Comparativo de tratores 105cv a 115cv comercializados no Brasil

Comparamos as características construtivas dos sete modelos de tratores com motorização entre 105cv e 115cv comercializados no Brasil, faixa de potência cada vez mais procurada pelos produtores rurais

Devido à grande atenção que os leitores da Revista Cultivar Máquinas dão aos comparativos que foram feitos ao longo da história da revista, decidimos comparar tratores de uma das faixas de potência mais vendidas no nosso País. Como critério de escolha dos modelos decidimos pela potência máxima declarada pelo fabricante, corrigida para o padrão ISO. Para tentar obter um enquadramento justo e adequado ao mercado atual, tomamos toda a oferta nacional de tratores deste ano e a dividimos em categorias, levando em conta a potência informada pelo fabricante, corrigido o valor para a norma ISO TR 14396. Para tentar enquadrar melhor as classes e comparar modelos que efetivamente competem entre si pelo mercado, consideramos a variação de potência limitando os tratores em agrupamentos que consideram uma dispersão de até 20% entre a menor e a maior potência corrigida e a capacidade de tracionar um número igual de linhas de semeadura, levando em conta um valor de referência de consumo de potência de 14cv por linha.

Trator LS Plus 100

Aplicando-se este critério obteve-se uma categoria uniforme com potência de motor entre 105cv e 112cv, composta pelos modelos: Budny BDY-10540 e LS Tractor Plus 100 (105cv); New Holland 7630 (110cv); John Deere 6115J, MF 6711 Valtra A114 (111cv) e Landini Landforce 120 (112cv). A potência apresentada entre parêntesis já é a corrigida para a norma de referência, podendo ser diferente daquela divulgada nos materiais comerciais, os quais podem utilizar como referência outras normas, de acordo com a opção dos fabricantes e seus fornecedores de motores. Para o enquadramento nesta classe, as diferenças de potências corrigidas apresentaram variação de 9% a 13%, entre a maior e a menor potência de motor. Todos os modelos enquadrados estão dimensionados para tracionar oito linhas de semeadura, pelo referencial utilizado.

Os valores de potência foram retirados do Anuário de Tratores 2019 da Revista Cultivar Máquinas, que é um compilado das informações comerciais dos modelos fabricados e comercializados no Brasil e revisado pelos próprios fabricantes.

Quando o motor define a compra

Os motores que equipam os modelos escolhidos são o MWM modelo TD 229-4 do Budny BDY-10540, o Perkins modelo 1104D-44TA do LS Plus 100, o FPT modelo NEF MAR-1 do New Holland 7630, que é o mesmo de Landini Landforce 120, porém com tratamento de emissões, o John Deere modelo Power Tech 4045 PTE do John Deere 6115J e o AGCO Power modelo MD 44CW3, que equipa os modelos MF 6711 e Valtra A114. Todos estes modelos avaliados possuem motor de quatro cilindros.

Os valores de potência corrigida vão dos 105cv (Budny BDY-10540, LS Tractor Plus 100), 110cv (NH 7630), 111cv (John Deere 6115J, MF 6711 e Valtra A114) aos 112cv (Landini Landforce 120). Reiteramos que estes valores são os divulgados pelos fabricantes, com exceção do Budny que não explicita norma de divulgação do resultado, porém o fabricante do motor (MWM) divulga que a sua referência é a norma ISO TR 14396. 

Infelizmente, o fabricante Budny não divulga o valor de torque. Para muitos especialistas este valor é, inclusive, mais importante que o próprio valor de potência, pois em operações pesadas o torque do motor é decisivo em uma comparação. No entanto, o fabricante de motores MWM divulga que os seus motores da série 229-229-4T, com 3,92 litros e quatro cilindros, apresentam potência de 102,9cv a 2.400rpm e torque de 373Nm a 1.500rpm. 

John Deere 6115J, de 111cv de potência

O motor MWM do Budny de quatro cilindros apresenta volume deslocado de 3.922cm3, o LS Tractor Plus 100, o MF 6711 e o Valtra A114 possuem 4.400cm3, os motores FPT que equipam o New Holland 7630 e o Landini Landforce 120 possuem 4.485cm3 e o John Deere 6115J tem 4.500cm3. Todos os motores desta classe utilizam turbo compressor. A injeção eletrônica de combustível como equipamento standard está presente no John Deere 6115J, no Massey Ferguson MF 6711 e no Valtra A114.
Quando se analisam parâmetros de eficiência de motores, se verifica que quanto à relação potência por cilindro os valores são bem próximos - Budny BDY-10540 e LS Tractor Plus 100 com 26,3cv/cilindro, New Holland 7630 com 27,5cv/cilindro, John Deere 6115J, Massey Ferguson MF 6711 e Valtra A114 com 27,8cv/cilindro e Landini Landforce 120 com 28cv/cilindro. 

Quando a comparação é feita pela relação entre o volume deslocado pelo motor e a potência corrigida, os melhores valores, portanto numericamente menores, são de 37,4cm3/cv para o motor MWM do Budny BDY-10540, 39,6cm3/cv para os modelos Massey Ferguson MF 6711 e Valtra A114, 40,5cm3/cv para o John Deere 6115J, 40cm3/cv para o Landini Landforce 120, 40,8cm3/cv para o New Holland 7630 e 41,9cm3/cv para o LS Tractor Plus 100. 
Esta análise de eficiência na produção de potência significa apenas que do motor está sendo obtida mais potência em relação ao número de cilindros e ao volume deslocado, não sendo avaliado se o motor está próximo ao seu limite mecânico de resistência ou não.

Escolhendo pela transmissão

O tipo de embreagem varia entre os modelos comparados. Os tratores John Deere 6115J e Valtra A114 usam embreagem multidiscos embebidos em óleo. O conjunto funciona dentro do óleo da transmissão, por isso é mais suave o acionamento e tem maior vida útil. Já os modelos MF 6711 e Landforce 120 possuem disco simples a seco, isto é, apenas um disco em contato direto com o platô e o volante do motor, dentro da capa seca. A informação do tipo não está disponível para os modelos da LS nem da New Holland.

A embreagem do modelo BDY 10540 é dupla, também conhecida como de duplo estágio a seco, ou seja, um disco serve à embreagem e outro à TDP. Quanto ao acionamento, a grande maioria é mecânico, apenas o trator 6115J possui acionamento hidráulico, embreagem PermaClutch, e o modelo da Valtra é eletro-hidráulico, chamado de HiShift. Quanto ao diâmetro e ao material do disco de embreagem, existem poucas informações. Os modelos Plus 100 da LS Tractor e Landforce 120 da Landini possuem 330mm de diâmetro e o modelo 7630 da New Holland, 356mm. Os materiais variam: orgânico na versão standard do Plus 100 e cerametálico como opcional; orgânico ou cerametálico no trator 7630; e de metal sinterizado no trator 6115J da John Deere.

Trator Valtra modelo A114

Ao analisar as transmissões utilizadas pelos tratores em comparação, com exceção do modelo BDY 10540, que possui a transmissão de engrenagens deslizantes, conhecida como caixa seca, os demais modelos contam com transmissões sincronizadas. Algumas marcas atribuem nomes comerciais às transmissões: Synchro Shuttle da LS, SyncroPlus da John Deere, Syncromesch da Massey Ferguson e da Valtra.

Todas as transmissões são mecânicas, porém no tipo sincronizada as marchas podem ser selecionadas com o trator em movimento, já que anéis sincronizadores acertam a velocidade angular das engrenagens a serem acopladas. Já na caixa seca, de engenharia mais simples, contudo bastante eficiente, a marcha é selecionada antes do início do trabalho, sendo necessária a parada do trator para que se efetue a troca de marchas.

O número de marchas varia entre os modelos, porém três tratores (LS Plus 100, MF 6711 e A114) são disponibilizados com 12 marchas à frente e 12 à ré. Estes modelos têm o que chamamos de reversor ou inversor mecânico, que proporciona o mesmo número de marchas à frente e à ré, o que parece ser uma tendência atual. O modelo Landforce 120 da Landini também conta com reversor, porém com 16 marchas à frente e 16 à ré. Ainda, sobre o número de marchas, o trator da Budny possui dez marchas à frente e duas à ré, porém conta com opção de aumentar para 20 marchas à frente e quatro à ré. O modelo 7630 da New Holland conta com oito marchas à frente e duas à ré, também com opção de aumentar para 16x4 com o uso da transmissão Dualpower, que são marchas sincronizadas independentes do pedal da embreagem, mas sim de um botão. O modelo 6115J possui 12 marchas à frente e quatro à ré, totalmente sincronizadas. Como opcional, o fabricante dispõe de uma transmissão hidrostática, chamada de PowrQuad, com 16x16. Neste tipo de transmissão, é possível trocar de marchas sem a necessidade de parar o trator ou acionar o pedal da embreagem, devido às embreagens formadas por vários discos, que se unem quando chega óleo sob pressão.

Trator Budny BDY-10540

A forma de acionamento do reversor destes tratores parece ser consenso entre os fabricantes. Todos possuem acionamento mecânico, ou seja, por meio de uma alavanca, geralmente posicionada do lado esquerdo do painel do trator. Como opcional, em quase todos os modelos, exceto no trator da Landini, este acionamento passa a ser eletro-hidráulico, que dispensa o uso de embreagem. Além do reversor ou inversor, como opcional, quase todos os fabricantes disponibilizam em seus modelos o chamado redutor ou super-redutor ou creeper. É um sistema que amplia o número de marchas do trator, mais pares de engrenagens, que faz com que o mesmo se desloque em velocidades muito baixas, inferiores a 1km/h. Em alguns casos, como na horticultura e fruticultura, este dispositivo é de grande utilidade.

Sistema hidráulico para todos os serviços

O sistema hidráulico em um trator refere-se ao sistema de transmissão de força e movimento através de um fluido, na prática óleo (fluido quase incompressível). O princípio físico baseia-se na transmissão de energia proveniente do motor de combustão, de uma bomba hidráulica para um ou mais atuadores de acionamento (cilindros, motores). Nos tratores, existem duas formas construtivas básicas de fornecer aos atuadores a energia hidráulica, o chamado centro aberto ou centro fechado.

É impressionante a pouca informação oferecida pelos fabricantes brasileiros em seus materiais de divulgação em relação ao que se divulga na Europa. É muito estranho encontrar a informação resumida a uma folha de especificações sem identificar os detalhes de um modelo, apenas fornecendo informações excessivamente comerciais e pouco técnicas.

Mesmo com estas dificuldades, se verifica que os tratores em análise têm muitas semelhanças em seu sistema hidráulico. Quanto à forma construtiva, se centro aberto ou fechado, verifica-se que todos os tratores comparados têm circuito hidráulico de centro aberto e apenas um modelo, o John Deere 6115 J, oferece o centro fechado como opcional, enquanto o modelo da Budny não menciona nada quanto a este aspecto.

Trator New Holland 7630

A vazão do sistema varia de um mínimo de 49 litros por minuto ao máximo de 100 litros por minuto (como opcional no modelo John Deere 6115J). A informação não está disponível para o modelo da Budny. A pressão máxima mantém um comportamento geral semelhante entre os modelos comparados, ao redor de 195 bar a 200 bar, estando esta informação indisponível para os modelos da New Holland e da Landini.

Todos os modelos comparados possuem direção hidrostática. Somente o trator Budny modelo BDY 10540 informa claramente que possui um depósito de óleo independente para o circuito de direção, com 1,4 litro de capacidade. O restante dos fabricantes não informa sobre este aspecto, presumindo-se que todos usem o óleo da transmissão no circuito de direção. A maioria dos fabricantes usa uma bomba independente para alimentar o circuito de direção. O fluxo desta bomba é semelhante para todos os tratores que a especificam variando de 24 litros por minuto do LS Tractor Plus 100 a 35 litros por minuto no NH 7630. Esta informação não é disponibilizada para os modelos da Budny, John Deere, Massey Ferguson e Valtra.

Com relação ao elevador hidráulico, deve-se reivindicar aos fabricantes que ofereçam em suas informações como a capacidade de elevação foi calculada. Não é válido informar um valor se não for esclarecido como essa medida foi realizada: se a massa utilizada para a medida foi colocada na rótula ou a 610mm da rótula ou se o número corresponde a um setor da circunferência de elevação ou pelo contrário, aconteceu durante todo o percurso.

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Vale ressaltar que os modelos New Holland 7630 e Valtra A114 oferecem os valores para a capacidade de levantamento na rótula e 610mm. A John Deere menciona a capacidade de elevação de acordo com a NBR 13145, embora, na realidade, essa norma tenha sido cancelada e substituída pela NBR ISO 789-2, de 2014. Em resumo, tentar comparar as capacidades de elevação sem saber como elas foram medidas é uma tarefa inútil, porque não seria justo, principalmente com aqueles fabricantes que detalham a metodologia utilizada. Como informação geral, as capacidades de levante no sistema hidráulico de três pontos na rótula varia de 2.500kg no modelo da Budny a 4.950kg nos modelos da Massey Ferguson e da Valtra com motor de quatro cilindros. 

Trator MF 6711, da Massey Ferguson

Há um denominador comum nos elevadores, pois todos eles são da categoria II, exceto o modelo da LS, que é da categoria III. Outro ponto em comum, estranho para os dias atuais, é que nenhum modelo possui engate rápido nos braços horizontais. Destaca-se que apenas a John Deere oferece a opção de adquirir o trator sem elevador traseiro, com opção, se for do interesse do cliente de montá-lo mais tarde, na concessionária autorizada. O controle do elevador tem as funções usuais: posição, profundidade e mista. E apenas os modelos do grupo AGCO, o Massey Ferguson 6711 e o Valtra A114 oferecem controle externo a partir da aba do para-lamas traseiro direito.

Quanto às válvulas de controle remoto (VCRs) para serviços externos há muita semelhança entre todos os modelos comparados. Todos oferecem duas ou três saídas de ação dupla, com controle mecânico das válvulas. 

Posto de operação

A disposição correta e o dimensionamento dos componentes do posto de operação dos tratores agrícolas têm se mostrado itens importantes para melhorar a qualidade ergonômica e o conforto oferecidos para o operador, diminuindo a ocorrência de acidentes e de doenças ocupacionais, além de aumentar a produtividade no trabalho.

Quanto ao posto de operação e o que ele oferece de conforto ao operador, os modelos confrontados, em sua maioria, são do tipo plataformado com opcional de cabine, entretanto, o modelo 7630 da New Holland é o único que apresenta posto de operação do tipo semiplataformado. Portanto, também, difere dos demais quanto à posição das alavancas de marcha e de grupos, as quais se localizam entre as pernas do operador. Vale ressaltar que para os modelos 7630 e BDY 10540 a cabine não é um opcional oferecido pelos fabricantes dos tratores.

Os modelos pertencentes ao grupo AGCO (MF 6711 e Valtra A114) apresentam semelhanças na constituição dos postos de operação. Quando cabinados, os principais comandos encontram-se dispostos ao lado direito do operador, diferindo dos modelos do tipo plataformado quanto à posição da alavanca de grupos, que passa a se situar à esquerda do operador, mesmo local escolhido pela LS Tractor no modelo Plus 100.

Landini Landforce 120, de 112 cv

Outra mudança que ocorre dos modelos cabinados para os plataformados do grupo AGCO é a posição do acelerador de mão, que passa do para-lama direito para o painel, ao lado direito da coluna de direção, assim como no modelo 7630 da New Holland. O acelerador de mão posicionado no para-lama direito está presente nos modelos Budny BDY 10540, John Deere 6115J, Landini Landforce 120 e LS Plus 100.

Objetivando maior conforto, segurança e produtividade durante a jornada de trabalho, os fabricantes dos modelos A114, MF 6711, Landforce 120 e Plus 100 apresentam acionamentos eletro-hidráulico para a tração dianteira auxiliar (TDA) e bloqueio do diferencial. Já os modelos 7630 e 6115J apresentam o acionamento eletro-hidráulico somente para a TDA, sendo o bloqueio do diferencial realizado através de acionamento mecânico por meio de pedal. O modelo BDY 10540 é o único dos tratores analisados que apresenta os acionamentos da TDA e do bloqueio do diferencial mecânico, através de alavanca e pedal, respectivamente.

Ademais, o acionamento eletro-hidráulico se faz presente na tomada de potência (TDP) dos modelos A114, MF 6711, 6115J, Plus 100 e Landforce 120. Os modelos BDY 10540 e 7630 apresentam TDP de acionamento mecânico por meio de alavanca, as quais se localizam, respectivamente, do lado direito e esquerdo do posto do operador. Além de que, a maioria dos modelos apresentam TDP com velocidade angular de 540rpm e 1.000rpm, e alguns modelos como o MF 6711 e A114 podem apresentar TDP econômica. A TDP econômica caracteriza-se pelo seu acionamento a um regime de rotação menor no motor do trator, acarretando redução do consumo de combustível.

Outro ponto a ser destacado é a posição de comando do sistema de levante hidráulico. Todos os modelos apresentam os comandos dispostos do lado direito do posto do operador, na forma de alavancas para os modelos BDY 10540, Landforce 120, Plus 100, 7630 e na forma de controles eletro-hidráulicos para os modelos 6115J, MF 6711 e A114. O mesmo ocorre para as válvulas de controle remoto (VCR), acionadas por meio de alavancas e dispostas no lado direito do posto do operador em todos os modelos dos tratores comparados.

O freio de estacionamento da maioria dos modelos analisados é do tipo independente e encontra-se posicionado ao lado esquerdo do posto do operador. Nos modelos BDY 10540 e 7630, o freio de estacionamento está relacionado aos freios do trator, e são acionados por meio de alavancas e pressionando os pedais do freio. No BDY 10540 a alavanca está posicionada abaixo do volante e no 7630 está próxima à alavanca de grupos. Para desarmar o freio de estacionamento deve-se somente apertar os pedais e retornar à posição da alavanca. Já o freio de estacionamento do 6115J está ligado à alavanca do reversor do trator.

Todos os modelos apresentam painel simples, de boa visibilidade, apresentando tacômetro, horímetro, sinais luminosos que servem para indicar o acionamento de luzes e do freio estacionário, pressão de óleo, temperatura, TDP em funcionamento, pisca-alerta, acionamento da tração dianteira, bloqueio do diferencial, entre outras funções. O lado para subida e descida dos operadores é o esquerdo, fortemente evidenciado nos modelos, embora o modelo BDY 10540 apresente escadas de acesso em ambos os lados. É evidente que cada modelo de trator apresenta as suas particularidades, porém, de maneira geral, pode-se salientar a preocupação dos projetistas em oferecer amplo espaço, confortável e ampla área de visão para os operadores e usuários dos seus produtos.

Tecnologia embarcada para todos os gostos

O fabricante John Deere disponibiliza como opcional para o modelo 6115J o piloto automático ATU 200, com nível de precisão padrão de ± 23cm ou ± 3cm, ambos com a utilização da antena StarfireTM e repetibilidade por até nove meses consecutivos. Já com os monitores Greenstar™ GS2 1800 (com uma tela de 18cm) e GS3 2630 (com tela de 26cm) fornecem monitoramento completo da máquina e gerenciamento da operação, tendo como funcionalidades gerenciamento de piloto automático AutotracTM, controle de seção, taxa variável, dentre outras diversas funcionalidades. Pode ser equipado com o monitor MPA 2500, controlando até 30 linhas de semente e fertilizante, gerenciando velocidade, produtividade e área trabalhada. 

Já o software Surface Water PROTM permite traçar curvas de nível, terraços, taipas, canais e represas através do piloto automático do trator, sem uso de lasers, teodolitos ou marcações manuais. 

O LS Tech Unit Control é o sistema de proteção de motores e monitoramento de máquinas em campo da empresa LS Tractor, e foi matéria de capa da Revista Cultivar na edição de abril de 2018. Desenvolvido em parceria com a empresa Argentina Colven, disponibiliza como opcional ao trator Plus 100 o sistema de proteção de motores Vigia e o sistema de Telemetria Gestya. 

A LS Tractor está na vanguarda com a oferta de um produto que não é engessado, ou seja, é possível adquirir um trator da LS Tractor com o Vigia e Gestya, ou apenas a tecnologia para ser instalada em colhedoras, caminhões e demais equipamentos existentes na propriedade, podendo fazer a gestão de todos no mesmo sistema. Tem como principais diferenciais o monitoramento e o registro de dados de pequenos tratores, geralmente com motores com injeção mecânica, em igual paridade aos sistemas modernos de injeção eletrônica. Isto permite um histórico de trabalho do trator, além da possibilidade de o gestor da frota monitorar a localização, os parâmetros da máquina e da condução em tempo real.

Os tratores Massey Ferguson MF6711 e Valtra A114, contam com o sistema AgCommand®, que é um software de telemetria, utilizando sinal de telefonia celular GPRS, focado nas máquinas, permitindo saber quando sua máquina precisa de manutenção ou está se aproximando de um intervalo de revisão próximo. Além disso, é possível identificar com rapidez e começar a tratar de problemas de funcionamento logo que acontecerem. Já o Fuse® é um sistema que engloba todas as operações da propriedade rural, gerenciando máquinas (com dados do AgCommand®) destas empresas e de terceiros. Apresenta soluções para gerenciar dados agronômicos, sincronizar todo o ciclo da safra (semeadura, tratamentos fitossanitários, colheita), além de soluções de armazenagem (secagem de produto, monitoramento etc). Lançado na Agrishow 2019, o novo projeto do grupo AGCO denominado Farm Solutions, é um serviço oferecido a partir das concessionárias, destinado a transformar dados relacionados às máquinas agrícolas em informações para manejar lavouras e tornar o processo mais rentável e produtivo. Permite aplicar os principais conceitos de agricultura de precisão, desde a parte de fertilização conforme a necessidade de cada área, até mesmo projetando linhas de tráfego, para aumentar a produtividade e diminuir a compactação. Mas todas estas soluções não teriam relevância e funcionalidade sem o Auto-Guide™ 3000, que é o sistema de orientação e direção do grupo (piloto automático), através de sinais de satélite ou torres de transmissão RTK, podendo chegar a 2,5cm de precisão. Está disponível para instalação desde a fábrica ou pós-venda nas concessionárias.

O PLMTM (Precision Land Management) é a denominação das soluções em agricultura de precisão da New Holland, sendo disponibilizado ao modelo 7630 o piloto elétrico EZ-Steer e o monitor com GPS integrado e barra de luzes EZ Guide-250. O monitor é compatível com DGPS gratuito e possui as funções de mapeamento de bordaduras, pontos, linhas, forma livre e áreas. Já o piloto elétrico possui a tecnologia de compensação de terreno T3™ que corrige continuamente o giro, a inclinação e a mudança de direção, usando sensores de inércia de estado sólido de três eixos para fornecer uma posição correta sobre o solo.

Outros itens de tecnologia a destacar são o acionamento do sistema de levante e TDP no para-lama do Valtra A114, assim como o Vision Hoof, que é o teto de vidro desenvolvido para facilitar as operações com implementos frontais; memória de rotação do motor para retomar o trabalho depois manobras de cabeceira; integração motor e transmissão; modos de segurança para motores eletrônicos e limitador de rotação; recuperador de óleo das VCRs e visor do nível do óleo de transmissão, sem varetas. No Massey Ferguson MF6711 é interessante destacar a memória de rotação do motor para retomar o trabalho depois de manobras de cabeceira; integração motor-transmissão; modos de segurança para motores eletrônicos e limitador de rotação; recuperador de óleo das VCRs e visor do nível do óleo de transmissão, sem varetas. No trator John Deere 6115J também são notáveis o kit de retorno livre para semeadoras a vácuo; a cabine de série; utiliza chassi com coxins de borracha, absorvendo vibrações e minimizando ruídos.

Dimensões e capacidades

O trator mais leve deste comparativo é o da LS Tractor, modelo Plus 100 com 3.140kg, na versão plataformada, considerando o peso de embarque. Já o trator mais pesado é o modelo 7630 da New Holland, com 5.900kg, e este mesmo trator possui a maior capacidade de peso máximo permitido, com 6.600kg.

A capacidade do depósito de combustível é um dos fatores que interferem no rendimento operacional do trator, entre os modelos comparados o 6115J, da John Deere, apresentou a maior capacidade, com 240 litros, entretanto, o modelo que apresentou menor volume é o trator do fabricante Budny, modelo BDY 10450, com 160 litros.
Com relação às dimensões dos tratores, a distância entre eixos variou entre o mínimo de 2.375mm e o máximo de 2.540mm, respectivamente, para o Plus 100 e o Landforce 120. 

Entretanto, nem todas as marcas disponibilizam estas informações. O vão livre é a distância do nível do solo até a parte mais baixa do trator, e, novamente, os mesmos modelos apresentaram os valores limites. O primeiro modelo possui o valor mínimo mais baixo do comparativo, 465mm, e o segundo modelo possui o maior valor, 507mm.

A bitola pode ser ajustada para as diferentes necessidades, variando entre os modelos, onde o mínimo encontrado no eixo dianteiro é de 1.651mm no Plus 100. No eixo dianteiro os valores máximos encontrados são dos modelos MF 6711 e A114, com 2.004mm. Este último modelo também possui o valor máximo de bitola traseira, com 2.582mm. 

O raio de giro é um dos fatores que interferem na capacidade de realizar manobras em um espaço pequeno, melhorando o rendimento operacional. Quanto menor for o raio de giro, mais rápidas serão as manobras, e, neste caso, o trator Plus 100 possui os menores valores entre os tratores comparados, que é de 3.500mm, e o modelo MF 6711 apresenta o maior valor, de 4.300mm. O modelo MF 6711 é o trator mais estreito e curto, com 1.925mm e 4.305mm. O trator que é mais largo e comprido é o Landforce 120, com 2.104mm e 4.790mm, respectivamente. Ao comprimento deste último trator são considerados inclusos os contrapesos.

Dependendo das atividades que são realizadas com o trator, necessitam-se de máquinas altas ou baixas. Este último é o caso do trator 7630, da New Holland, que possui menor altura entre os modelos comparados, que é de 2.545mm. Entretanto, o trator mais alto é o BDY 10450, com 2.950mm, valor este considerando até o toldo.

ver mais artigos

José Fernando Schlosser, Heliodoro Catalán, Marcelo Silveira de Farias, Rovian Bertinatto, Daniela Herzog e Jaqueline Ottonelli

Laboratório de Agrotecnologia/Nema/UFSM

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