385mm. Quanto aos rodados, o modelo 4530 conta com pneus dianteiros de medidas 9.50-20 R1 e traseiros 13.6-28 R1.

O modelo 2.50M da Ursus tem peso de embarque de 1.900kg e peso de embarque com lastro de 2.300kg. O comprimento máximo é de 3.540mm. A altura ao volante é de 1.400mm e a altura ao arco de proteção contra o capotamento de 1.450mm. A bitola dianteira mínima é de 1.250mm e a máxima de 1.830mm. Já a bitola traseira mínima é de 1.385mm e a máxima de 1.785mm.

O modelo L3800D da Kubota tem peso, com Rops, de 1.240kg. O comprimento total é de 2.915mm e largura mínima de 1.400mm. A altura ao volante é de 1.490mm e a altura com Rops de 2.330mm. A distância entre eixos é de 1.610mm com raio de giro de 2.500mm, com freio e tração dianteira desativados. A bitola dianteira é de 1.149mm e a traseira pode ser ajustada, com quatro larguras distintas (1.016; 1.115; 1.195; e 1.290 mm). O vão livre máximo é de 340mm. Quanto aos rodados, é equipado com pneus traseiros 12.4-24 R1 e dianteiros 7.5-16 R1.
No que diz respeito às capacidades, são poucas as que são disponibilizadas nos catálogos dos fabricantes. A capacidade do tanque de combustível é uma das poucas que é informada. O trator da LS Tractor possui capacidade de 28 litros de óleo Diesel. Os tratores da Agrale e Agritech possuem capacidade para armazenar 44 litros cada. O trator da Kubota conta com tanque para 38 litros e o da Landini para 40 litros. Os modelos 2.50M, da Ursus, e 4530, da Mahindra, são os que têm os maiores reservatórios, com capacidade para 55 e 56 litros, respectivamente.

O trator da LS Tractor conta com radiador com capacidade para 5,5 litros de água, para arrefecimento do motor, 6,5 litros de óleo lubrificante, no cárter e filtro, e 32 litros de óleo lubrificante na transmissão e sistema hidráulico. O trator Ursus traz informações das capacidades de óleo lubrificante da transmissão (29 litros) e do sistema hidráulico (11,5 litros). Já o trator Kubota conta com capacidades para 7,1; seis e 27,5 litros de água no radiador, óleo lubrificante no cárter e na transmissão, respectivamente.

O objetivo deste texto é ajudar o produtor trazendo características dos modelos numa faixa de potência, de forma que possa definir sua compra com base em informações que possibilitem comparar os modelos. De forma simplificada, para fazer uma fácil e rápida comparação, as Tabelas 2 e 3 apresentam o resumo das principais características técnicas dos sistemas de transmissão de potência e dos sistemas hidráulicos, respectivamente, que equipam cada um dos oito modelos de tratores analisados.

José Fernando Schlosser,
Marcelo Silveira de Farias,
Gilvan Moisés Bertollo,
Rubén Darío Collantes Veliz e
Junior Garlet Osmari,
Laboratório de Agrotecnologia - UFSM

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