Controle na saída

A atividade rural, atualmente, precisa ser encarada como atividade empresarial e como tal precisa ser administrada.

Existem empresários rurais de pequeno, médio e grande porte. Assim como em outra atividade qualquer, o porte, o tipo e a complexidade é que definem a estrutura e o tipo de equipamento e máquinas necessárias. E a necessidade de controles, a exatidão e a confiabilidade nos dados influem diretamente nos resultados.

Quanto maior a competitividade e a concorrência, maior é a necessidade em qualidade, eficiência, rentabilidade, e menor será a possibilidade de qualquer tipo de perda ou dependência de terceiros que definam ou avaliem os nossos resultados.

Após todo o processo de decisões, investimentos e trabalho, desde a escolha de uma terra produtiva, preparo e recuperação do solo, a escolha de boa semente, o plantio, o controle de pragas e insetos, o clima favorável durante todo o ciclo de desenvolvimento da planta, da semeadura à colheita, e finalmente o êxito na colheita. Todo este resultado é entregue ao mercado sem ter-se uma avaliação própria do peso. E é justamente na pesagem que poderá se definir o lucro de um ano de trabalho e investimentos.

A pesagem, além de ter influência direta nos resultados financeiros, terá uma função decisiva nas avaliações da produtividade e de custos através de dados reais e concretos.

Como em qualquer atividade empresarial, também a definição pela necessidade de compra de uma balança precisa ser avaliada sob o ponto de vista de um investimento com um estudo de custo x benefício e o tempo e forma do retorno do investimento.

Infelizmente a grande maioria ainda vê o valor empregado na compra de uma balança como um “mal necessário” ou como despesa e não como investimento.

É universalmente aceito que um bom investimento é aquele que tenha o retorno em três anos e, sendo aceito como regular, aquele que tiver o retorno em até cinco anos.

Baseados nesta realidade, elaboramos um estudo sobre o porte mínimo de produção que viabiliza a instalação de uma balança na própria propriedade rural.

A situação avaliada é com as seguintes características:

• área de lavora: 500 ha
• tipo de cultura: soja
• produtividade por ha: 300kg (50 sacas)
• produção total: 1500ton. ou 25.000 sacas
• preço médio por saca: R$ 30,00

Então teremos:
500 ha x 50 sacas = 25.000 sacas;
25.000 sacas x R$ 30,00 por saca = R$ 750.000,00 (valor do faturamento bruto).
Se, por erro de pesagem (intencional ou não), tivermos uma diferença menor de 3%, teremos:
25.000 sacas x 3%(dif. pesagem) = 750 sacas de perda;
750 sacas de perda x R$ 30,00 preço médio = R$ 22.500,00 de perda em um ano.

Em três anos teremos:
R$ 22.500,00 x 3 anos = R$ 67.500,00 de perda.

Pelo levantamento feito, o valor médio de uma balança de boa qualidade com capacidade de 80tons, incluindo-se aí o valor com a construção civil, gira em torno deste valor. Desta forma, pelo exemplo demonstrado cuja diferença de peso foi considerada apenas de 3%, teremos o retorno do investimento entre 2 a 4 anos, dependendo do modelo de balança escolhido.

Não estão aí computadas todas as demais vantagens em ter-se o próprio sistema de pesagem na propriedade rural, tais como:

• detectar as perdas que ocorrem no transporte entre a propriedade e o local de entrega;

• detectar o percentual de descontos referente a impurezas;

• saber exatamente a quantidade armazenada em peso;

• saber exatamente a quebra ocorrida durante o período de armazenagem;

• confirmar com exatidão a produtividade por área, tipo e variedade de grão;

• ter total controle sobre os insumos comprados para a lavoura (fertilizantes, calcáreo, combustível etc).

O estudo acima nos mostra que um empresário rural que cultiva 500 hectares e que tenha a produção de 25.000 sacas de soja/ano, independentemente se possui armazenagem própria ou não, já comporta a instalação de uma balança, não só para a pesagem de sua produção como dos insumos e de todos os demais itens que ingressarem em sua propriedade.

Todavia, é muito importante que o produtor faça uma avaliação criteriosa quanto ao modelo, sistema e fornecedor do sistema de pesagem, no momento da decisão da compra. Para tanto, é muito importante que o vendedor tenha um bom conhecimento para que possa prestar auxílio necessário e, em conjunto com os compradores, definir o modelo mais adequado. Uma balança, por ter uma vida útil bastante longa, no mínimo entre 20 a 40 anos, merece uma atenção especial para que não se invista num equipamento que em curto prazo se torne obsoleto em relação à capacidade de pesagem, comprimento da plataforma e sistema de comando e registro ou pela curta durabilidade em função de má qualidade.

Até bem pouco tempo atrás, o item “balança”, no contexto dos equipamentos e máquinas utilizadas numa propriedade rural e mesmo agroindustrial, era encarado com certo descaso e de pouca importância.

E, como resultado disto e pela falta de uma avaliação mais aprofundada de médio e longo prazo, a grande maioria dos equipamentos existentes está defasada quanto às atuais necessidades e exigências do mercado, sendo que é tecnicamente difícil e pouco recomendável o aumento da capacidade e comprimento, tornando-as quase que obsoletas.

Romeu Graeff,
Consultor

* Este artigo foi publicado na edição número 21 da revista Cultivar Máquinas, de maio/junho de 2003. ver mais artigos
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