Correta rotação de culturas em cana

A reforma, realizada em média a cada cinco cortes, é o período em que os canaviais se tornam mais vulneráveis à erosão.  Observar a correta rotação de culturas para a cobertura do solo, empregar cultivo mínimo e plantio direto estão entre práticas de manejo conservacionistas recomendadas neste tipo de operação.

A recente expansão da produção de cana-de-açúcar no Brasil impulsionou o aumento de área cultivada, especialmente em São Paulo onde são estimados aproximadamente 5,4 milhões de hectares. De acordo com LAL (2009), a demanda global por energia crescerá a uma taxa de 2,23 % ao ano até 2025, por conseguinte é extremamente importante a adoção de sistemas de produção com princípios da agricultura conservacionista, com destaque ao plantio direto que é utilizado em somente 6,4% das áreas agrícolas mundiais. O Brasil tem longa tradição no uso de energia renovável e apresenta quase 40% das áreas agrícolas em algum tipo de manejo conservacionista. Nos últimos anos, a colheita de cana crua aumentou expressivamente, e já representa ao redor de 1,92 milhões de hectares ou mais de 50% da safra paulista. Neste sistema são depositados sobre a superfície do solo em média 15 Mg/ha de matéria seca, que apresenta característica recalcitrante e auxilia no controle de plantas daninhas (CRISTOFFOLETI et al., 2007), reduz emissão dos gases do efeito estufa (LA SCALA et al., 2006), aumenta teor de matéria orgânica  e mantém maior conteúdo de água no solo (BOLONHEZI et al., 2007). Por outro lado, a grande quantidade de resíduos aumenta os custos com preparo do solo em 30%, o que agrava problemas com erosão em cerca de 10 vezes, pois os terraços são espaçados com finalidade de facilitar a colheita mecanizada. Portanto, o período de maior vulnerabilidade do canavial à erosão é o de reforma do canavial, realizado em média a cada cinco cortes.

Nos últimos anos, a reforma tem representado somente 8% do total de canaviais implantados, mas o potencial é para cerca de 1 milhão de hectares anuais somente na região Centro Sul.  Em São Paulo, mediante acordo do setor sucroenergético com o governo, estabeleceu-se que a partir de 2014, nas áreas mecanizáveis não se poderá utilizar queima na pré-colheita. Há mais de 10 anos pesquisas (BOLONHEZI et al., 2007) e validações comerciais vêm sendo conduzidas sobre a viabilidade da adoção do plantio direto na reforma de cana crua, que apresentam resultados favoráveis para soja \ amendoim), leguminosas adubos verdes e até para cana-de-açúcar plantada na seqüência. Mesmo assim, na prática, algumas usinas e fornecedores que adotam a semeadura direta das culturas de rotação ainda fazem preparo do solo antes do plantio da cana-de-açúcar no outono, justificadas pela necessidade de reduzir os problemas com compactação. Contudo faltam indicadores conclusivos sobre a real necessidade de realização deste preparo do solo. Uma das mais populares e ainda bastante utilizadas ferramenta para tomada de decisão, sobre o nível de compactação e qual profundidade do solo está ocorrendo é a resistência à penetração.

Um trabalho foi conduzido com o objetivo de avaliar a resistência à penetração em diferentes culturas de sucessão e sistemas de preparo na  reforma de canavial, implantado em um Latossolo Vermelho Amarelo em Guaíra/São Paulo.  

A pesquisa foi conduzida em área comercial, situada na Usina Açucareira Guaíra, localizada em Guaíra, São Paulo. Em canavial de 5o corte, estimou-se 16 Mg/ ha de matéria seca de palhiço depositado sobre o solo após a colheita mecanizada. Utilizou-se delineamento experimental em blocos ao acaso com os tratamentos arranjados em esquema de parcelas subdivididas, em quatro repetições no campo. Os tratamentos principais compreenderam os sistemas de preparo, a saber; convencional (gradagens + aração com aiveca), cultivo mínimo (dessecação da soqueira + subsolador com rolo destorroador) e plantio direto (dessecação com glifosate, 5 L/ ha). Os tratamentos secundários foram as quatro opções de culturas comerciais, amendoim (cv.IAC-886), soja (cv. Monsoy 7908rr), milho (DKB 390 Bt) e girassol (cv. IAC-Iarama), duas leguminosas adubos verdes (Crotalaria juncea and Mucuna aterrima), além do pousio(vegetação espontânea). As culturas comerciais foram fertilizadas com  N, P2O2 e K2O, respectivamente 12, 60 e 60 kg/ha, além das coberturas nitrogenadas realizadas no milho (90 kg/ ha) e girassol (40 kg/ha). As culturas foram semeadas em 1/12/2007, utilizando semeadora modelo Ultra Flex (marca Tatu Marchesan) com 9 linhas, disco de corte de 20", sistema de distribuição de sementes mecânico e haste escarificadora na aplicação do fertilizante. As parcelas foram dimensionadas para facilitar a completa mecanização do plantio das culturas e da cana subsequente, e apresentaram 15m de frente por 20m de comprimento. As culturas da soja, girassol, milho, Crotalaria juncea e mucuna verde foram semeadas no espaçamento de 0,45m entre linhas. Para o amendoim foi utilizado espaçamento de 0,90m conforme as recomendações para esta cultura. As pulverizações para controle fitossanitário foram tratorizadas.

Utilizou-se penetrômetro de impacto conforme modelo de STOLF (1991). As determinações foram realizadas no mês de fevereiro. Após colheita das culturas utilizadas em reforma ou com potencial de serem utilizadas foram amostrados dois pontos em cada uma das 84 subparcelas. As analises estatísticas foram feitas e analisadas através do teste  t de Student (5% probabilidade).O preparo de solo é realizado com o objetivo de facilitar o plantio, garantir um melhor desenvolvimento das raízes, eliminar as ervas daninhas e incorporá-las (CHRISTOFOLETII, et al. 2007), juntamente com os restos culturais (LAL.,2008). A seqüência de eventos a serem realizados durante esta fase depende do estágio de exploração da área, do nível tecnológico a ser empregado, da quantidade de restos culturais e das características de solo (Bolonhezi 2007).

Convencionalmente, o solo é preparado por meio de aração e duas gradagens leves, sendo uma após a aração e outra imediatamente depois do plantio, ou com duas gradagens com grade aradora.

Os resultados encontrados durante o experimento, no preparo convencional em reforma na cultura da cana de açúcar mostram ser a utilização de arados característicos de uma agricultura agressiva obtendo os valores de Resistência à penetração (Rp) para as Culturas de Reforma (CR) um pouco maiores que o pousio. Entretanto em todos os preparos, o pousio mostrou o mesmo comportamento.

O girassol , a soja e a mucuna verde, devido ao maior recobrimento do solo, mostraram uma maior facilidade em se desenvolver após o ciclo de cinco anos deste material de cana-de açúcar.

Por outro lado no cultivo mínimo o escarificador deve ser ajustado para operar a uma profundidade de até 28cm, para eliminar camadas adensadas e favorecer o desenvolvimento das raízes. A primeira gradagem para a incorporação dos resíduos vegetais deverá ser realizada entre 10 dias e 15 dias antes da aração. Por outo lado o cultivo mínimo também requer atenção com relação ao teor de água no solo.

A identificação do ponto ideal de umidade no solo para começar o preparo do solo é fundamental para assegurar um funcionamento adequado e econômico dos equipamentos e para a obtenção de um resultado satisfatório (LA SCALA, et al., 2006). As atividades de preparo devem ser realizadas com o solo no estágio friável, que é reconhecido tomando-se um punhado de solo e comprimindo-o na mão. A friabilidade é constatada se a porção de solo puder ser facilmente moldada, mas se esboroe com facilidade, tão logo cesse a força sobre ela.

No Plantio Direto os Resultados mostraram um ganho compensador significativo para a Cultura do amendoim, que também foi utilizada como (CR), sendo bastante importante economicamente na região de Ribeirão Preto. Não houve diferença estatística significativa entre as Culturas de Reforma. O cultivo mínimo mostrou significativa menor Rp ao longo do perfil do solo

Recomenda-se o cultivo mínimo e plantio direto como estratégias de reforma para a cultura da cana colhida sem despalha a fogo na região de Ribeirão Preto.

Dentre as culturas de reforma estudadas o amendoim mostrou-se mais sensível que as outras plantas de cobertura para os sistemas de manejo do solo empregados.

Figura 1. Resistência à Penetração entre as Culturas de Reforma estudadas
Figura 1. Resistência à Penetração entre as Culturas de Reforma estudadas.
Figura 2. Resistência à Penetração para a Cultura do amendoim comparando os diferentes sistemas de manejo estudados.
Figura 2. Resistência à Penetração para a Cultura do amendoim comparando os diferentes sistemas de manejo estudados.


Sandro Roberto Brancalião, IAC; Denizart Bolonhezi, Ag. Paulista Tecn. dos Agronegócios


Artigo publicado na edição 205 da Cultivar Grandes Culturas.

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