Controle do carrapato dos bovinos

O carrapato-do-boi Rhipicephalus (Boophilus) microplus é um dos principais problemas do produtor, considerando que o Brasil é um país em sua maioria tropical e favorece a sua ocorrência durante o ano todo na maioria das regiões.
O prejuízo econômico causado por este parasita ocorre em diferentes graus dependendo do nível da sua infestação associado a fatores fisiológicos dos bovinos. Assim, os prejuízos determinados pelo parasitismo do carrapato à pecuária bovina se enquadram nos danos decorrentes da ação direta, caracterizados por espoliação sanguínea e suas consequências, como anemia, prurido, irritação, quedas no peso e na produção dos animais, predisposição à instalação de miíases e desvalorização do couro, inclusive podendo acarretar morte de animais.
De forma indireta, constituídos, essencialmente, pela transmissão de agentes causadores de doenças, como a tristeza parasitária bovina e pelos gastos com a aquisição de medicamentos e de mão-de-obra especializada para o tratamento dos animais, além das perdas com os bovinos, quando não adequadamente tratados.
Os produtores, na sua maioria, combatem este parasita aplicando produtos carrapaticidas apenas quando observam alta infestação de carrapatos sobre os animais e, neste momento, eles já estão sofrendo todos os efeitos de uma alta infestação parasitária apresentando um baixo rendimento e, por outro lado, as pastagens também já possuem uma alta infestação de carrapatos não favorecendo o controle. Enfim, o controle de carrapatos ocorre de acordo com os critérios de visibilidade da infestação no animal e não por critérios técnicos estratégicos.
Esta ação, muitas vezes realizada de forma incorreta, tem acarretado em contaminação ambiental, dos produtos de origem animal (leite e carne) e intoxicação da pessoa que aplica o carrapaticida. O controle do carrapato não acontece de forma eficiente e ainda promove a disseminação da resistência das populações de carrapatos aos produtos utilizados no seu controle levando ao aumento crescente dos prejuízos econômicos.
Informações sobre o ciclo de vida do carrapato, suas relações com as variações de temperatura e umidade em cada região, raças de bovinos utilizadas no sistema de produção e manejo das pastagens são essenciais para o controle estratégico do carrapato.
A resistência dos carrapatos em relação aos carrapaticidas disponíveis no mercado constitui-se em motivo de permanente preocupação a todos aqueles setores (produtores, indústria, organismos oficiais, técnicos) envolvidos com o controle desses parasitos dos bovinos, uma vez que, instalada a resistência a um determinado produto ela também ocorrerá para produtos da mesma família ou grupo químico.
A necessidade de prolongar a vida dos carrapaticidas disponíveis no mercado considerando a dinâmica da resistência em populações de carrapato levou a Embrapa Gado de Corte desenvolver pesquisas promovendo soluções para esse problema. Por meio da página http://cloud.cnpgc.embrapa.br/controle-do-carrapato-ms/ o produtor pode enviar para o laboratório da Embrapa Gado de Corte amostras de carrapato da sua propriedade para identificar a possível presença de resistência nessas populações aos produtos mais utilizados no mercado. Além disso, o produtor recebe informações de qual base química utilizar e orientações para os procedimentos necessários.
Desta forma, são realizados exames laboratoriais para determinação da eficiência dos produtos carrapaticidas e disponibilizadas orientações técnicas visando conscientizar os produtores para o uso correto de carrapaticidas em bovinos, com ênfase na presença de resíduos de carrapaticidas nos produtos de origem animal em função da sua gravidade para a saúde humana.
Outro projeto em desenvolvimento na Embrapa Gado de Corte é sobre uma vacina contra o carrapato onde já existe disponível tecnologia para se produzir uma vacina recombinante com efeito parcial no controle do carrapato.
A associação da tecnologia de monitoramento da resistência associada ao controle estratégico e o uso de vacina contra o carrapato aumenta a eficiência no controle, reduz a possibilidade de contaminação e preserva a sensibilidade dos carrapaticidas por mais tempo. ver mais artigos

Renato Andreotti

renato.andreotti@embrapa.br

Pesquisador da Embrapa Gado de Corte

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